Neste artigo de 1981, fazendo parte de uma seção sobre o assunto que tínhamos na época, explicamos algumas utilidades para os sistemas simples de controle remoto, do tipo usado na época e que ainda pode ser montado com facilidade.
Radiocontrole não é só brinquedo, como muitos podem pensar. A possibilidade de se poder controlar à distância um carrinho, aeromodelo ou barco é sem dúvida algo emocionante, mas se o leitor pensar que pelo mesmo princípio pode abrir portas, controlar projetores de slides ou ainda máquinas, então pensar em rádio controle deixa de ser simplesmente emocionante para ser também fascinante (figura 1).
E como podemos usar os radiocontroles comuns que temos divulgado nesta seção em aplicações que não sejam simplesmente no controle de modelos?
Damos a seguir algumas sugestões bastante interessantes.
1. ABERTURA DE PORTAS DE GARAGENS
Radiocontrole necessário: 1 canal de curto alcance, de preferência modulado em tom para evitar interferências que podem causar o funcionamento errático.
Na figura 2 temos uma sugestão de circuito para esta finalidade.
Com relação ao transmissor que vai ser colocado no próprio carro, a única observação a ser feita é que sua alimentação pode vir da própria bateria de 12 V do veículo.
No caso do transmissor escolhido funcionar com apenas 9 V (em muitos casos é isso que ocorre), damos na figura 3 um redutor simples que permite reduzir os 12 V da bateria para esta tensão.
Com relação ao receptor, este deve acionar um -relê num sistema autotravado, ou seja, em que, basta um impulso de certa duração para o acionamento inicial e a partir daí o motor que abre a porta entra em funcionamento só desligando depois que ela estiver totalmente aberta.
Isso é conseguido com um sistema de acionamento paralelo com interruptores de pressão no circuito.
O relê usado deve ser capaz de suportar a corrente do motor que faz a abertura da porta.
2. ELIMINADOR DE ANÚNCIOS
Radiocontrole usado: 1 canal com modulação em tom de pequena potência (50 mW ou menos), ou mesmo sem modulação. Sistema ópticos ou acústicos de controle remoto podem também ser usados.
Este sistema consiste basicamente num interruptor remoto para o alto falante de seu televisor que o desliga no momento em que estiver passando um anúncio quando então você pode conversar à vontade.
A figura 4 dá uma ideia do que ocorre.
Nos intervalos de seu programa você aciona o transmissor que emite um pulso para o receptor ligado ao alto-falante do televisor por meio de um timer.
Este timer, após Ao pulso de comando mantém o alto-falante desligado por 1 minuto ou mais, conforme o ajuste que seja feito.
O resistor ligado ao relê tem por .função manter a carga de 4 ou 8 ohms, conforme o alto-falante para que o amplificador não venha sofrer danos. Este resistor é necessário nos televisores de válvulas que usam transformadores de saída.
Um ponto importante a ser observado neste sistema é a eventual necessidade de se instalar o receptor um pouco afastado do televisor para que em funcionamento não ocorra nenhuma interferência na imagem recebida.
Este problema pode ser acentuado principalmente nos receptores super-regenerativos (figura 5).
A alimentação para o receptor pode vir de uma fonte ligada ao mesmo interruptor do televisor devendo, entretanto, a mesma apresentar excelente filtragem.
3. CONTROLE DE PROJETORES DE SLIDES (Raros em nossos dias)
Esta é uma possibilidade interessante para os que possuem este tipo de aparelho precisando o leitor apenas de um sistema de rádio controle monocanal de pequena potência, modulado ou não em tonalidade.
O receptor é então ligado por meio de um relê em paralelo com o comando de mudança de slides, conforme mostra a figura 6.
Este receptor pode ser instalado no próprio projetor se houver espaço ou numa caixa separada podendo sua alimentação ser feita por uma fonte ou por meio de pilhas comuns.
Receptores regenerativos simples dão bons resultados neste sistema.
O próprio princípio de funcionamento do projetor de slides do tipo comum e do sistema de rádio controle facilita a instalação do controle remoto. Basta então um pulso do transmissor para que o relê do receptor feche momentaneamente seus contatos e com isso se faça a mudança do slide que está sendo projetado.
Este sistema pode em alguns casos ser modificado para fazer a projeção para frente e para trás. Neste caso será preciso usar um bicanal.
Na figura 7 mostramos então a instalação básica deste sistema.
Cada relê de cada canal do receptor é ligado em paralelo com os interruptores de comando para frente e para trás do projetor de slides.
Um sistema modulado em tom de curto alcance com receptor regenerativo serve perfeitamente para este caso.
Na instalação de um sistema deste tipo deve ser prevista uma eventual interferência do motor de refrigeração da lâmpada do projetor no receptor.
Normalmente a alimentação em separada do receptor por um jogo de pilhas e a colocação em local escolhido da antena elimina este problema.
4. DISPARO DE MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS
Radiocontrole recomendado: monocanal de curto alcance modulado ou não em tom.
Na figura 8 mostramos como funciona este sistema. O transmissor emite um sinal que dispara o relê do receptor o qual aciona o botão da máquina fotográfica.
O principal problema que o leitor pode enfrentar ao tentar realizar um sistema deste é em relação ao modo de se fazer o acoplamento do receptor à máquina fotográfica.
Algumas máquinas possuem recursos para adaptar um disparador elétrico de modo que sua ligação ao relê fica simplificada.
Uma outra possibilidade consiste em se usar uma extensão do obturador conforme o mostrado na figura 9 que será disparada por um pequeno motor de pilhas com sistema redutor.
O motor usado neste caso pode ser do tipo empregado em pequenas vitrolas, dependendo a redução a ser usada da força necessária ao acionamento do disparador.
Com este sistema você pode tirar suas próprias fotos, disparando à distância a máquina montada num tripé.
O sistema de relé em questão pode ainda ter outros contatos usados para comandar lâmpadas de iluminação ou flashes auxiliares.
5. ARMADILHAS
Sistema recomendado: monocanal modulado ou não em tom de médio alcance (50 metros ou mais) - receptor super-regenerativo com alimentação por pilhas.
Na figura 10 mostramos a utilização prática deste dispositivo que sem dúvida será apreciado pelos estudantes de biologia na procura de espécimes para estudos.
Ao entrar o animal na armadilha o estudioso pode acioná-la remotamente com facilidade capturando assim o animal que deseja.
O modo de se fazer o fechamento da armadilha pode variar bastante havendo de nossa parte duas sugestões:
A primeira mostrada na figura 11 consiste num pequeno solenoide alimentado por 4 ou 6 pilhas grandes que puxa o trinco soltando a tampa da armadilha.
A outra mostrada na figura 12 consiste no emprego de um pequeno pedaço de fio de resistência (pode ser retirado de um resistor de 100 R x 5 ou 10 W) o qual ao ser fechado o relê aquece-se ao ponto de queimar o fio que segura a tampa, fechando-a rapidamente.
Na instalação deste sistema o leitor não precisa temer interferências elétricas que possam atuar sobre a armadilha se operar em local isolado mas deve fazer experiências em relação ao alcance do sistema para poder operá-lo de local seguro.
6. ABERTURA DE FECHADURAS
Uma outra aplicação interessante em que se usa um monocanal de curto alcance é mostrada na figura 13.
Um solenoide do tipo comercial ou uma fechadura elétrica podem ser acionados à distância trancando Ou destrancando um portão à sua vontade.
Os solenoides deste tipo são bastante fortes, possibilitando a execução de fechaduras bastante seguras. Será conveniente usar neste sistema o radiocontrole modulado em tom para se evitar o acionamento errático em caso de interferências radioelétricas.
A alimentação do receptor deve ser feita por uma fonte de alimentação que fique permanentemente ligada. Um interruptor em paralelo com o relê fará o acionamento manual do sistema em caso de falha.























