Melhor será o multímetro quanto menor for a corrente de fundo de escala do instrumento de bobina móvel usado (para o caso dos analógicos - veja em digital o que isso significa).
Multímetros com escalas menores de corrente de 50 uA são excelentes, se bem que sejam mais caros. Entretanto, a especificação de sensibilidade não é dada normalmente em termos de corrente de fundo de escala.
As especificações são dadas em termos de Ohms por volt (Ω/V). O que significa isso? Conforme sabemos, não podemos realizar nenhum tipo de medida sem influir no que está sendo medido.
No caso de um multímetro, o instrumento precisa de corrente que é desviada do circuito que está sendo testado para movimentar sua agulha. Isso quer dizer que a introdução do instrumento no circuito significa uma alteração que afeta a quantidade que está sendo medida, qualquer que seja ela.
O instrumento será tanto melhor quanto menos alteração ele introduzir na medida que está sendo feita.
Em especial, no caso dos multímetros, as alterações que se fazem sentir de forma mais acentuada são as referentes à tensão.
Assim, quando medimos a tensão num circuito, conforme mostra a figura 1, o multímetro representa uma resistência adicional que está sendo ligada em paralelo com o circuito sobre o qual se realiza a medida.
Veja então que, se o instrumento representa uma resistência de 5000 ohms no circuito da figura 1, sua ligação em paralelo com o resistor de 5000 ohms, no qual medimos a tensão, pode alterar sensivelmente o valor lido.
Quando a tensão a real era de 5 volts, com a introdução do instrumento, por sua influência, ela cai para 3,33 volts que é a tensão que será indicada.
Isso representa um enorme erro!
Se o multímetro na escala de tensão representasse uma resistência de 10 000 ohms em lugar de 1 000 ohms apenas, o valor lido seria outro.
Teríamos neste caso uma leitura de 4,76 volts.
A diferença entre o valor real o valor medido cairia para apenas 0,24 volts. É claro que o ideal seria que o multímetro tivesse uma resistência infinita na escala de tensões, pois assim sua influência seria nula, mas isso é impossível.
Mesmo nos multímetros digitais a resistência apresentada pelo instrumento é da ordem de algumas dezenas de megohms e não infinita.
Do mesmo modo, vemos que a própria resistência que o instrumento representa na medida de tensão depende da escala usada, pois trocamos a resistência multiplicadora.
Observe que, se tomarmos como exemplo um instrumento de 1 mA , conforme calculamos, sua resistência para cada escala de tensões será de:
Para 1 Volt = 1 000 ohms
Para 10 Volts = 10 000 ohms
Para 100 Volts = 100 000 ohms
Mas, observando estas escalas vemos que existe uma relação entre estes valores que se mantém constante.
Dividindo a resistência que o instrumento apresenta pela tensão de fundo de escala obtemos um valor constante:
1000/1 = 10 000/10 = 100 000/100 = 1 000 ohms/volt
Este valor 1000 pode servir para indicar a sensibilidade do instrumento em ohms por volt.
Um voltímetro construído a partir de um instrumento de 1 mA terá uma sensibilidade de 1000 ohms por volt.
Um voltímetro construído a partir de um instrumento de 200 uA terá uma sensibilidade de 5 000 ohms por volt.
Tanto melhor será o instrumento quanto maior for o valor em ohms por volt que indica sua sensibilidade, pois também é uma indicação da sensibilidade do instrumento usado.
Os multímetros comuns que o leitor vai encontrar no mercado têm sensibilidade na faixa de 1 000 ohms por volt até 100 000 ohms por volt o que representada um instrumento de fundo de escala de apenas 10 uA.
Para os digitais, a indicação de sensibilidade é dada por uma resistência fixa, pois seu princípio de funcionamento é diferente, mas em geral são muito mais sensíveis que os analógicos comuns.
Ver também:
• Multímetro (80)
• Galvanômetros (32)
• Voltímetros (118)













