Resistores, diodos, capacitores, transistores, chaves, transformadores, bobinas, SCRs e muitos outros componentes podem ser provados com este super simples provador de componentes, que de modo algum deve faltar a bancada do experimentador. O numero super-reduzido de componentes e, consequente baixo custo, tornam este provador o companheiro ideal dos experimentadores com poucos recursos ou principiantes.

A prova de componentes eletrônicos pode ser feita de muitas maneiras.

Existem as provas simples que nos permitem saber simplesmente se o componente está bom ou ruim, isto é, se funciona ou não, e as provas complexas que além dessas indicações nos revelam características importantes do mesmo componente, tais como sua resistência, seu ganho, existência de fugas, etc.

É claro que para o experimentador novato que ainda não está apto a interpretar o significado dessas indicações "complicadas" o que interessa é simplesmente uma indicação do tipo “bom ou ruim" ou ainda uma indicação que permita saber se o componente pode ou não funcionar em determinado projeto.

O super simples provador de componentes que descrevemos faz exatamente isto: revela-nos apenas o essencial sobre os principais componentes eletrônicos sem rodeios permitindo-nos saber. se o componente pode ou não ser usado.

A ideia fundamental que temos ao apresentar este miniprovador, não é propriamente a de eliminar a necessidade de instrumentos mais elaborados, mas sim de substituir inicialmente estes instrumentos, enquanto o leitor não tiver condições de adquiri-los.

Em suma, o que damos ao leitor principiante é a oportunidade de montar seu miniprovador de componentes que lhe ajude nos momentos mais críticos, revelando se resistores, capacitores, transistores, diodos e outros componentes podem ou não funcionar.

São os seguintes os tipos de provas que este miniprovador pode fazer:

- provas de diodos

- provas de continuidade

- provas de transistores

- provas de fuga em capacitores

- provas de lâmpadas e LEDs

- provas de resistores e potenciômetros

- provas de SCRs

A montagem é bastante simples,como o leitor poderá ver não oferecendo dificuldades nem mesmo ao experimentador inexperiente.

 

 

O CIRCUITO

O circuito basicamente consiste num oscilador Hartley um pouco modificado de modo a atender nossa finalidade: testar componentes. Assim temos um transistor em que existe uma rede de realimentação responsável pela realimentação do sinal que mantém as oscilações.

A rede de alimentação, mais as características do transformador determinam a frequência das oscilações assim como as características do componente que for intercalado a este circuito (figura 1).

 

Figura 1 – Circuito básico
Figura 1 – Circuito básico | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Temos então um oscilador cujas condições de funcionamento são determinadas também pelas condições do componente que se deseja provar.

Pelo tipo de sinal que este oscilador fornecer, podemos então ter uma ideia das condições do circuito ou componente provado.

O próprio transistor no caso, fornece uma potência suficiente para excitar um alto-falante, quer sua alimentação seja feita com 3 ou 6 V.

O sinal obtido é portanto audível com bom volume, já que um alto-falante comum é usado.

O potenciômetro permite diversos tipos de ajustes em função do componente provado. Temos então um circuito bastante simples que consome uma quantidade de energia muito pequena, garantindo-se assim uma boa durabilidade para sua fonte de alimentação.

 

 

MONTAGEM

O mini provador pode ser montado numa caixa plástica ou de madeira conforme sugere a figura 2.

 

Figura 2 – sugestão de caixa
Figura 2 – sugestão de caixa | Clique na imagem para ampliar |

 

 

No entanto, até a simples montagem da ponte de terminais numa base de madeira serve para se obter o funcionamento normal do mesmo.

Para a montagem as ferramentas que o leitor necessitará são:

a) soldador de pequena potência (máximo de 30 W)

b) solda de boa qualidade (60/40)

c) alicate de corte lateral

d) alicate de ponta

e) chaves de fenda

Além deste material se o leitor se propuser instalar a unidade numa caixa deverá ter os recursos para a preparação desta caixa, ou seja, furadeira, serra, martelo, etc.

O circuito completo do provador é mostrado na figura 3.

 

Figura 3 – Circuito completo
Figura 3 – Circuito completo | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A montagem sugerida em ponte de terminais é dada na figura 4.

 

Figura 4 – Montagem em ponte de terminais
Figura 4 – Montagem em ponte de terminais | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Na parte frontal da caixa ficam os jaques de conexão das pontas de prova, o alto-falante, e o potenciômetro de controle.

O interruptor que liga e desliga a fonte de alimentação é conjugado ao potenciômetro.

Para se evitar deixar o aparelho ligado acidental mente, pode ser acrescentando um LED indicador, conforme sugere o diagrama da figura 5.

 

Figura 5 – Ligação de LED
Figura 5 – Ligação de LED | Clique na imagem para ampliar |

 

 

O LED também pode ser ligado em série com o emissor do transistor fornecendo também uma indicação visual das provas feitas.

Se usados, os dois LEDs ficarão na parte frontal da caixa.

Os cuidados a serem tomados com a aquisição dos componentes assim como com sua montagem são os seguintes:

a) O transistor usado pode ser de qualquer tipo NPN para uso geral sendo os tipos preferenciais os BC238, BC548, BC547 ou BC237, mas praticamente qualquer outro NPN pode ser usado como por exemplo os AC187, BD135, etc.

No entanto, para estes últimos tipos os leitores devem tomar cuidado com a identificação dos seus terminais já que a disposição dos mesmos é diferente dos BC.

Na soldagem do transistor em sua posição de funcionamento evite o excesso de calor.

b) o transformador é um componente que apresenta uma certa dificuldade quanto aos cuidados que devem ser tomados na sua compra e instalação.

Atenção, portanto. O transformador usado é do tipo de “saída" para rádios e gravadores transistorizados, com um enrolamento primário de alta impedância e um secundário de 8 ohms.

O enrolamento primário tem tomada central. Na compra deste componente, o leitor deve tomar cuidado para não levar um “driver" em lugar de um “saída".

Se bem que qualquer tipo de transformador de saída sirva, conforme as suas características, o leitor eventualmente terá de alterar o valor do capacitor em paralelo com o seu primário, de modo a ter sons mais graves ou agudos, conforme a sua vontade.

O fato é que, conforme o tipo de transformador, se suas características estiverem muito fora, das normais, pode não haver oscilação para o circuito. No caso, deve-se procurar solucionar o problema com a troca do capacitor em paralelo com seu enrolamento primário.

Na ligação deste componente observe bem a disposição de seus terminais.

Evite o excesso de calor que pode danificá-lo. Se os seus terminais forem rígidos os mesmos servirão para sustentar o componente em posição de funcionamento.

c) O potenciômetro é um componente não crítico, já que pode ser usado de qualquer valor entre 47 k e 220 k. Na sua ligação, apenas deve ser observada a posição dos terminais para que haja um aumento da resistência quando o mesmo for girado para a direita.

Este potenciômetro possui conjugada a chave interruptora que controla a alimentação.

d) Qualquer alto-falante de 8 ohms pode ser usado neste provador. É claro que o leitor deve dar preferência a um tipo que caiba na caixa usada. Os modelos de 2,5 cm ou de 10 cm são os melhores para esta aplicação. Não é preciso observar a polaridade na ligação deste componente.

e) O resistor usado é de 1/4 ou 1/8 W de 1 k, não havendo nenhum problema a ser considerado na sua soldagem.

f) Os capacitores podem ser cerâmicos ou de poliéster metalizado. Como a tensão de operação do circuito e muito baixa não é preciso observar esta característica nos capacitores.

g) A fonte de alimentação que consiste em 2 ou 4 pilhas pequenas, conforme o leitor preferir pode ser instalada na tampa posterior da caixa. O suporte de pilhas será fixado a esta tampa por meio de uma braçadeira ou por meio de parafusos comuns.

Observe sua polaridade na ligação.

h) Os LEDs, se usados, podem ser de qualquer tipo para painel, de cor vermelha. Observe a polaridade dos mesmos na hora de sua ligação. O catodo, corresponde ao lado achatado deste componente.

i) Todos os componentes são soldados numa ponte de terminais a qual é fixada por meio de parafusos na caixa. Use fio flexível de capa plástica para interligar estes componentes da ponte aos componentes que ficam presos ao painel da caixa.

A escolha dos bornes para as pontas de prova fica a cargo do leitor. Estas pontas de prova podem ser adquiridas prontas ou improvisadas com fios de cobre grosso no qual é colocada uma capa de fita isolante.

 

PROVA DE FUNCIONAMENTO

Terminada a montagem, confira todas as ligações, e se tudo estiver em ordem, coloque as pilhas no suporte, faça a conexão das pontas de prova aos bornes correspondentes e prepare-se para experimentar o provador.

Para esta finalidade, inicialmente ligue fonte de alimentação acionando o potenciômetro. Você deve imediatamente ouvir um pequeno estalido no alto-falante, e o LED indicador em paralelo com as pilhas deve acender, se tiver sido usado.

A seguir, encoste uma ponta de prova na outra e vá girando o potenciômetro até haver emissão de som pelo alto-falante.

Conforme o tipo de transformador usado, ou seja, em função de suas características, poderá haver variações em torno da faixa em que ocorre a emissão de som.

Em alguns casos a emissão pode ocorrer no início da faixa de giro em outros casos no meio e em outros no final da mesma. Se o aparelho não oscilar em nenhum ponto da faixa, aumente o valor do capacitor que está ligado em paralelo com o transformador. (figura 6)

 

Figura 6 – Alterando o capacitor
Figura 6 – Alterando o capacitor | Clique na imagem para ampliar |

 

Comprovado o funcionamento do aparelho, você poderá usá-lo das maneiras indicadas no próximo item.

 

PROVAS DE COMPONENTES

a) Prova de capacitores: os capacitores de pequeno valor podem ser testados da seguinte maneira:

Ligue-os entre as pontas de prova, com o potenciômetro do provador na sua posição de menor resistência, ou seja, todo para a esquerda. Para capacitores entre 4,7 nF e 0,1 uF, se bons, deve haver a emissão de som pelo alto-falante.

Se o capacitor estiver aberto ou em curto não haverá emissão de som.

Para o caso de capacitores de mais de 0,1 uF e eletrolíticos, ao encostar as pontas de prova, se eles estiverem bons, a emissão de som poderá ser pulsante.

b) Prova de diodos: neste caso basta fazer duas operações. Inicialmente ligamos a ponta de prova vermelha ao anodo e ponta de prova preta ao catodo do diodo em prova (figura 7).

 

Figura 7 – prova de diodos
Figura 7 – prova de diodos | Clique na imagem para ampliar |

 

 

Girando-se o potenciômetro deve-se obter uma posição em que o mesmo oscila normalmente emitindo seu som característico. Fazendo em seguida a inversão de posição das pontas de prova, e ajustando-se o potenciômetro, não se deve obter oscilação em nenhuma de suas posições.

Se o aparelho não emitir som em nenhuma das duas provas é porque o diodo se encontra aberto, e se o aparelho emitir som nas duas posições é porque o diodo se encontra em curto.

c) Prova de transformadores. Para esta finalidade pode-se verificar a continuidade dos enrolamentos. Encosta-se então as pontas de prova nos extremos do enrolamento, devendo haver emissão de som em certo ponto do ajuste do potenciômetro.

Se isso não ocorrer é porque o enrolamento em prova se encontra interrompido.

d) Prova de bobinas: é feita de maneira semelhante à prova de transformadores. A tonalidade do som emitido no caso dependerá da indutância da bobina.

e) Prova de resistores: resistores de 1 k à 100 k podem ser provados. No caso ligue em seus extremos as pontas de prova, e ajuste o potenciômetro até obter som. Tanto mais grave o som obtido, e mais para a esquerda a posição do potenciômetro em que este som for obtido, menor será o valor da resistência do mesmo.

Duas resistências de mesmo valor devem emitir o mesmo tipo de som ao serem provadas com este aparelho.

f) Provas de lâmpadas incandescentes: basta ligar as pontas de prova nos seus extremos, devendo haver emissão de som ao se ajustar o potenciômetro.

Se não houver emissão de som é porque seu filamento se encontra interrompido. Esta prova não se aplica a lâmpadas do tipo neon.

g) Prova de transistores:

No caso o que se faz é uma prova do estado das junções que devem apresentar determinadas resistências quando polarizadas no sentido direto e no sentido inverso.

Na figura 8 temos as posições das pontas de prova nos terminais do transistor com as indicações que devem ser obtidas.

 

Figura 8 – Prova de transistores
Figura 8 – Prova de transistores | Clique na imagem para ampliar |

 

 

A indicação SOM indica que deve haver emissão de som ajustando-se o potenciômetro, e a indicação SIL indica que não deve haver indicação ou sinal de saída em qualquer posição do ajuste do potenciômetro.

 

 

Lista de Material

Q1 - transistor para uso geral NPN - BC 238, BC548, BC237, etc.

T1 - transformador de saída para transistores

FTE - alto-falante de 8 ohms

P1 - potenciômetro de 47 k à 220 k com chave

C1 - 22 nF - capacitor de poliéster

C2 - 47 nF - capacitor de poliéster

R1 – 1 k x 1/4 W - resistor (marrom, preto, vermelho)

R2 – 100 ohms x 1/4 W - resistor (marrom, preto, amarelo)

LED - LED comum vermelho (ver texto)

B1 - bateria de 3 ou V - 2 ou 4 pilhas comuns

Diversos: suporte para pilhas, caixa, ponte de terminais, fios, solda, parafusos, porcas, botão para o potenciômetro, etc.

 

 

 

NO YOUTUBE