Maker, inventor ou cientistas (ART4366)

Estamos passando por uma forte transição no modo de vida de todas as pessoas do mundo, acelerado pela pandemia que nos assola no momento em que escrevo este artigo. Ocorrerá uma disruptura, em que nossos costumes antigos serão totalmente esquecidos e partiremos para uma nova era em que os costumes serão outros. Neste artigo, focalizamos o que, segundo nosso ponto de vista, isso significará para a ciência e para a tecnologia.

No passado, no início do século XX, e mesmo um pouco antes, era comum que pessoas comuns ou mesmo cientistas montassem os laboratórios de pesquisas em suas casas, garagens ou num galpão em suas proximidades.

Do trabalho dessas pessoas, chamadas de inventores, saíram muitas descobertas e inovações. A ciência e a tecnologia da época permitiam que as pessoas tivessem ao seu alcance as ferramentas básicas para descobrir, criar, desenvolver ou mesmo industrializar algo novo.

Muitas das inovações científicas e que depois foram aproveitadas em inovações tecnológicas saíram das mãos dessas pessoas que podemos classificar hoje em três categorias.

Os makers da época, ou os adeptos do DiY (Do it Yourself) ou faça você mesmo que a partir de coisas conhecidas montavam usando tecnologia para seu próprio uso ou mesmo para vender.

Naquela época era comum que pessoas comprassem kits de rádios e amplificadores para montar e vender para os conhecidos. Muitos técnicos de reparação ganharam dinheiro dessa forma. Aproveitavam a habilidade que tinham na montagem para vender um produto comprado em kit, que nas lojas custaria mais caro.

Os inventores, que eram aquelas que baseados nos conhecimentos técnicos principalmente e um pouco menos nos científicos, desejavam criar algo totalmente novo. Descobrir configurações mecânicas, produtos químicos, remédios, e muito mais que poderia torná-los ricos, ou revolucionar o mundo.

Em seus laboratórios procuravam “inventar” o motor que não precisava de combustível (moto perpétuo), transmitir energia através do espaço (Tesla), criar xarope para tudo (Xarope de Urânio – veja artigo MA133) nos casos em que não deram muito certo, até os casos que deram certo como Tomas Edison que brindou o mundo com uma infinidade de invenções.

Veja que esses inventores, na sua maioria eram pessoas que tinham muito mais habilidade do que conhecimento científico não raro, fracassando por interpretar de forma errada princípios científicos muito bem estabelecidos.

A terceira categoria era a dos verdadeiros cientistas. Naquela época, bastava ter um pouco de dinheiro para montar em casa um laboratório de química ou mesmo de biologia com todos os recursos disponíveis então.

As descobertas poderiam ser feitas, bastando que o responsável tivesse uma boa formação científica. E desta forma, não foram poucos que se deram bem descobrindo coisas novas, novos princípios que poderiam ser usados pela tecnologia, medicina, biologia, etc.

Com o tempo a categoria do faça você mesmo, do maker e dos inventores começou a declinar. A dos cientistas teve uma transformação que foi sua passagem para os laboratórios das grandes empresas, centros de pesquisas e das universidades.

O cientista deveria ter uma formação muito sólida em sua área, tendo doutorado em instituições de renome e trabalhar seguindo normas muito bem estabelecidas para que seu trabalho fosse reconhecido e utilizado.

Essa separação está agora levando a uma transformação que pode fazer com que essas categorias mudem novamente de lugar e de abordagem.

Podemos tomar como exemplo a ciência da computação. O cientista da computação trabalha num universo virtual em que a entrada pode estar em sua casa. Assim, seu computador é o seu laboratório e estando em qualquer parte do mundo ele pode acessar tudo que tem mundo. A ferramenta única além do computador é o seu cérebro.

Este conceito está passando para outras categorias de inovadores: os makers (fazedores), os inventores e os cientistas.

Os makers que antes precisavam ter uma oficina bem equipada com recursos para cortar, dobrar, soldar e muito mais, com ferramentas caras e grandes, podem antes trabalhar em sua mesa com placas de desenvolvimento, avaliação, mandar fazer as placas de seu produto, comprar pela internet e mandar fabricar em qualquer parte do mundo, colocando-o à venda em todo o mundo por lojas virtuais.

Os inventores contam com poderosos recursos para criar coisas totalmente novas, desde o desenvolvimento de produtos nunca antes imaginados baseados em coisas existentes como recursos para criar componentes e peças que ainda não existem. O laboratório pode ser trazido para o apartamento ou casa.

Finalmente, os cientistas além de recursos para a realização de experimentos também contam com ferramentas virtuais de simulação que lhes permitem visualizar um processo que ocorre num intervalo de tempo muito grande, em poucos minutos.

No entanto, a formação científica ainda é necessária e outras disruptura que ocorre neste campo é a chegada do ensino à distância (EAD). Você pode fazer um curso de eletrônica, física, biologia, química, matemática sem sair de casa e se tiver o domínio da língua inglesa, até mesmo em outros países. Instituições como o MIT oferecem cursos de física quântica para quem puder pagar e acompanhar e em alguns casos até mesmo cursos gratuitos.

É um novo mundo em que qualquer um pode fazer qualquer coisa e sem necessidade de investimentos altos, sair de casa ou contar com um apoio que depende de pessoas e instituições que nem sempre estão dispostas a lhe ajudar.

Pensem nisso e se prepararem para uma nova era.

 

 

 

 

 


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