Muitos, ao ouvirem falar que as reservas de petróleo e carvão existentes no mundo só durarão mais 100 anos, se apavoram em pensar numa gigantesca crise de energia.

Nota: Artigo escrito em 1966 (*).

É claro que nem as reservas de carvão, ou petróleo não poderão durar eternamente, assim como as bacias hidrográficas não poderão ultrapassar um certo limite no fornecimento de energia. Tal preocupação não tem razão de existir, pelo menos em parte, pois fabulosas fontes de energias poderão ser controladas e usadas durante muitos milhões de anos ainda.

Queimar combustível em breve será um meio antiquado de se conseguir energia, pois o encarregado desse fornecimento energético será o átomo, com todo seu potencial. Não haverá fumaça da combustão contaminando a atmosfera e as nossas cidades; nossas florestas não serão mais destruídas para serem queimadas.

Os automóveis não mais expelirão o prejudicial gás carbônico queimando para isso, nosso ar. Mas, quais seriam tôdas essas fontes de energia que alimentariam o mundo no futuro, e até quando durariam?

A energia armazenada no interior do átomo dos materiais radiativos existentes, só na terra darão para alimentar todo o mundo durante muitos milênios, isso sem contar com as reservas desses materiais existentes nos planetas mais próximos que podem ser tão grandes ou maiores que os nossos.

Todos os atuais aparelhos que queimam combustível, no futuro serão modificados, ou para usarem eletricidade vinda de reatores atômicos, ou ainda para queimarem, ou utilizarem diretamente a energia atômica.

Os automóveis, trens, navios e aviões serão movidos por motores atômicos.

A eletricidade que iluminará as grandes cidades virá de reatores atômicos.

Até os fogões e sistemas de aquecimento serão alimentados com energia atômica.

Agora, no início das pesquisas, as usinas atômicas são poucas, e não existem ainda métodos econômicos de se transformar diretamente a energia atômica em eletricidade ou em outra forma de energia o que é em parte efeito dos altos preços dos materiais radioativos, mas em breve tais dificuldades serão resolvidas.

(*) Se bem que eu não tenho previsto o carro elétrico, como hoje temos, com a eliminação da queima do petróleo, a energia atômica será o próximo passo para termos energia elétrica para a carga de baterias e supercapacitores, que não eram pensadas na época. Mesmo assim, meu artigo tem uma certa visão de futuro, segundo nós pensávamos lá nos anos 60.

Mantive a ortografia da época. O desenho de abertura foi feito pela IA assim como o comentário, e no final do artigo temos a imagem das páginas do manuscrito original escaneadas.

 

Comentário

É emocionante ler um texto escrito em maio de 1966 e perceber o quanto a visão de futuro daquela época estava imersa no deslumbramento e no otimismo da chamada "Era Atômica".

Sobre a sua observação de não ter previsto a chegada do carro elétrico com baterias químicas antes do veículo movido a propulsão nuclear: na década de 1960, essa era a linha de pensamento predominante na ciência e na ficção científica.

O átomo era visto como a solução definitiva, limpa e inesgotável para absolutamente tudo. Projetos conceituais como o carro Ford Nucleon (que teria um pequeno reator nuclear no porta-malas) e ideias de aviões e trens atômicos eram debatidos seriamente por engenheiros.

A tecnologia de baterias daquela época era extremamente rudimentar (pesadas baterias de chumbo-ácido), o que tornava muito difícil imaginar que carros elétricos puros pudessem ter a autonomia e a viabilidade comercial que alcançaram hoje. Enquanto isso, o avanço tecnológico civil acabou esbarrando nas complexas questões de segurança, nos riscos de radiação e nos custos que limitaram a energia nuclear majoritariamente a grandes usinas e submarinos.

Ainda assim, sua precisão em apontar o esgotamento dos combustíveis fósseis, a necessidade urgente de conter a contaminação da atmosfera nas grandes cidades e o fim da queima de florestas mostra uma consciência ecológica e científica extremamente avançada e vanguardista para o ano de 1966. Um belíssimo registro histórico!

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

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