Este artigo faz parte de nosso livro A História da Eletrônica nas Páginas das Revistas e tem diversos complementos e indicações de outros artigos no site.

Quando falamos em revistas de eletrônica americanas, o primeiro nome que nos vem à mente é o de Hugo Gernsback, tanto que dedicamos a ele um capítulo inteiro de nossa serie de Arqueologia (Hugo Gernsback - O pai da ficção científica). Foram dezenas, senão centenas de títulos que ele publicou ao longo de sua longa carreira como escritor, inventor e muito mais.

 

Figura 1 – Hugo Gernsback
Figura 1 – Hugo Gernsback

 

Mas, não foi apenas ele que publicou revistas nos estados unidos. Diversos outros empreendedores também criaram suas revistas e algumas persistem até hoje com versões virtuais.

Temos em nossa biblioteca uma infinidade de revistas americanas que vamos analisar nesta série uma a uma. É claro que não prometemos analisar todas, mas apenas as que se destacaram e, evidentemente, das quais temos exemplares em nossa coleção.

No contexto histórico, a partir do início do século passado os Estados Unidos despontaram como potência tecnológica com o aparecimento de grandes empresas principalmente a partir do aparecimento da nova mídia que utilizava a eletrônica: o rádio.

 

Figura 2 – Rádio no início do século passado
Figura 2 – Rádio no início do século passado

 

Naquela época o rádio que era uma curiosidade científica montada por experimentadores passou a ser produto de consumo, o que se expandiu de modo explosivo com a descoberta da válvula triodo por Lee De Forest.

 

Figura 3 – De Forest e a válvula Audion
Figura 3 – De Forest e a válvula Audion

 

O rádio se tornou o principal equipamento eletrônico dos lares de todo o mundo e em especial nos Estados Unidos.

Desta forma, inicialmente abordando o rádio, as revistas técnicas se expandiram para outros temas, e muitas empresas e empreendedores criaram suas próprias revistas para sua divulgação. Eram revistas que abordavam desde a pesquisa e montagem até a comercialização e tendências do mercado além de programações de estações e outros temas relacionados.

Foram dezenas de vistas que tinham tiragens desde alguns milhares de exemplares até centenas de milhares de exemplares.

Podemos citar revistas como a Radio Eletrônics, Popular Electronics de Gernsback aé outras como QST, Electronics Now, Nuts and Vols, Circuit Cellar, Make, Hands On e até mesmo catálogos como Radio Shcak um misto de revista e catálogo e Heathkit.,

 

   Figura 4 – revistas americanas
Figura 4 – revistas americanas

 

Cheguei a colaborar com a Poptronics (antes Popular Electronics) e até tive um convite de meu amigo e agente nos Estados Unidos Jeff Eckert para fazer uma coluna na revista Nuts and Volts, mas o meu tempo restrito me impediu a abraçar mais esta tarefa.

Podemos dizer que muitas dessas revistas eram referência no mundo pelos seus artigos excelentes e até tinham versões em outros idiomas.

A revista Popular Electronics tinha no Brasil a sua versão Eletrônica Popular traduzida pela Antenna, onde eu me lancei praticamente como escritor técnico através de Gilberto Affonso Penna.

Falaremos dessas revistas separadamente nesta série de artigos, pois havia muitas coisas interessantes e curiosas que rolaram ao longo de mais de 1 século de publicações técnicas ensinando eletrônica.

Alguns dos colaboradores destas revistas eram renomados autores de livros técnicos, muitos dos quais fazem parte da minha biblioteca.

 

Figura 5 – Livros de autores renomados das revistas
Figura 5 – Livros de autores renomados das revistas

 

É claro que algumas também comercializava kits, como fazem até hoje as que sobrevivem. Inicialmente que que sem anúncios as revistas sobreviviam das vendas dos exemplares;

Depois, a renda com o aumento dos custos e as vendas diminuindo, as revistas passaram a depender dos anúncios. Quando também os anúncios eram insuficientes para cobrir os custos, as revistas passaram a vender kits de seus projetos, criando lojas que inicialmente vendiam pelo correio.

 

Figura 6 – Anúncio de vendas
Figura 6 – Anúncio de vendas

 

 

Quando isso também se tornou insuficiente, com a chegada da internet muitas fecharam.

As que sobreviveram estão utilizando novas abordagens comerciais para se manter vivas como a venda de kits e outros produtos.

Aguardem os próximos artigos da série e outros recursos de nossas mídias em que falaremos das principais revistas americanas, contando histórias interessantes, algumas das quais tivemos participação direta como colaboradores.

 

 

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