Com os códigos anteriormente analisados se percebe uma série de possibilidades para converter números (dados numéricos) em informação binaria, mas também existem códigos para a conversão de letras, sinais de escrita e outros sinais, a códigos binários.

Nota: Artigo publicado na Revista Saber Eletrônica de fevereiro de 1985.

 

O primeiro desses códigos é o ISO ("International Standards Organization") que utiliza 7 bits (vide tabela A) em que os bits 5 a 7, os mais significativos, se denominam bits de zona e os espaços em vago podem utilizar-se segundo as especificações particulares do usuário.

Segundo a tabela, o caractere A é representado pelo binário 1000001 e o dígito 7 por 0110111.

A palavra AMOR é codificada no código ISO pelos seguintes binários: 1000001 1001101 1001111 1010010, pois:

 


 

 

 

Já a palavra amor teria a seguinte codificação: 1010010 1100001 1101101 1101111 1110010, pois:

 


 

 

 


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Outro código, este amplamente utilizado nos modernos µP's, é o ASCII ("American Standard Code for Information Interchange"). Ele foi desenvolvido após elaborado estudo realizado pela ASA ("American Standards Association"), sendo aprovado em 1963 e proposto para sua utilização internacional através do CCITT ("Comité Consultatif International Telegraphique et Telephonique") em Genebra.

O ASCII nada mais é do que uma versão americana do código ISO, permitindo utilizar uma série especial de sinais (vide a tabela B); ambos códigos têm a mesma configuração de bits, isto é, 7 bits, possibilitando a codificação de até 128 caracteres distintos.

Notar que a palavra AMOR é codificada no ASCII da mesma forma que o foi no ISO, o mesmo ocorrendo com a palavra amor. A diferença entre os dois códigos prende-se ao fato do ASCII ter fixado algumas das posições vagas propositalmente deixadas assim no código ISO e a troca do símbolo gráfico "—" (código ISO 1111110) pelo símbolo "~" (til), mas mantendo o código binário.

Assim como no ISO, o ASCII também prevê a codificação de certos comandos para máquinas de impressão, ou qualquer outro periférico, assim como para o próprio processador.

Observando o código verifica-se a inexistência do caractere "ç" apenas existente no idioma português; ele pode ser codificado por 06 (hexadecimal), já que esta posição se encontra vaga.

O código EBCDIC ("Extend Binary Coded Decimal Interchange Code") se trata de um código de 8 bits que permite 256 combinações, isto é, a codificação de até 256 símbolos.

Neste código existem 4 bits de zona seguidos de outros 4 bits identificadores dos caracteres.

A tabela C mostra a lei de codificação do EBCDIC, código este utilizado pelos processadores de grande porte.

Os bits de zona podem dividir-se em dois grandes grupos a saber:

 


 

 

O código TELEX, como sua própria designação sugere, é utilizado no serviço telex, no qual se utiliza um código de 5 elementos, podendo ser disponíveis "mais" de 25 combinações diferentes, graças a uma série de combinações de duplo significado, dependendo do sinal particular que precede este tipo de combinações. Por exemplo, o código 11101 corresponde à letra Q, mas se este código é antecedido pelo código 11011 ele é interpretado como o dígito 1 — vide tabela D.

 


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O código 11011, como se viu, indica que os grupos de códigos que se sugerem são dígitos e não caracteres do alfabeto; com o código 11111 indica-se que os códigos subsequentes têm de ser interpretados como letras do alfabeto.

Esse par de códigos especiais são gerados automaticamente: premendo a tecla LETRAS ("letter shift") indica-se que seguem letras, e a tecla ALGARISMOS ("figure shift") para indicar que os próximos códigos a seguir correspondem a números. Dessa maneira é conseguida uma dupla interpretação do código de 5 bits.

A tabela D mostra o código TELEX, o qual pode sofrer alterações, dependendo do país ou região.

O código BAUDOT é utilizado nas transmissões telegráficas (TELEX), principalmente as pertinentes com o serviço de meteorologia.

Ele utiliza 5 canais, permitindo 32 combinações possíveis que podem ser ampliadas para 58 mediante, a adição de seis códigos que indicam espaço, branco, retrocesso de carro, letras, algarismos, e troca de linha; estes códigos, assim como no código telegráfico (TELEX), antecedem as outras codificações do código.

Na figura 1 apresenta-se o código tal como aparece nas fitas perfuradas usadas nesse tipo de transmissão. O furo corresponde ao 1 lógico e o não furo ao 0 lógico.

 


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A fita perfurada contém uma largura contendo 5, 7 ou 8 canais de informação de acordo com o código utilizado. Além disso, a fita contém a perfuração destinada ao seu arraste, a qual se encaixa numa diminuta roda dentada no leitor da fita, permitindo assim seu avance durante a leitura — a perfuração de arraste é realizada pelo gravador da fita simultaneamente à informação a ser gravada.

Essas fitas de papel, normalmente de papel Mylar, uma vez perfuradas passam a comportar-se como meras memórias de só leitura (ROM — "Read Only Memory").

Cada canal de informação da fita contém uma informação binária (O ou 1), de forma que numa fita de 8 canais a palavra de informação também contém 8 bits, mantendo constante a sua largura em 1" (2,54cm). Além disso, a perfuração de arraste é deslocada em direção a uma das extremidades, de forma que a fita não pode ser lida se colocada no leitor pela outra face — vide figura 1, a qual também mostra que os furos de arraste apresentam diâmetro menor que os destinados à informação.

A fita de 8 canais está utilizando-se cada vez mais para uso internacional e também para o tráfego telegráfico. A vantagem dos oito níveis é que ele pode utilizar-se para a verificação de erros mediante o processo de paridade ou qualquer outro método. O processo de paridade, como é sabido, consiste em dispor um bit adicional para fazer com que a quantidade de bits da informação seja sempre par qualquer que seja a codificação (paridade par); ao contrário, a paridade ímpar se baseia em ter-se sempre uma quantidade ímpar de bits 1 em qualquer informação do código utilizado.

Usualmente, nas fitas de 8 níveis se utiliza o código EBCDIC, enquanto o código ASCII é empregado quando o oitavo bit é utilizado como bit de comprovação.

 


 

 

Na fig. 2 vê-se uma fita de papel perfurada, a qual utiliza 8 canais e o código ASCII. Reparar à esquerda, o corte em V proporcionado pelo usuário para melhor inserção da fita na máquina leitora/perfuradora; ainda à esquerda dessa figura pode-se perceber os furos da trilha de arraste 1 e ao lado direito a sua ausência, tal como se apresenta a fita virgem.

No detalhe da fig. 3 percebe-se que a trilha superior corresponde ao bit de paridade par para este caso (canal 8); o canal 7 imediatamente abaixo corresponde ao MSB do ASCII enquanto, é óbvio, o canal inferior (canal 1) corresponde ao LSB do código utilizado.

A primeira informação registrada nessa fita, fig.3, corresponde à letra A cuja codificação em ASCII é 1000001, e porque a quantidade de bits 1 é par, nenhuma perfuração é feita no canal 8 da fita. A segunda informação lida através da fig. 3 é 1000010, isto é, a letra B; a terceira corresponde à letra C (1000011 em ASCII) e como a codificação apresenta um número ímpar de bits 1; é perfurado o bit de paridade. A próxima informação corresponde à letra D e assim por diante até a letra Z do alfabeto, após da qual tem-se a informação binária 0100000, a qual corresponde, em ASCII, a espaço (SP — "space"); a partir deste momento foram codificados os dez dígitos decimais a partir do 1 e mais um punhado de símbolos.

 

 

 

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