Com este radinho você poderá captar com bom volume, as estações de ondas médias de sua localidade, e com o auxilio de uma antena externa, até mesmo algumas estações mais distantes. Sua sensibilidade e seletividade são bastante boas considerando-se a simplicidade do circuito. Temos aqui uma excelente sugestão de montagem para os principiantes já que nenhum ajuste precisará ser feito, eliminando-se assim a necessidade de equipamentos especiais.

Os radinhos são sempre montagens interessantes, principalmente para os estudantes e principiantes. Quanto mais simples mais atrativos se tornam principalmente para os principiantes se bem que não se possa aliará simplicidade as características mais desejadas num aparelho receptor: sensibilidade e seletividade.

Assim podemos dizer que não é fácil fornecer ao principiante um projeto que ao mesmo tempo seja simples usando poucos componentes e que forneça um desempenho à altura, captando com facilidade as estações locais e proporcionando escuta em alto-falante.

O radinho de ondas médias que descrevemos neste artigo está no limite da simplicidade em que ainda pode-se obter um desempenho satisfatório. Conforme o leitor verá, mesmo usando apenas três transistores este radinho tem seletividade suficiente para separar as estações próximas e ainda oferecer escuta em alto-falante, mesmo com pequena antena externa.

Sua montagem é muito simples conforme o leitor poderá constatar e sendo alimentado por uma tensão de 3 à 6 V tem a vantagem de usar pilhas comuns em lugar de bateria.

Se o projeto lhe agrada, leia o artigo em sua totalidade. Você sem dúvida encontrará outros motivos para a sua montagem.

 

O CIRCUITO

Na figura 1 temos um diagrama de blocos deste receptor por onde analisaremos seu funcionamento.

 

Figura 1 – Diagrama de blocos
Figura 1 – Diagrama de blocos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

No primeiro bloco temos o circuito de sintonia que é responsável pela separação dos sinais das diferentes estações.

Este circuito é formado por uma bobina e um capacitor ligados em paralelo, ressoando, portanto, numa única frequência.

Este circuito tem a propriedade de curtocircuitar para a terra os sinais de todas as estações menos o correspondente a estação que se deseja ouvir (figura 2).

 

Figura 2 – O circuito de sintonia
Figura 2 – O circuito de sintonia

 

 

O capacitor é justamente do tipo variável por onde podemos alterar o comportamento do circuito no sentido de poder haver escolha da estação sintonizada.

O sinal deste circuito correspondente a estação que queremos ouvir consiste numa alta frequência (RF) modulada em amplitude. Este sinal não pode ser aplicado a um fone ou amplificador pois nada seria ouvido.

Para termos som temos de separar o sinal de baixa frequência correspondente aos sons transmitidos do sinal de alta frequência que o transporta.

Para esta finalidade temos de detectar o sinal o que corresponde à segunda etapa do circuito (figura 3).

 

Figura 3 – O detector
Figura 3 – O detector | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A detecção do sinal num rádio de AM nada mais é do que a retificação deste sinal separando-se a parte do RF de sua envolvente que justamente corresponde aos sons.

Esta função pode ser exercida tanto por um diodo detector como pela própria junção entre o emissor e a base de um transistor que se comporta como tal.

No nosso projeto usamos a junção emissor-base de um transistor na função de detector e ao mesmo tempo, o transistor serve para amplificar este sinal um certo número de vezes (figura 4).

 

Figura 4- O transistor como detector
Figura 4- O transistor como detector | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O sinal amplificado que retiramos deste transistor não tem ainda intensidade suficiente para alimentar um alto-falante mesmo já sendo de baixa frequência (áudio).

Para que possamos ter um bom volume no alto-falante precisamos de maior amplificação para o sinal o que pode ser conseguido com a utilização de dois transistores adicionais.

O sinal retirado do coletor do primeiro transistor é então aplicado à base do segundo onde recebe uma amplificação adicional. O sinal deste segundo transistor é então retirado de seu emissor e aplicado à base do terceiro transistor onde recebe a amplificação final.

Veja que para que o sinal possa ser aplicado diretamente de um para outro transistor sem a necessidade de componentes de acoplamento, usamos transistores complementares, ou seja, alternamos tipos NPN e PNP.

Os transistores PNP são os que possuem a seta do emissor apontando para dentro e os NPN para fora (figura 5).

 

Figura 5 – Transistores NPN e PNP
Figura 5 – Transistores NPN e PNP | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Uma das características deste circuito em que o acoplamento pode ser feito diretamente é o seu alto ganho de amplificação, ou seja, o número de vezes que o sinal pode ser aumentado. Temos aqui uma amplificação que é aproximadamente igual ao produto da amplificação que cada transistor pode fornecer.

Como os BC548 e BC558 têm uma amplificação média em torno de 200 temos uma amplificação da ordem de 8000 000 de vezes para o sinal o que é essencial para haver excitação do alto-falante.

Por outro lado, o tipo de saída que se obtém é tal que não precisamos usar transformador de saída. A baixa impedância do último transistor nos permite ligar diretamente um alto falante de 8 ohms.

Veja no entanto que aqui é perdida uma pequena parte da energia amplificada.

O radinho pode ser alimentado por tensões entre 3 e 6 V, o que significa a utilização de 2 ou 4 pilhas comuns. Não é recomendável a utilização de tensões maiores que 6 V pois o consumo de corrente pode se elevar principalmente em Q3 que então poderá se aquecer excessivamente.

Se o leitor desejar "incrementar" seu radinho pode usar para Q3 um transistor BD135 ou 2N3055 e aumentar a tensão da fonte para 9 V.

 

 

OBTENÇÃO DOS COMPONENTES

As maiores dificuldades com os principiantes em qualquer montagem é a obtenção correta dos componentes principalmente se na sua localidade não existir uma boa loja de materiais eletrônicos.

Normalmente na falta de determinados componentes os balconistas são levados a oferecer equivalentes que nem sempre são equivalentes.

Veja o leitor que o conceito de equivalência para componentes eletrônicos é muito relativo. Um componente que pode substituir outro numa determinada montagem pode não servir para substituir o mesmo componente em outra montagem.

Para evitar este problema damos a seguir uma orientação quanto a obtenção do material para esta montagem e seus equivalentes permitidos

Começamos pela bobina L1.

Para esta bobina o leitor tem duas alternativas : pode usar uma bobina comercial para a faixa de ondas médias cujo aspecto é mostrado na figura 6, com núcleo chato ou cilíndrico, ou então enrolar esta bobina num bastão de ferrite, segundo as características mostradas na figura 7.

 

Figura 6 – Bobinas comerciais
Figura 6 – Bobinas comerciais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Figura 7 – Enrolando a bobina
Figura 7 – Enrolando a bobina | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Veja que no caso da bobina comercial não existe alternativa quanto à posição da derivação (tomada 2), o que quer dizer que não é possível mexer na sensibilidade e seletividade do receptor neste caso.

Na construção de uma bobina, no entanto, o leitor pode deslocar a posição da tomada 2 no sentido de aumentar a sensibilidade ou de aumentar a seletividade.

Assim, fazendo a tomada mais próxima do terminal 3 reduzimos a sensibilidade mas em compensação aumentamos a seletividade ou seja,. a capacidade do receptor em separar estações de frequências próximas.

Por outro lado, levando a tomada 2 para mais perto da 1, reduzimos a seletividade mas aumentamos a sensibilidade. Esta possibilidade deve ser explorada se na sua localidade existir apenas uma estação de rádio ou então se as estações existentes estiverem bem separadas em frequência.

O fio usado para o enrolamento da bobina pode ser esmaltado 28 ou 30 AWG devendo-se raspar os pontos de ligação. Pode ser usado inclusive fio de capa plástica fino.

A bobina cujos terminais são 4 e 5 consiste em umas 5 ou 10 voltas de fio que são enroladas sobre a bobina principal.

Podemos falar agora dos transistores:

Os transistores recomendados para esta montagem são bastante comuns e existem muitos equivalentes que podem ser usados:

Os equivalentes que tem mesmo formato e que portanto são ligados da mesma maneira que os originais são:

Para Q1 e Q3: BC237, BC238, BC547. Para Q2: BC557, BC307, BC308.

O capacitor variável pode ser de qual- quer tipo, de qualquer valor entre 165 e 410 pF. (Se o variável for muito pequeno pode haver a necessidade de se alterar o número de voltas da bobina para se obter a cobertura total da faixa).

Você pode por exemplo aproveitar o variável de um rádio velho mesmo sendo de duas ou três seções. Neste caso você fará a ligação de modo a ter apenas uma seção em funcionamento.

Se comprar o variável e este for do tipo grande, dê preferência a um modelo de eixo .fino para poder colocar o botão (Knob).

O radinho usa dois potenciômetros: um para o controle de sensibilidade e outro para o controle de volume. Qualquer tipo de potenciômetro poderá ser usado: linear ou log desde que apresentando os valores indicados. Na verdade, existe uma pequena tolerância quanto aos valores:

Assim, para R2 você poderá usar um potenciômetro de 470 ohms ou mesmo 2,2 k se tiver dificuldades em obter um de 1 k, e para R3 poderá usar um potenciômetro de 50 ohms (carvão) ou mesmo 220 ohms se tiver dificuldades em obter um de 100 ohms.

Se quiser um dos potenciômetros poderá ser conjugado ao interruptor que servirá para ligar e desligar o radinho.

O único resistor para esta montagem não oferece dificuldades: trata-se de um resistor de 10 M para qualquer potência. (a potência determina o tamanho físico do componente - figura 8)

 

Figura 8 – O tamanho dos resistores
Figura 8 – O tamanho dos resistores | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Se tiver dificuldades em encontrar um resistor de 10 M você poderá usar dois resistores de 4,7M que serão ligados em série, conforme mostra a figura 9.

 

Figura 9 – Ligando resistores em série
Figura 9 – Ligando resistores em série | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Os capacitores C2 e C3 são de poliéster metalizado ou então de cerâmica . Para o caso de poliéster metalizado seu valor é dado em nF (nano Farads) sendo então 100 nF e 10 nF. Para o caso de cerâmica seus valores serão expressos em “F, sendo então a marcação feita como 0,1 uF e 0,01 uF.

C4 é um capacitor eletrolítico cujo valor pode estar entre 100 e 250 uF. Você pode adquirir qualquer capacitor para uma tensão de trabalho igual ou maior a 6 V.

Para as pilhas você deve usar um supor- te. Existem no mercado suportes para 2 ou 4 pilhas pequenas.

O alto-falante pode ser de qualquer tipo desde que de 8 ohms.

 

 

Montagem

Como se trata de montagem simples dirigida ao iniciante, nossa sugestão é no sentido de que sua realização seja em ponte de terminais. A ponte de terminais com os principais componentes poderá ser posteriormente fixada numa base de madeira ou outro material isolante ou ainda no interior de uma caixa.

Para a soldagem dos componentes o montador deverá usar um ferro de pequena potência (máximo 30 W) e solda de boa qualidade. Como ferramentas adicionais precisará de um alicate de corte lateral, um alicate de ponta fina e chaves de fenda.

Na figura 10 temos então o circuito completo do radinho por onde o leitor deve procurar fazer a identificação dos componentes no sentido de familiarizar-se com a simbologia usada em eletrônica.

 

Figura 10 – Circuito completo
Figura 10 – Circuito completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na figura 11 é mostrada a montagem completa na ponte de terminais a qual é fixada na base de material isolante (madeira ou plástico).

 

Figura 11 – Montagem em ponte de terminais
Figura 11 – Montagem em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Obs.: no artigo original de 1979 faltou nesta figura 1 ligação de C4. Este componente pode ser soldado entre o co0letor de Q2 ou Q3 (lado positivo) e o emissor de Q1 na mesma figura.

 

Para fazer a montagem comece soldando todos os componentes na ponte de terminais Você deverá. nesta parte do trabalho observar os seguintes cuidados:

a) Observe as posições dos transistores que são dadas pelas suas partes chatas. Cuidado para não trocá-los.

b) Observe os valores dos capacitores para não trocá-los.

c) Observe a polaridade de C4.

d) Solde com cuidado R1.

 

Com todos os componentes soldados na ponte antes de fixá-la você deverá:

a) fixar a bobina por meio de braçadeiras (podem ser elásticos ou pedaços de fio encapados)

b) fixar o terminal antena-terra.

c) fixar o suporte de pilhas.

d) fixar os potenciômetros (estes podem ficar num ”L" preso na frente da tábua).

e) fixar o capacitor variável.

f) fixar o alto-falante usando também um L. Se quiser pode deixar este componente solto, fazendo a sua ligação ao circuito por meio de uns 40 cm de fio flexível.

 

Com todos os componentes fixados, prenda a ponte de terminais com parafusos e porcas.

A seguir faça todas as interligações com fio flexível de capa plástica. Não deixe os fios excessivamente frouxos nem muito esticados.

Completadas as conexões a montagem estará pronta para a prova de funcionamento.

 

 

PROVA E USO

Se na sua cidade existirem estações fortes, a antena será um pedaço de fio de 2 ou 3 metros que simplesmente será esticado a partir do terminal correspondente.

A ligação à terra é sempre necessária sendo feita com um pedaço de fio que será preso ao encanamento de água ou então a um dos polos da tomada (de preferência ao neutro se souber identificá-lo). Se tiver dúvidas intercale neste fio um capacitor de 0,01 uF para evitar choques.

Coloque as pilhas no suporte e ligue o rádio.

Com o potenciômetro R3 inicialmente todo aberto passe a atuar simultaneamente sobre o variável e sobre o potenciômetro R2.

Tão logo você sintonizar a estação desejada, regule R2 para obter o máximo volume sem distorção. Ajuste depois o nível de som em R3.

Depois disso, para sintonizar outras estações mexa simplesmente no variável.

Quando sintonizar a estação regule então a sensibilidade do rádio em R2. O volume será ajustado em R3.

Para estações fracas use uma antena externa longa.

Se as estações se concentrarem num extremo ou em outro da sintonia você deverá retirar a bobina e enrolá-las novamente com maior ou menor número de espiras.

Os melhores resultados serão conseguidos depois de algumas tentativas.

 

 

Lista de Material

Q1 - Q2 -BC548 ou equivalente

Q3 - BC558 ou equivalente

L1, L2 - bobinas (ver texto)

C1 - capacitor variável (ver texto)

C2 - 100 nF - capacitor de poliéster

C3 - 10 nF - capacitor de poliéster

C4 - 220 ,uF x 16 V - capacitor eletrolítica

R1 – 10 M x ¼ W- resistor (marrom, preto, azul)

R2 - potenciômetro! de 1 k

R3 - potenciômetro de 100 ohms

FTE - alto-falante de 8 ohms

S1 - interruptor simples (conjugado em R3)

B1 - 2 ou 4 pilhas em série

Diversos: ponte de terminais, terminal antena-terra, base de montagem, suporte de pilhas, parafusos, porcas, fios, knobs para os potenciômetros e para a variável, bastão de ferrite para a bobina, fios esmaltados, etc.

 

 

 

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