Os novos padrões internacionais de segurança para multímetros digitais levam em conta a possibilidade de ocorrerem problemas de sobretensão na maioria dos sistemas os quais podem afetar a integridade do operador de tais instrumentos.

 

A presença de transientes de todas intensidades possíveis nas linhas de transmissão de energia levou à necessidade de se adotar medidas especiais de segurança nas especificações dos multímetros que vão ser usados na medida de tensões nessas linhas.

 

O fato desses transientes poderem levar a uma série de eventos que, segundo se verificou, pode colocar em risco a integridade física de um operador.

 

Assim, nada mais justo que os equipamentos de teste devam ter recursos de proteção para as pessoas que trabalham no ambiente de alta tensão e de alta corrente que representam os sistemas de distribuição de energia.

 

O primeiro padrão de segurança para tais instrumentos foi desenvolvido pela IEC (International Electrotechnical Comission) para instrumentos de medida, controle,e laboratório e uso geral em 1988, em substituição a um antigo padrão denominado IEC-348, contendo uma visão mais abrangente.

 

O Padrão recebeu o nome de IEC10101 o qual passou a servir de base para três novos padrões:

 

• ANSI/ISA-S82.01-94 – Estados Unidos

• CAN C22.2 No 1010.2-92 – Canadá

• EN61010-1:1993 – Europa

 

Para entender bem como funcionam esta padrão devemos começar comparando o IEC-1010-1 com o IEC 348

 

 

Diferenças entre o IEC-1010-1 e o IEC 348

 

 

O IEC 1010-1 especifica categorias de sobretensões baseada na distância em que se encontra a fonte de energia, conforme mostra a figura 1, e o amortecimento natural da energia de um transiente que ocorra no sistema.

 

Tanto mais alta for a categoria, mais perto da fonte de energia ele se encontra e por isso maior deverá ser o grau de proteção.

 


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Temos então quatro categorias que são definidas da seguinte forma:

 

• Categoria IV

Os multímetros desta categoria são denominados de nível primário de alimentação, sendo designados para os trabalhos no sistema de distribuição. Suas especificações devem estar além das exigidas pela norma IEC 1010-1.

Esses multímetros são projetados para trabalhar em instalações externas, subterrâneas, painéis de distribuição, etc.

 

• Categoria III

Denominados de nível de distribuição, estão especificados para trabalhar com a tensão das tomadas de energia ou circuitos domésticos.

Os multímetros da categoria III são diferentes dos usados no serviço de sistemas primários de distribuição, operando no máximo até onde existe transformador de isolamento.

Os multímetros desta categoria podem ser usados nos sistemas de iluminação e distribuição de grandes construções.

 

• Categoria II

São os multímetros indicados para aplicações locais, como tomadas que alimentam eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos de baixo e médio consumo e na análise de circuitos de equipamentos portáteis, etc.

 

• Categoria I

São os multímetros usados para trabalhar com sinais, por exemplo, em telecomunicações.

Dentro de cada categoria existem tensões-limite de trabalho que determinam o transiente máximo que o instrumento pode suportar.

A tabela abaixo dá o modo como os instrumentos são testados:

 

 

 

 
Cat II  
600 V  
Transiente de 4 000 V de pico  
Fonte de 12 ohms
 
Cat II  
1000 V  
Transiente de 6 000 V de pico  
Fonte de 12 ohms
 
Cat III  
600 V  
Transiente de 6 000 V de pico  
Fonte de 2 ohms
 
Cat III  
1000 V  
Transiente de 8 000 V de pico  
Fonte de 2 ohms
 
Cat IV  
600 V  
Transiente de 8 000 V de pico  
Fonte de 2 ohms
 
Cat IV  
1000 V  
Transiente de 12 000 V de piso  
Fonte de 2 ohms

 

Observe que, por essa tabela, um multímetro da categoria II, na escala de 600 V deve ser capaz de suportar transientes de 4 000 V de pico.

 

Dessa forma, o que determina basicamente a qual categoria deve pertencer o multímetro que um profissional vai utilizar é o grau de proximidade da central de distribuição e as intensidades de corrente e tensão envolvidas.

 

Assim, deve-se ter o máximo cuidado com a escolha do instrumento, pois eles possuem as proteções necessárias para que transientes que possam ocorrer nestes sistemas não venham causar acidentes com os operadores.

 

Um multímetro da categoria I, projetado para trabalhar com sinais ou um multímetro da categoria II, projetado para trabalhar na análise de redes domésticas e tomadas de alimentação de eletrodomésticos comuns nunca deve ser usado no trabalho de análise de equipamentos de uma indústria ou de uma instalação de fornecimento de energia de alta potência.

 

Ver também:

• Multímetro (80)

• Multímetro (sensibilidade) (642)

• Analógico (408)

• Digital (84)

 

 

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