Você tem dificuldade em copiar as estações fracas no meio de tanto QRM e do próprio ruído ambiente, em sua casa ou no trânsito intenso? Na sua localidade existem fábricas ou instalações que produzem ruídos que prejudicam sua recepção? Se isso impede que você faça bons DX, por que não experimentar este filtro de áudio com alto-falante externo que o ajudará a entender, no meio do QRM, as mensagens das estações mais fracas.

 

Obs. Este artigo de 1980 foi dedicado aos radioamadores e radioescutas da época daí o uso de alguns jargões.

 

Para receber com clareza os sinais de uma estação fraca não é preciso somente uma boa antena e um receptor de grande sensibilidade. Muitas vezes a existência de fontes de ruídos próximas, ou mesmo as condições atmosféricas, podem prejudicar bastante a recepção de sinais fracos.

Até mesmo o ruído ambiente como, por exemplo, um motor ligado, alguém falando ou o ruído do trânsito se você opera móvel, pode influir bastante no entendimento de uma mensagem (figura 1).

 

Figura 1 – Ruídos que interferem
Figura 1 – Ruídos que interferem | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Para copiar melhor as estações fracas, eliminando o QRM e também evitando que o ruído ambiente prejudique seus contatos, um alto-falante externo com filtro de recepção apresenta inúmeras possibilidades.

Pode eliminar os pulsos agudos de áudio que aparecem na forma de estalidos e que prejudicam a escuta das estações mais fracas.

Estreita a faixa de áudio reproduzida no alto-falante influindo na seletividade do receptor aumentando-a, e também permitindo maior inelegibilidade em função de fontes de ruído ambiente externas.

Reforça as frequências correspondentes à palavra falada eliminando com isso os ruídos que aparecem junto ao sinal emitido.

Muito simples de montar e também de instalar, o nosso filtro se adapta a qualquer tipo de equipamento, tanto fixo como móvel, e não usa fonte de alimentação externa.

Trata-se de um filtro passivo de ação ajustável que lhe permite obter para cada caso de recepção de sinal a eliminação, dentro do nível desejado, dos ruídos que prejudicam o entendimento de uma mensagem.

Se você quer fazer QSO's realmente interessantes, contatando aquelas estações mais fracas que mal chegam ao seu receptor, por que não experimentar este alto-falante externo com filtro de recepção?

 

 

COMO FUNCIONA

 

O nosso alto-falante externo possui um filtro que funciona de modo similar aos divisores de frequência usados nos equipamentos de som, os quais separam as diversas frequências para os alto-falantes apropriados, de graves, médios e agudos.

Num amplificador de áudio são usados três circuitos que são capazes de separar sinais de diferentes frequências, conforme os alto-falantes usados (figura 2).

 

Figura 2 – Os filtros separadores
Figura 2 – Os filtros separadores | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O alto-falante de graves recebe somente os sinais de baixas frequências, o de médios, as médias frequências, e o tweeter, os de altas frequências. O que temos então é somente uma separação de sinais porque, para audição de música, não nos interessa perder qualquer frequência de sinal.

No nosso filtro usamos o mesmo princípio de separação, mas isso apenas com a finalidade de retirar da mensagem as frequências que a prejudicam no entendimento, e eliminá-las para melhorar a recepção (figura 3).

 

Figura 3 – O filtro apresentado
Figura 3 – O filtro apresentado | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Verifica-se que, para entender bem uma mensagem, ou seja, torná-la inelegível, é preciso estreitar a faixa de sua reprodução, ou seja, mantendo a maior parte dos sinais em frequências médias, cortando os graves e os agudos.

Na verdade, é nas frequências mais altas, correspondentes aos agudos que se concentra a maior parte dos ruídos que afeta o entendimento de uma mensagem.

Temos então no filtro de graves um capacitor que, conforme sabemos, apresenta a propriedade de dificultar a passagem dos sinais de baixas frequências, e no filtro de agudos um indutor que, do mesmo modo, apresenta a propriedade de dificultar a passagem dos sinais de altas frequências (figura 4).

 

Figura 4 – Propriedades dois capacitores e indutores
Figura 4 – Propriedades dois capacitores e indutores | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Em paralelo com o capacitor e o indutor são ligados dois potenciômetros que permitem dosar o seu efeito no circuito, ou seja, controlar exatamente quanto de graves e de agudos estes componentes podem bloquear.

Importante neste circuito é a determinação exata dos valores dos componentes usados, ou seja, indutor, capacitor e potenciômetro, para que os efeitos desejados sejam conseguidos sem prejuízo no rendimento do receptor, ou seja, sem perda de potência.

Como o aparelho trabalha diretamente com o sinal de áudio que vai ao alto-falante, não é preciso usar nenhuma fonte de alimentação o que facilita sua instalação e sua montagem. Assim, não é preciso que o leitor realmente entenda de eletrônica para executar sua montagem e instalação.

 

 

COMPONENTES

 

Com exceção da bobina, que deve ser construída pelo montador, todos os demais componentes para este filtro podem ser conseguidos com facilidade em casas de materiais eletrônicos.

A bobina, que deve ser feita com cuidado pelo montador, constitui-se em aproximadamente 400 voltas de fio esmaltado 28 AWG num carretel de 1 cm de diâmetro interno no qual é colocado um bastão de ferrite de aproximadamente 4 cm de comprimento. Na figura 5 o leitor terá pormenores para a construção desta bobina.

 

Figura 5 – A bobina
Figura 5 – A bobina | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na verdade, o número de voltas e a espessura do fio não são críticos podendo o leitor fazer suas próprias experiências no sentido de obter características de funcionamento de acordo com a acústica ambiente, o nível de ruído local e sua sensibilidade para o entendimento de mensagens fracas.

Até mesmo o enrolamento primário de um driver de 1 ou 2 W ou um indutor de filtro usado em fontes de alimentação pode ser usado como bobina em lugar da recomendada, desde que a resistência ôhmica do enrolamento não seja superior a 10 ohms.

Os demais componentes não têm nada de especial que possa dificultar o montador menos experiente.

Começamos pelo capacitor de 4,7 uF que deve ser do tipo eletrolítico despolarizado, como os usados em série com os tweeters de equipamentos de som.

Na falta deste componente, o leitor pode usar em seu lugar dois capacitores eletrolíticos comuns de 10 uF x 25 V ligados em oposição, conforme mostra a figura 6.

 

Figura 6 – Eletrolíticos em oposição
Figura 6 – Eletrolíticos em oposição | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os potenciômetros de 47 ou 50 ohms. devem ser de fio com pelo menos 5 watts de dissipação (este valor é normalmente o menor encontrado para este tipo de potenciômetro).

Os potenciômetros comuns de carvão ou carbono não devem ser usados neste caso, pois, no volume máximo, pode ser desenvolvida uma quantidade de calor que eles não seriam capazes de dissipar, queimando-se, portanto.

Para estes componentes, o leitor pode também fazer algumas experiências com outros valores como, por exemplo, 22 ohms ou 100 ohms, alterando assim a faixa de atuação do filtro.

O restante consiste em material eletrônico que o leitor pode conseguir segundo sua vontade. Para a versão doméstica o conjunto é todo instalado numa pequena caixa acústica de madeira tendo os controles na parte frontal.

A caixa deve estar apta para receber um alto-falante pesado de 8 ohms de 10 à 15 cm de diâmetro (4 à 6 polegadas).

Para a versão móvel, a ser instalada no carro, o alto-falante será embutido segundo o modelo de veículo de cada um e o circuito de controle do filtro será instalado numa pequena caixa a qual será fixada sob o receptor PX (figura 7).

 

Figura 7 – as caixas
Figura 7 – as caixas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Poucos são os componentes usados e poucas as conexões a serem feitas.

Tudo isso facilita bastante a escolha da técnica de montagem. Não será preciso, portanto, usar um chassi, sendo os componentes fixados na caixa e soldados diretamente entre si, nas duas versões. (A própria figura 7 já dá uma ideia das caixas que podem ser usadas).

Para as soldagens sugerimos que os montadores usem um ferro pequeno (máximo 30 W)e solda de boa qualidade, além das ferramentas convencionais.

Temos então na figura 8 o circuito completo do filtro.

 

 

Figura 8 – Circuito do filtro
Figura 8 – Circuito do filtro | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 9 mostramos a disposição real dos componentes.

 

Figura 9 – Disposição dos componentes
Figura 9 – Disposição dos componentes | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Damos a seguir nossa sugestão para a sequência de operações que permitem uma montagem perfeita:

a) Prepare a caixa acústica ou o painel para colar sob o transceptor fazendo a furação para os potenciômetros e dos terminais de entrada de sinal. Na versão para colocar no carro deve também existir saída para o alto-falante. A fixação da caixa nesta última versão também deve ser prevista.

b) Coloque os potenciômetros em posição de montagem tendo o cuidado de cortar seus eixos antes, se estes forem longos.

c) Enrole a bobina segundo instruções já dadas e mostradas na figura 5, tendo o cuidado em raspar as pontas do fio esmaltado nos pontos de soldagem. Solde a bobina do modo indicado na figura 9 e fixe-a da maneira que achar melhor: use uma braçadeira ou então cole-a diretamente na caixa.

d) Solde os capacitores ou o capacitor (conforme o caso) tendo o cuidado em cortar seus terminais no comprimento adequado. Faça a soldagem rapidamente para que o calor não cause nenhum dano.

e) Faça as interligações entre os diversos componentes, o alto-falante e os terminais de entrada usando para isto fio flexível de capa plástica.

Confira tudo antes de passar à etapa seguinte.

 

 

INSTALAÇÃO E USO

 

A instalação do filtro é extremamente simples: basta ligar os terminais de sua entrada na saída do alto-falante do transceptor, na versão doméstica em que já existe o alto-falante na caixa. Na versão para o carro, basta interromper a ligação dos fios que vão ao alto-falante do receptor e intercalar o filtro, conforme mostra a figura 10.

 

Figura 10 – Instalação
Figura 10 – Instalação | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

Lista de Material

 

P1, P2 - 47 ohms ou 50 ohms – potenciômetros de fio

L1 - Bobina com núcleo de ferrite (ver texto)

C1- 4,7 uF (ou 2 x 10¡4F em oposição) x 25 V- capacitor eletrolítico.

Diversos: caixa para montagem, terminais de entrada e saída, botões para os potenciômetros, fios, solda, parafusos, porcas, braçadeira para fixação da bobina, etc.

 

 

 

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