Dando continuidade ao estudo do Osciloscópio, abordamos nesta segunda parte do Curso sobre o Osciloscópio – Parte 1 (INS646)

 

Osciloscópio Digital

Um osciloscópio digital tem etapas parecidas com as de um osciloscópio analógico, embora funcione de forma totalmente diferente (como mostra a figura 1).

 


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Em primeiro lugar, e à semelhança do osciloscópio analógico, tem-se uma etapa atenuadora e um pré-amplificador vertical que amplifica o nível de sinal ao valor adequado para as etapas seguintes.

Do pré-amplificador vertical, o sinal deriva em direção a dois circuitos: por um lado, aplica-se ao comparador que faz parte do circuito de disparo, mediante o qual selecionaremos o instante do sinal que dará lugar à varredura horizontal do spot na tela. Por outro, aplica-se a um conversor analógico / digital (A/D), no qual cada amplitude instantânea do sinal que se visualiza é convertida num código binário.

Para esta conversão é necessária uma amostra do sinal; isso quer dizer que se mede a amplitude do sinal em tempos iguais. Para levar a cabo esta amostra, sem erros de medida, é necessário que os pulsos de amostra tenham uma frequência extremamente estável. Consegue-se isso com um oscilador a cristal, que é disparado quando recebe o pulso do início de exploração do circuito de disparo.

Observe-se no diagrama de blocos que o oscilador a cristal aplica também os seus pulsos retangulares a um conversor digital/analógico (D/A). Este conversor é necessário, já que para a varredura horizontal do spot necessitamos de uma tensão em dente de serra, e o oscilador a cristal gera apenas pulsos retangulares. Com o conversor D/A obtemos uma tensão em dente de serra muito estável e linear, válida para aplicar às placas de deflexão horizontal do tubo de raios catódicos previamente amplificadas ao valor adequado pelo amplificador horizontal.

Prossigamos o percurso do sinal em direção às placas de deflexão vertical do tubo. Frisamos que o sinal analógico foi convertido em pulsos binários à saída do conversor A/D. Assim pois, a partir deste ponto, o sinal pode ser tratado como qualquer sinal digital e guardá-lo num circuito de memória. Do circuito de memória o sinal pode tomar dois caminhos: um para o conversor D/A onde se converte de novo numa onda analógica de forma igual à original.

O outro caminho para o sinal digital é em direção a um microprocessador (.tP). O [IP permite efetuar medidas automáticas dos parâmetros do sinal, tais como intervalos de tempo, tempos de subida e de descida, amplitude, frequência e visualizar estes dados na própria tela mediante caracteres alfanuméricos (osciloscópios Read - Out) ou enviá-los para uma impressora.

 

 

Amostragem do sinal nos osciloscópios digitais

 

O conversor analógico - digital é a etapa chave do funcionamento dos osciloscópios digitais e tem por função transformar o sinal analógico numa série de pulsos elétricos.

Para que a amostra do sinal seja correta e se apresente na tela um sinal que corresponde ao real, a amostra deve realizar-se, pelo menos, a uma frequência dupla da maior harmônica do sinal (figura 2).

 


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a) Onda senoidal que se pretende amostrar (figura 2a);

b) Pontos de amostragem. Na amostra da onda (figura 2b) observa-se que, desde que se inicia o ciclo até que volte a passar pelo mesmo ponto, efetuaram-se quatro amostras, e com elas obteremos um total de quatro valores ou amplitudes para codificar;

c) Pulsos obtidos como consequência dessa amostragem. Estes pulsos de diferentes amplitudes, serão os que se codificam de imediato em binário (figura 2c).

Se levarmos a cabo uma amostragem a uma frequência maior, por exemplo triplicando a frequência do oscilador de cristal, obteremos uma série de valores cujo conjunto se aproxima mais da forma de onda original.

Disto se deduz que, quanto maior for a frequência da amostragem, melhor será a informação que obtemos e mais próximo estaremos da forma de onda do sinal, pelo que poderemos reproduzi-la com a máxima fidelidade (figura 2d).

Como a frequência da amostragem está limitada tecnologicamente, para aumentar o número de amostras por período deve reduzir-se o limite da largura de banda do aparelho, com o fim de, pelo menos, poderem efetuar-se duas amostras por período.

O problema complica-se perante a presença de harmônicas do sinal de entrada. Um caso típico é o de uma onda retangular ou quadrada.

Toda a onda retangular é formada por uma onda senoidal de igual frequência e um número praticamente infinito de harmônicas desta onda fundamental, tal como se mostra graficamente na figura 3.

 


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A velocidade de representação nos osciloscópios digitais é lenta, já que é a soma de vários tempos: de quantificação, de voltar à memória, de processamento do sinal e de conversão do digital a analógico.

 

 

Medida de Frequências

 

Para medir a frequência de um sinal com o osciloscópio pode-se proceder das seguintes maneiras:

• Com a base de tempo calibrada;

• Por meio das figuras de Lissajous.

 

 

Com a base de tempo calibrada

 

Este método é o mais simples. Consiste simplesmente em aplicar o sinal a uma entrada vertical e ajustar a varredura até se obter na tela um ou mais ciclos do sinal

Obs.: O número de ciclos que aparece na tela é o que corresponde ao número de vezes que a frequência do sinal é superior à frequência de varredura. Se ambas as frequências são iguais, obtém-se um só ciclo. Se não se consegue obter um só ciclo na tela é porque a frequência de varredura não alcança o alto valor da frequência do sinal.

Contando o número de divisões de um ciclo do sinal e multiplicando-o pela velocidade de varredura da base de tempo (s/div., ms/ div., s/ div.) obtemos o Período (T), fazendo o seu inverso obtemos a frequência do sinal (f =1/T).

 

 

Por meio das figuras de Lissajous

 

Pressionar o botão XY (que desliga a base de tempo) e aplicar o sinal de frequência desconhecida às placas de deflexão vertical do osciloscópio. A seguir, aplica-se o sinal de um gerador de sinais às placas de deflexão horizontal do osciloscópio.

Efetuadas estas operações, faz-se variar a frequência do gerador de sinais até se obter uma circunferência ou uma elipse na tela.

Quando isso se consegue indica-nos que a frequência desconhecida do sinal é a mesma que a do gerador de sinais, se os dois sinais aplicados são senoidais.

Se, com a gama de frequências do gerador de sinais não se conseguir a citada circunferência ou elipse é porque a frequência desconhecida é distinta das proporcionadas pelo gerador de sinais (figura 5).

 


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Observando a imagem na tela, é possível deduzir a relação de frequências entre os dois sinais aplicados.

Na figura 6 mostram-se exemplos.

 


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Para obter o valor da frequência desconhecida, basta contar o número de vezes que o traço cruza o eixo de simetria horizontal da tela, e dividi-lo pelo número de vezes que cruza o eixo de simetria vertical dela. O quociente é multiplicado pela frequência conhecida proporcionada pelo gerador de sinais, obtendo-se o valor da frequência desconhecida.

fx = fg nh/nv

 

onde:

fx é a frequência desconhecida;

fg é a frequência proporcionada pelo gerador de sinais;

nh é o número de vezes que o traço cruza o eixo de simetria horizontal da tela;

nv é o número de vezes que o traço cruza o eixo de simetria vertical da tela.

 


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Por meio das figuras de Lissajous

 

Tendo em conta que os sinais aplicados ao osciloscópio são da mesma frequência, na tela aparecerão círculos ou elipses com diferentes graus de excentricidade. A excentricidade da elipse na tela determina a defasagem entre os dois sinais analisados.

 


 

 

Na figura 8, mostram-se algumas imagens, nas quais se indicam os seus defasamentos. O osciloscópio no modo XY, permite-nos determinar rapidamente o desfasamento existente entre dois sinais.

 


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Aplicação simultânea de duas tensões alternadas senoidais da mesma frequência e em fase

 

A imagem que surge na tela é um traço oblíquo da direita para a esquerda e cuja inclinação depende da relação entre as amplitudes das tensões.

 


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Aplicação simultânea de duas tensões alternadas senoidais da mesma frequência defasadas de 1/4 de ciclo

 

A imagem resultante é uma circunferência se as tensões forem da mesma amplitude. Sendo de amplitudes diferentes, a figura é uma elipse de eixo maior vertical ou horizontal conforme a tensão de maior amplitude for aplicada às placas verticais ou horizontais (figura 10).

 


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Aplicação simultânea de duas tensões alternadas senoidais da mesma frequência defasadas de 1/2 ciclo

 

Neste caso a figura que surge na tela é um traço oblíquo da esquerda para a direita, com uma inclinação de 45° se as tensões forem da mesma amplitude. Se forem de amplitudes diferentes, a inclinação poderá tomar valores entre 0° e 90° (figura 11).

 


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