Controle remoto com retardo? Sim, isto é possível e neste artigo damos dois circuitos simples para isso. Ao acionar o controle remoto, que pode ser qualquer um dos que já publicamos no site, também aciona-se um timer que, somente depois de alguns segundos, faz o disparo do dispositivo desejado.
Diversas são as aplicações possíveis para um sistema de controle remoto com retardo.
Uma delas consiste no acionamento de uma lâmpada, conforme mostra a figura 1, em que se faz uma “mágica" de bom efeito visual.
Nesta brincadeira, a lâmpada é controlada pelo receptor de controle remoto com retardo, enquanto que o transmissor fica escondido com o mágico.
Este pode apertar o botão do transmissor de maneira disfarçada e depois tem um tempo, que ele sabe exatamente quanto, para se aproximar da lâmpada, ou mesmo de longe, e fazer gestos “mágicos" que a acendam.
Outra possibilidade é no lançamento de foguetes experimentais em que, depois de apertar o botão de disparo, o controlador tem alguns segundos para se posicionar melhor, pegar seu binóculo, ou então colocar as mãos nos ouvidos, se não tiver muita certeza do êxito de sua experiência. (figura 2)
Outras aplicações para o retardo, certamente, serão encontrados pelos leitores que gostam de fazer experiências.
FUNCIONAMENTO
A base dos dois circuitos que daremos é a mesma: um circuito de tempo com SCRs.
O diagrama de blocos da figura 3 permite entender melhor o seu funcionamento.
O disparo do circuito de tempo é feito por meio de um relê (K1) nos dois circuitos, o qual deve ser suficientemente sensível para ser ligado em qualquer receptor que se pretende usar.
Quando o receptor recebe o sinal de comando, o relê é fechado por alguns instantes, o suficiente para disparar o timer.
No primeiro circuito usamos um relê de dois contactos simples que se travam com o sinal, enquanto que no segundo circuito usamos um SCR que liga com o pulso, dando assim a “partida" no timer.
Em ambos os circuitos, a alimentação deverá ser desligada para se rearmar o sistema. Isso significa que estes circuitos com retardo são circuitos “de uma só vez", ou seja, circuitos que servem para controlar uma carga uma vez somente, devendo ser rearmados novamente.
A alimentação de cada uma das versões mostradas depende da carga que deve ser acionada.
Usamos o SCR MCR106 nas duas versões, e este SCR pode controlar cargas com boas correntes, da ordem de até 4 A, exigindo-se para isso um bom radiador de calor.
A tensão de operação pode ficar entre 6 e 12 V, mas deve-se levar em conta que todo SCR quando conduz a corrente provoca uma queda de tensão da ordem de 2 V. A carga receberá então 2 V a menos que a tensão de alimentação.
O intervalo de tempo de cada um dos circuitos é determinado por C1.
Este capacitor, juntamente com P1, determina quantos segundos, ou fração de segundo, decorre entre o momento em que o controle remoto é acionado e a carga efetivamente é ligada.
Para os valores indicados os tempos não vão além de alguns segundos, mas isso será suficiente para as aplicações propostas.
Não recomendamos a utilização de capacitores maiores para C1, nem de potenciômetros maiores para P1, pois existe um limite que ultrapassado não permite o disparo do SCR.
MONTAGEM
O primeiro circuito é mostrado na figura 4 e faz uso de um relê de dois contactos simples.
A alimentação para o receptor neste caso pode ser separada da alimentação de carga controlada, se esta operar com tensões diferentes.
O SCR é o MCR106 ou qualquer equivalente e no potenciômetro P1 de 1M se faz o ajuste de tempo.
O capacitor eletrolítico, que deve ter uma tensão de trabalho da mesma ordem que a tensão de alimentação, determina a faixa de tempos e seus valores típicos situam-se entre 1 uF e 100 uF. Quanto maior o valor, maior será o tempo obtido.
A montagem é extremamente simples pelo número reduzido de componentes, podendo ser feita numa barra de terminais ou numa placa de circuito impresso.
Na figura 5 temos o segundo circuito.
Neste circuito usamos dois SCRs, mas em compensação o relê pode ser de contactos simples ou reversíveis.
O funcionamento deste circuito é facilmente analisado: ao fechar o relê, o SCR1 liga e com isso começa a carga de C1 através do potenciômetro ou trimpot P1 que determina o tempo.
Decorrido um tempo pré-ajustado, a tensão no capacitor C1 atinge o valor necessário ao disparo do SCR2 que então alimenta o circuito de carga.
Com os SCRs pode-se ter o controle de correntes relativamente elevadas, da ordem de 4 A, e a tensão ficará entre 6 e 12 V.
Novamente lembramos que nos SCRs existe uma queda de tensão da ordem de 2 V, o que deve ser previsto no projeto.
Os valores típicos para C1, que deve ter uma tensão de trabalho da mesma ordem que a de alimentação, estão entre 10 e 220 uF. Valores maiores podem não funcionar, se tiverem fugas excessivas.
A montagem poderá ser feita tanto numa pequena barra de terminais como numa placa de circuito impresso, dependendo de sua aplicação.

















