Mesmo com a chegada do transistor, as válvulas não foram abandonadas completamente. Sabemos disso, tanto que até hoje as utilizamos. Mas, no passado a ideia de que as válvulas poderiam ser aperfeiçoadas ainda o suficiente para serem tão pequenas e eficientes como os transistores foi aceita por muitos, principalmente os russos. Neste artigo falaremos um pouco das microválvulas russas, tão pequenas como um transistor, mas altamente eficientes.

 

O pulso eletromagnético ou EMC

 

Os russos não aceitaram a ideia do transistor de imediato e tinham motivos para isso que iam muito além de questões ideológicas. Eles creditavam que as válvulas tinham uma importância estratégica que ainda não havia sido percebida pelos americanos que somente depois viram o perigo

O que ocorre é que os transistores diferentemente das válvulas e principalmente agora com as tecnologias CMOS são altamente sensíveis à pulsos de tensão que podem ser induzidos nos seus circuitos a partir de um pulso eletromagnético, conforme sugere a figura 1 (*)

 

Figura 1- Tensões induzidas por pulsos eletromagnéticos num rádio produzem estalidos
Figura 1- Tensões induzidas por pulsos eletromagnéticos num rádio produzem estalidos

 

 

Uma simples descarga atmosférica próxima pode induzir um pulso suficientemente intenso para queimar transistores, mas não as válvulas.

(*) Temos nos links no final artigos em nosso site que detalham melhor o que ocorre.

As válvulas têm o vácuo entre seus eletrodos. Assim, um pulso de alta tensão provoca um faiscamento, mas não a queima.

 

 

Estratégia

 

Passando à área militar, a ideia dos russos era simples. A terra funciona como um enorme capacitor, constantemente carregado, onde uma das armaduras é a própria terra e a outra a ionosfera.

A detonação de uma bomba nuclear de médio porte (estratégica) entre a ionosfera e a terra, não causaria danos às forças militares, mas provocaria um enorme curto entre as armaduras deste gigantesco capacitor, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Colocando em curto o gigantesco capacitor
Figura 2 – Colocando em curto o gigantesco capacitor

 

 

O resultado seria uma descarga de proporções descomunais que produzira um pulso eletromagnético (EMC) suficientemente forte para queimar todos os equipamentos inimigos baseados na tecnologia do transistor. No entanto, os equipamentos valvulados dos russos não sofreriam dano algum.

O exército inimigo seria paralisado com seus sistemas de comunicação, controle e detecção queimados, enquanto as próprias forças continuariam o combate sem problema algum.

 

 

As técnicas criadas

 

Mas, o problema ainda era o tamanho das válvulas. Assim os russos e depois alguns outros países desenvolveram um tecnologia de válvulas ultraminiatura, conforme podemos ver pelas imagens (figura 3)

 


 

 

 

Válvulas milimétricas
Válvulas milimétricas | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Tão pequenas como um reeedswich e operando com tensões muito baixas, essas válvulas podiam ter diâmetros da ordem de milímetros, conforme vimos pelas imagens.

Uma linha completa destas válvulas chegou a ser criada sendo seus tipos exportados. Na figura 4 temos um rádio japonês reflex da Tooru Kawabata do Japão que usa as 1ZH29B de apenas 1 V de filamento.

 

Receptor comercial dos anos 50 usando microválvulas
Receptor comercial dos anos 50 usando microválvulas

 

 

A figura 5 mostra o datasheet da válvula 1Z37B (em russo) com as dimensões, a pinagem, além das características elétricas.

 

Datasheet de uma microválvula russa
Datasheet de uma microválvula russa | Clique na imagem para ampliar |

 

 

 

Características elétricas

 

E, essas válvulas teriam características capazes de competir com os transistores?

É claro que, tirando a imunidade às descargas eletrostáticas, considerações sobre as características podem nos revelar algumas limitações.

Uma primeira é a distância muito pequena entre os eletrodos que limitaria a tensão de trabalho. A rigidez dielétrica do vácuo impedia sua operação com tensões elevadas.

O outro ponto negativo a ser considerado é que a válvula ainda precisa ter um filamento aquecido que implicava num consumo de energia alto. Assim, mesmo sendo pequenas. Seus circuitos deveriam ter uma fonte de alimentação adicional somente para o aquecimento. E completando, o aquecimento significa limitação de volume.

 

 

Conclusão

 

Ao que parece, mesmo com boas intenções e visando aplicações militares, as válvulas chegaram ao limite do aperfeiçoamento. Assim, o seu tempo em determinadas aplicações terminou.

Ainda podemos usá-las hoje em aplicações específicas tendo em conta a sua qualidade e desempenho, como em amplificadores de áudio, mas existem hoje aplicações em que os componentes de estado sólido são insubstituíveis, até que algo novo surja, é claro.

 

 

https://www.newtoncbraga.com.br/index.php/como-funciona/19344-o-pulso-eletromagnetico-emp-art2414.html

https://www.radiomuseum.org/forum/russian_subminiature_tubes.html

 

 

 

 

 

 

 

NO YOUTUBE


NOSSO PODCAST