Diversas são as possibilidades de se montar pequenos transmissores de AM (ondas médias ou curtas) com material de sucata, a partir de velhos rádios de válvulas. O projeto descrito a seguir é dos mais interessantes, pois aproveita válvulas de rádios antigos e não precisa de transformador de força.
Nota: Este transmissor aparece neste site em outra versão bastante semelhante, publicada em outra mídia da editora na época. Esta é de uma Eletrônica Total 2 de 1988.
Um tipo de rádio á válvula bastante popular é o chamado "rabo quente", com as séries de válvulas 35W4, 12BE6, 12BA6, 12AV6 e 5005. Estes rádios tinham válvulas com os filamentos ligados em série, conforme mostra a figura 1, eliminando assim a necessidade de um transformador de força.

A alta tensão era obtida a partir da retificação direta dos 110V da rede pela válvula 35W4. O termo "rabo quente" se deve ao fato do chassi de tais rádios estar conectado na rede de energia, pois não havia transformador, causando assim choques em quem encostasse inadvertidamente em qualquer, parte de seu circuito.
O que propomos nesse artigo é a utilização do mesmo princípio das válvulas com filamentos em série, com a retificação direta a partir da rede, para construir um pequeno transmissor AM de ótima qualidade de som. Este transmissor emitirá seus sinais para um raio de 50 metros ou mais, tendo o mesmo comportamento de uma estação de rádio experimental.
É claro que devem ser respeitadas as restrições legais à operação deste tipo de aparelho, não devendo em hipótese alguma ser feitas modificações no circuito original, ou utilizada antena diferente da recomendada.
COMO FUNCIONA
Usamos duas válvulas, a 12AV6, um tríodo amplificador de áudio, e a 5005, um pêntodo de saída de áudio, aproveitadas de velhos rádios "rabo quente" e que podem ser encontradas com facilidade em casas de reparação e material de reposição, ou mesmo na sua sucata.
Conseguindo as válvulas você também precisará do soquete de 7 pinos miniatura, e se forem retiradas de um velho rádio, será interessante aproveitar também o capacitor variável de duas seções (figura 2).

O eletrolítico de 8+81.0.F (ou maior) é outro componente que também serve, mas será importante verificar se ele está bom. No circuito, a válvula 5005 serve como osciladora de alta frequência, produzindo os sinais de rádio cujas frequências são determinadas pelo variável CV e pela bobina L1. Calculamos a bobina para operação na faixa de ondas médias. Assim, o ajuste de CV deve ser feito para um ponto em que não haja estações operando.
A válvula 12AV6 serve de moduladora, aplicando na 5005 o sinal obtido de um microfone ou ainda de um toca-discos ou gravador. O sinal aplicado à esta válvula, via C3, será transmitido. A alta tensão com que o circuito opera, da ordem de 150 volts contínuos, é obtida pela retificação direta via D1 e pela filtragem via capacitor duplo C1. O circuito completo do transmissor é mostrado na figura 3.
MONTAGEM
Para a montagem é usado um chassi de metal que pode ser de alumínio (aproveitado de um rádio antigo), ou ainda feito com uma lata retangular. Na figura 4 damos a disposição dos componentes neste chassi.
Observe que um dos fios da alimentação vai ligado direto ao chassi, o que significa que há contato com a rede. Assim, sugerimos que este chassi seja depois fechado numa caixa de madeira ou outro material isolante. Na parte frontal do chassi temos o interruptor geral, o fusível e a entrada do microfone, que é feita com um jaque do tipo RCA.
Para o microfone deverá ser usado fio blindado, assim como em algumas ligações internas. Sem esta precaução podem ocorrer zumbidos desagradáveis na transmissão. O capacitor eletrolítico é do tipo para montagem sobre chassi, tendo uma rosca para sua fixação, que já provê o contato negativo. Os pô-los positivos são os dois terminais onde são soldados os fios que vêm do diodo e R2 e vão para C2.
Veja que podemos aproveitar este capacitor do rádio desmontado ou de outra sucata. A exigência é que ele esteja bom e que tenha valores entre 8+8 e 50+50 pF, com tensão de trabalho de pelo menos 250 volts. Para testar este capacitor, use o circuito da figura 5. Se a lâmpada permanecer acesa é porque o capacitor está em curto, não devendo ser usado.
Se ocorrer algum problema de fuga com este componente, que pode comprometer o projeto, o fusível de proteção se encarregará de cortar a corrente, queimando. Se isso acontecer logo que você ligar o transmissor, desconfie em primeiro lugar do capacitor eletrolítico.
A bobina L1 consiste em 80 voltas de fio esmaltado 26 ou 28AWG enroladas num tubo de PVC de 1 polegada ou num pedaço de cabo de vassoura. Enrole 40 voltas de fio e faça uma derivação. Depois enrole mais 40 voltas no mesmo sentido. O capacitor variável CV deve ter sua carcaça isolada do chassi, ou então ligado conforme mostra a figura 6.
Como este capacitor fica submetido a uma alta tensão, deve ser usado um knob plástico em seu eixo, para mudança de frequência. O capacitor C6 deve ter uma tensão de trabalho de pelo menos 35V e os demais são cerâmicos. C2 deve ter isolamento para pelo menos 500V.
A antena consiste num pedaço de fio esticado que deve ter no máximo 1 metro de comprimento. O resistor R1 é de fio, devendo ser montado longe dos demais componentes, pois trabalhará aquecido.
AJUSTE E USO
Coloque o fusível no suporte e ligue S1. Se o fusível queimar, verifique o estado de Cl. Se tudo correr bem, as válvulas devem acender e depois de uns 2 minutos de aquecimento o aparelho deve estar em condições de funcionar.



















