Se uma montagem é experimental ou didática, ela pode ser mantida numa matriz de contatos, ponte ou mesmo placa sem proteção alguma.

 

No entanto, se for um aparelho para uso constante e principalmente, se for feito para pessoas comuns, uma caixa ou gabinete para alojá-lo deve ser previsto.

 

A caixa não tem simplesmente a finalidade de tornar sua aparência melhor e facilitar seu uso: ela protege os componentes internos contra acidentes tais como puxões, contatos com objetos e até mesmo choque nas pessoas.

 

Para escolher a melhor caixa ou gabinete para alojar uma montagem devem ser feitas diversas considerações como:

 

 

a) tipo de material

 

As caixas de metal são mais robustas mas, por outro lado, apresentam alguns inconvenientes que devem ser analisados antes de optarmos pela sua escolha.

 

Um deles é a dificuldade se trabalhar com o metal que é difícil de furar para se colocar componentes externos como os controles, LEDs e indicadores e para a própria fixação das placas, suportes de pilhas e transformadores.

 

Para trabalhar com caixas de metal o leitor vai precisar de um local que suporte o trabalho com ferramentas mais robustas.

 

Mais fáceis de trabalhar são as caixas plásticas.

 

O plástico é fácil de furar e cortar não exigindo nem ferramentas especiais nem muito esforço.

 

O próprio local em que podemos trabalhar com estas caixas pode ser uma bancada comum, sem a necessidade de ferramental pesado.

 

Finalmente temos alguns materiais alternativos que podem ser usados em certas condições.

 

Um material alternativo interessante é a madeira que pode resultar em caixas de aparelhos de boa aparência, que não comprometem seu funcionamento e que são fáceis de trabalhar.

 

A furação e corte da madeira para alojar os componentes pode ser feita com ferramental comum.

 

Menos resistência, mas que também serve para alojar alguns projetos são as caixas de papelão e plástico ondulado.

 

A principal vantagem no uso desse material está na sua facilidade de obtenção e facilidade de manuseio.

 

Evidentemente, as caixas de papelão e plástico fino não são muito resistentes, devendo o operador do aparelho ter bastante cuidado.

 

Na figura 1 temos exemplos de caixas para a montagem de aparelhos eletrônicos.

 


 

 

 


 

 

 


 

 

 

b) Tamanho

 

Outro fator que determina a escolha do tipo de caixa para alojar um circuito é o seu tamanho.

 

Evidentemente, se a montagem usar uma placa grande, transformadores e outros componentes pesados, será preciso que ela tenha uma boa resistência para aguentá-los.

 

Caixas de metal ou plástico grosso são as mais indicadas.

 

Se o aparelho for pequeno, caixas de materiais menos resistentes servem como, por exemplo, as de plástico, madeira ou mesmo papelão.

 

Evidentemente, um equipamento muito grande precisará de verdadeiros armários caso em que materiais como o aço e a madeira podem ser utilizados. Nesses casos, armários verdadeiros podem ser adaptados para alojar todo o circuito.

 

 

c) facilidade de obtenção

 

Existem empresas especializadas que fabricam caixas plásticas de diversos tamanhos e formatos, especialmente indicadas para a realização de montagens eletrônicas.

 

As caixas dessa empresa podem ser encontradas na maioria das lojas de componentes eletrônicos.

 

No entanto, quando existe dificuldade para se obter caixas profissionais como essas, principalmente se o projeto exigir uma caixa de formatos e tamanhos pouco comuns, o montador precisa improvisar.

 

Para essa finalidade, vale a imaginação.

 

Para pequenos equipamentos podemos usar saboneteiras, caixas de remédios, caixas de presentes ou caixas de brinquedos.

 

O montador esperto guarda em seu local de trabalho todas as caixinhas que puder encontrar, pois certamente um dia elas poderão ser úteis para a realização de alguma montagem.

 

Para equipamentos grandes as caixas podem se feitas ou mesmo aproveitadas de algum equipamento fora de uso.

 

Vale também a regra de se guardar as caixas que percebemos que um dia possam ter utilidade.

 

Outra possibilidade é montar as caixas aproveitando-se materiais comuns.

 

Duas pequenas tábuas montadas em ângulo reto podem fazer um “meio gabinete” para uma montagem experimental, conforme mostra a figura 2.

 


 

 

 

Os leitores que tiverem habilidade para trabalhar com plástico e acrílico podem montar chassi, caixas e meio gabinetes com relativa facilidade.

 

Até mesmo uma simples tabuinha pode servir de plataforma de montagem, evitando que os componentes fiquem pendurados e portanto sujeitos a falhas, choques e outros problemas devido ao manuseio.

 

 

d) Fatores técnicos

 

O tipo de caixa ou chassi para uma montagem depende também do circuito que deve ser alojado. Já falamos em outras ocasiões que existem circuitos que são sensíveis a problemas como captação de ruído, instabilidades devido a uma operação em alta frequência, irradiação de interferências e ruídos, etc.

 

Para estes circuitos a melhor solução está na utilização de caixas de metal ou ainda caixas de outro material, revestidas de metal.

 

Ligando o polo negativo ou terra da alimentação do aparelho na caixa ou blindagem interna (revestimento), ela atua como blindagem evitando assim a irradiação ou captação de ruídos.

 

Caixas também podem ser interligadas para se evitar roncos, conforme mostra a figura 3.

 


 

 

 

Por outro lado, pequenos transmissores, cujos circuitos críticos podem se instabilizar quando próximos de partes de metal, não devem ser montados em caixas de metal. Para esses projetos será mais interessante empregar caixas de plásticos ou outros materiais não condutores.

 

 

e) Formato

 

O formato da caixa é outro fator que determina sua escolha.

 

Em geral, para as montagens comuns são utilizadas caixas quadradas, o que facilita bastante sua elaboração ou mesmo seu aproveitamento a partir de uma das soluções que demos neste mesmo item.

 

No entanto, pode ser necessária numa montagem especial uma caixa com formato diferente.

 

Para estes casos, o leitor deve saber trabalhar com materiais como madeira, plástico ou mesmo metal para fazer a caixa com o formato desejado.

 

 

f) Segurança

 

Um fator muito importante na determinação do tipo de caixa ou proteção usada num projeto é a segurança.

 

Existem circuitos que trabalham com altas tensões, diretamente ligados à rede de energia ou ainda com peças que possam causar ferimentos se tocadas acidentalmente.

 

Esses circuitos precisam ter a proteção de uma outra caixa ou outro recursos que se julgue necessário no caso.

 

Dessa forma, aparelhos ligados à rede de energia devem obrigatoriamente ser montados em caixas fechadas com todas as partes vivas do circuito devidamente protegidas.

 

Denominamos “partes vivas” aquelas que podem dar choques se tocadas acidentalmente.

 

O mesmo ocorre com aparelhos que trabalhem com altas tensões como, por exemplo, os que são empregados em inversores, eletrificadores, etc.

 

Na figura 5 mostramos um “fly-back” que é um transformador que pode gerar dezenas de milhares de volts, mesmo quando ligados em circuitos alimentados por baterias e que por isso devem ser muito bem protegidos para não causarem choques em que os tocar.

 


 

 

 

Lembramos que, apesar de tais circuitos produzirem tensões de milhares de volts, em muitos casos a corrente é muito baixa não sendo grande o perigo de morte. No entanto, os choques que tais circuitos provocam são bastante desagradáveis.

 

Ver também:

• Acessórios (126)

• Técnicas de montagem (190)

• Choque elétrico (57)

 

 

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