Este circuito de 1980 fez parte de uma série de artigos que escrevemos sobre radio controle, indo desde projetos simples e aplicações até circuitos de teste. Os testes indicados se aplicam a circuitos simples do tipo modulado em tom e semelhantes.

Os circuitos de rádio controle que publicamos nesta seção, em sua maioria, são bastante simples para serem realizados mesmo pelos que pouca ou nenhuma experiência tenha no assunto.

Assim, não são raros os leitores que apenas dispondo de ínfimos recursos, praticamente só as ferramentas básicas para a montagem, se veem diante de sérios problemas de ajustes ou comprovação de funcionamento dos aparelhos.

De fato, os projetos simples podem ser facilmente ajustados após a montagem, pois os circuitos detectores super-regenerativos que são usados nestes casos têm apenas um ponto para isso (figura 1 ), o mesmo ocorrendo em relação aos transmissores.

 

Figura 1 – Transmissores e receptores simples
Figura 1 – Transmissores e receptores simples | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Entretanto, se algo sai errado, se há um componente fora de especificações ou mesmo inoperante; se a frequência do transmissor não coincide com a do receptor, como fazer sem a ajuda de instrumental apropriado?

Partindo então da hipótese que o leitor não tenha instrumentos próprios e que no máximo disponha de um multímetro, damos a seguir algumas sugestões sobre procedimentos para se fazer a comprovação de circuitos de rádio controle, tanto emissores como receptores.

 

 

PROVA DE OSCILAÇÃO

Como saber se um transmissor está operando? Este é sem dúvida o primeiro ponto importante a ser analisado, pois se for comprovado que o transmissor se encontra em operação ele pode servir como um excelente gerador de sinais para o ajuste do receptor.

Na figura 2 temos um circuito típico de transmissor de rádio controle sem a parte de modulação que pode funcionar em frequências como 27, 36 ou 72 MHz.

 

Figura 2 – Circuito típico de transmissor
Figura 2 – Circuito típico de transmissor | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A verificação do funcionamento deste oscilador pode ser feita com a ajuda de um rádio de FM ou mesmo de um televisor.

De fato, um transmissor deste tipo em operação emite não só sinais na frequência própria (fundamental) como também nas frequências múltiplas, denominadas "harmônicas". Isso quer dizer que sintonizado para operar em 27MHz, o sinal de um transmissor pode ser captado com menor intensidade nos 54 MHz e menor intensidade ainda nos 81 MHz, 108 MHz, etc.

Ora, se tivermos um transmissor de rádio controle para a faixa dos 27 MHz podemos testá-lo aproximando-o de um televisor sintonizado no canal 2 (54 MHz) quando então o seu sinal será captado produzindo uma série de linhas na imagem (se este for modulado) ou então um padrão facilmente reconhecível. (figura 3)

 

Figura 3 – Interferência em TV analógica
Figura 3 – Interferência em TV analógica | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Do mesmo modo, poderemos captar este sinal num rádio de FM que esteja sintonizado em 108 MHz.

Para o caso de um receptor de 36 MHz, teremos harmônicas em 72 MHz que corresponde ao canal 4.

E quais são os problemas que impedem que um transistor oscile numa etapa como a indicada?

O primeiro problema que ocorre normalmente é a utilização de um capacitor impróprio entre o coletor e o emissor do transistor. O valor deste capacitor normalmente situa-se entre 10 e 100 pF devendo o mesmo ser de disco de cerâmica. Outros tipos podem apresentar problemas.

A frequência de operação do transmissor, por outro lado, pode deslocar-se para longe do esperado em função da bobina.

Neste caso, o aumento do número de espiras ou o aperto das espiras provoca uma diminuição da frequência, enquanto que a diminuição do número de espiras ou separação provoca um aumento de frequência.

A movimentação do núcleo também é responsável por alterações nesta frequência (figura 4).

 

Figura 4 – Apertando uma bobina diminuímos a frequência
Figura 4 – Apertando uma bobina diminuímos a frequência | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os receptores super-regenerativos são normalmente formados por duas etapas: uma de alta frequência que é o detector super-regenerativo propriamente dito, e uma de baixa frequência que é o amplificador de áudio.

A comprovação de funcionamento destas duas etapas pode ser feita separadamente com facilidade.

Uma característica importante do detector super-regenerativo, como o mostrado na figura 5, é a de oscilar na frequência que está sendo recebida.

 

Figura 5 – O detector super-regenerativo
Figura 5 – O detector super-regenerativo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Assim, num receptor para 27 MHz, o transistor neste circuito forma com os demais componentes um oscilador que opera nesta frequência emitindo então um sinal de baixa intensidade.

Do mesmo modo que no caso do transmissor, podemos então fazer a verificação do seu funcionamento pela simples aproximação de um televisor ligado no canal 2 ou 4 (conforme a frequência) ou de um rádio de FM.

O sinal emitido causará o aparecimento de interferência no televisor ou então de sinais audíveis no rádio de FM.

Neste circuito temos alguns componentes importantes que determinam o funcionamento correto do mesmo. Um deles é o capacitor de realimentação, entre o coletor e o emissor do transistor, que deve ser de disco de cerâmica ou plate.

Um valor incorreto para este capacitor pode evitar as oscilações ou mesmo desviar bastante a frequência de operação.

O choque de RF faz a separação do sinal gerado pela etapa de alta frequência usado na regeneração do sinal de áudio que é levado para as etapas seguintes.

Estes choques normalmente não são críticos sendo enrolados em resistores comuns de alto valor (100 K, por exemplo) e ligados em paralelo com os mesmos (figura 6).

 

Figura 6 – O choque de RF
Figura 6 – O choque de RF | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os sinais de altas frequências são bloqueados pelo choque e pelo resistor, passando pelo choque de RF.

O ponto de maior sensibilidade desta etapa é determinado pela correta polarização da base do transistor, ou seja, pelos resistores R1 e R2. É comum utilizar-se em lugar de um deles um trimpot de ajuste.

A parte de áudio dos receptores pode ser verificada com a ajuda de um fone de cristal ou mesmo de um pequeno amplificador (seguidor de sinais). Ao se acionar o transmissor nas proximidades do receptor deve-se conseguir ouvir seu sinal no fone que esteja ligado nos diversos pontos do circuito mostrado na figura 7.

 

Figura 7 – Usando um fone para os ajustes
Figura 7 – Usando um fone para os ajustes | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Estes pontos correspondem ao percurso do sinal, devendo, à medida que nos aproximamos do relê, encontrá-lo cada vez mais forte.

Um ponto importante que deve ser considerado em muitos casos, é o não funcionamento do receptor pela incapacidade de acionamento do relê.

A escolha de um relê para um circuito de rádio controle é muito importante, ocorrendo muitos casos em que o projeto é perdido por causa disso.

Quando um relê é especificado para operar com uma tensão de 9 V, podemos dizer que está, a sua tensão, nominal, ou seja, a tensão que é aplicada em seus terminais permite sua operação normal.

Entretanto, isso não significa que um relê de 9 V deve ser sempre usado num circuito alimentado por 9 V.

Se considerarmos o circuito de acionamento da figura 8, com a excitação total do transistor, poderemos ter neste componente uma queda de tensão de 2 V ou mais de modo que sobre para o relé apenas 7 V. Seu acionamento, neste caso, é problemático.

 

Figura 8 – Acionamento de relé
Figura 8 – Acionamento de relé | Clique na imagem para ampliar |

 

 

É por este motivo que, se num circuito a alimentação for de 9 V não deveremos usar um relê que feche seus contatos a partir de 9 V mas sim com menos.

Mesmo assim, fica a possibilidade do transistor acionar ou não este relê com o sinal que seja aplicado à sua base.

Se curtocircuitarmos momentaneamente a base deste transistor com o seu coletor, deve circular por este componente uma corrente capaz de acionar o relê.

Se isso não acontecer, ele não serve para o caso.

 

 

O MULTÍMETRO

 

Os leitores que se interessam pelo rádio controle e por outras montagens eletrônicas não devem deixar de se esforçar para ter um multímetro mesmo que de baixo custo.

Com este instrumento praticamente todos os tipos de testes podem ser feitos com facilidade em circuitos e componentes e a detecção de falhas torna-se infinitamente mais simples.

É claro que é preciso antes de tudo saber usar o multímetro.

Com a utilização de uma pequena bobina captadora, por exemplo, conforme mostra a figura 9, o multímetro, pode com a ajuda de um diodo ou ligado na escala mais, baixa de tensões alternadas acusar a presença de sinais de um transmissor ou de uma etapa detectora super-regenerativa.

 

Figura 9 – Usando uma bobina captadora
Figura 9 – Usando uma bobina captadora | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na aproximação da bobina do circuito em prova, a agulha do instrumento deve deflexionar para a direita acusando a oscilação.

Com o multímetro nas escalas de tensão pode-se verificar a recepção de sinais de um aparelho de controle remoto, ligando-o entre os transistores, conforme sugere a figura 10.

 

Figura 10 – Verificando um circuito receptor
Figura 10 – Verificando um circuito receptor | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A deflexão da agulha neste circuito e o não acionamento do relê indicam que o problema é no relê e não no circuito receptor.

Veja no multímetro a tensão indicada para ter uma ideia do relê que deve ser usado.

Obs. Recomendamos como literatura de apoio nossos livros: “Como Testar Componentes”- vol 1 a 4 e “Os Segredos no uso do Multímetro”.

 

 

 

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