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Erros comuns no uso do multímetro (INS052)

Os multímetros são instrumentos de grande utilidade na bancada do eletrônico, podendo servir para praticamente qualquer tipo de teste em circuitos e componentes. No entanto, para saber aproveitar todas as possibilidades do multímetro, o leitor precisa estar atento para não cometer erros comuns. Esses erros não só podem levar à conclusões erradas sobre o estado de um componente ou circuito como até danificar de modo irreversível seu precioso multímetro. Veja nesse artigo quais são os erros mais comuns no uso de um multímetro.

Os multímetros são instrumentos delicados e também precisos. O uso indevido pode levar a duas conseqüências bastante desagradáveis para os seus possuidores. O multímetro pode queimar ou sofrer danos irreparáveis ou ainda as indicações que ele dá podem ser afetadas e portanto ser imprecisas ou totalmente erradas.

Assim, damos a seguir alguns erros comuns no uso do multímetros com suas conseqüências:

 

a) Medir corrente em lugar de tensão

Muitas pessoas que julgam entender muito de eletrônica, confundem corrente com tensão e aí está o grande perigo!

Numa tomada de energia não existe corrente. O que existe é tensão. A corrente só vai circular quando alguma coisa é ligada a essa tomada e ela o alimenta. Essa corrente vai depender da resistência que o dispositivo alimentado apresenta.

Assim, o que se mede numa tomada é a tensão. Se o "técnico"  for medir a corrente (que não existe), o multímetro será colocado numa condição de muito baixa resistência, ou seja, ele será um curto circuito!

O resultado é óbvio. Ao ser ligado na tomada, a corrente circulante será extremamente alta causando sua queima imediata, conforme mostra a primeira Trapalhada do Eltron.

 

 

Em suma, se você tem amor ao seu (caro) multímetro, nunca tente medir "correntes" de fontes de alimentação de qualquer tipo...

 

b) Medir resistências num circuito ligado

Medir a resistência de um componente de um circuito ligado pode ter duas conseqüências. A primeira é que certamente, a corrente no circuito vai afetar a leitura e o valor da resistência lido não corresponde à realidade.

A segunda, mais perigosa, é que a corrente circulante no circuito pode causar danos no multímetro.

 

c) Utilizar escalas erradas

Muito cuidado para não medir tensões com o multímetro ajustado para a escala de correntes ou de resistências. A tensão pode ser suficiente para causar danos ao instrumento.

Nunca mude de escala com as pontas de prova no circuito. Desligue-as sempre antes de escolher uma nova escala.

Evidentemente, isso não é válido para os instrumentos que possuam comutação automática de escala.

 

d) Não observar a impedância do circuito e a sensibilidade do instrumento

Muitas vezes o profissional é levado a medir a tensão num circuito que apresenta uma impedância muito alta (circuitos de altas resistência como polarização de transistores). Se o multímetro tiver pequena sensibilidade ele afetará a tensão no circuito e o valor lido muito menor que o real.

Um caso comum é o mostrado na figura 1 em que se tenta medir a alta tensão de um multiplicador com um multímetro comum.

 

 

A tensão em aberto do circuito supera os 600 V, mas ao se conectar o multímetro, a tensão cai para menos de 50 V e esse será o valor lido.

 

 

e) Não levar em conta as características particulares do circuito medido

Isso pode ocorrer, por exemplo, quando se mede a resistência de um circuito que tenha um diodo ligado em série, conforme mostra a figura 2.

 

 

Os diodos não são componentes ideais que apresentam sempre uma resistência muito baixa quando polarizados no sentido direto. Quando polarizados com a baixa tensão aplicada por um multímetro comum, sua resistência pode ser de centenas ou mesmo milhares de ohms. Assim, no circuito mostrado não medimos apenas a resistência do resistor em série, mas também essa resistência, com uma "falsa" indicação de que o resistor pssa estar aberto.

O mesmo ocorre se existir qualquer outro tipo de junção no circuito, mesmo que polarizada no sentido direto, conforme mostra a figura 3.

 

 

f) Componentes não lineares

Um outro erro muito comum é julgar que a resistência medida num componente deve ser aquela que calculamos quando ele está em funcionamento normal.

É o caso de uma lâmpada incandescente que consiste num dipolo não linear, conforme mostra a sua curva característica na figura 4.

 

 

Se temos uma lâmpada de 12 V x 0,5 A, a sua resistência em funcionamento normal pode ser calculada como 12/0,5 = 24 ohms.

No entanto, se formos medir essa resistência com um multímetro, conforme mostra a figura 5, poderemos ter a surpresa de encontrar um valor muito menor.

 

 

Isso ocorre porque a frio, o filamento se encontra contraído e sua resistência é muito menor. Outros componentes que têm suas potências especificadas para o funcionamento normal, tais como elementos de aquecimento também apresentam o mesmo comportamento. A resistência medida à frio não é mesma que ele apresenta em funcionamento normal. Até mesmo resistores de fio que operem numa temperatura mais elevada apresentam esse comportamento que deve ser levado em conta ao se medir sua resistência com um multímetro.

 

 

Conclusão

Alguns pequenos cuidados ao se usar o multímetro e a observação de que podemos estar sendo enganados pelo modo como uma medida é feita, nos garantem um bom uso para esse instrumento.

Fazendo as coisas certas você não apenas garante que as medidas realizadas são confiáveis como também que o seu multímetro nunca será danificado por um erro grave.

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