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Mercado de Invenções (ART4353)

No dia 09 de outubro de 1986 o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Mauro Arruda, afirmou que apesar dos esforços do governo e de algumas empresas para reduzir a importação de tecnologia, ainda é grande o desconhecimento dos empresários quanto à importância do desenvolvimento tecnológico e do seu sistema de patentes: "É preciso usar plenamente as vantagens do sistema internacional de patentes", disse Mauro Arruda ao encerrar o 5. Seminário de Propriedade Industrial, em Belo Horizonte. Neste artigo de Newton Braga, a revista Mecânica Popular discute alguns dos problemas mais comuns que impedem que uma nova invenção chegue ao público, na forma de um produto industrializado.

A maioria dos inventores não encontra quem industrialize seus inventos por absoluta falta de contato com os interessados. Este é um problema que pode ser solucionado com uma integração maior entre empresários e inventores e que pode ser conseguida através de meios apropriados de divulgação.

Na França são registradas anualmente mais de 11.000 patentes de invenções, das quais apenas 700 ou 800 são negociadas, passando a render royalties aos seus criadores.

Alarmados com a pequena quantidade de negócios realizados, em vista da grande quantidade de patentes disponíveis, os franceses procuram, assim como nós, uma solução imediata para o problema - mas isso não é fácil. Por que apenas uma proporção tão pequena de inventos chega aos empresários para ser colocada em produção?

A principal causa que tem gerado a inexistência da comercialização de inventos em nosso país é a falta de contato (intercâmbio) entre os possíveis compradores de invenções (empresários) e os inventores. Outra causa, e esta, mais grave, é a própria filosofia da maioria das empresas que pode ser resumida numa espécie de isolamento tecnológico. Ao contrário do que ocorre no Japão, onde qualquer inovação que signifique um avanço tecnológico é logo adquirida, não importando a sua origem, o empresário ocidental tem um preconceito, sentindo-se "diminuído" se tiver que contar com uma tecnologia que não seja desenvolvida em sua própria empresa. Tais empresários não admitem "ceder" a um freelancer ou a uma empresa de menor porte na aquisição de tecnologia.

Podemos, talvez, encontrar nestes fatos a grande diferença que existe entre o avanço tecnológico por que passa o Japão em relação a outros países ocidentais! No Brasil a situação não deve ser diferente de outros países que dependem, em grande parte, de tecnologia importada.

Certamente as invenções existem e muitas podem ser tão boas ou até melhores que as estrangeiras, mas os inventores estão "isolados" dos grandes empresários. Os inventores não têm como mostrar as suas invenções, assim como os empresários não têm como manifestar suas necessidades, gerando com isso um trabalho mais objetivo em busca de soluções. Não resta dúvida que a filosofia "o que é de fora é melhor" ainda toma conta das mentes de muitos de nossos grandes empresários que poderiam, inclusive, encontrar soluções boas e baratas fazendo uso do que a mente do inventor brasileiro pode criar.

Isolamento ou importação, estas duas posições não só impedem o avanço tecnológico como também desestimulam aqueles que poderiam desenvolver-se por suas aptidões, no campo da pesquisa, que tanto necessitamos. O que muitos empresários esquecem é que nem sempre se pode investir muito numa pesquisa que pode levar anos para dar bons resultados, e que a maioria das empresas não possui nem tempo nem dinheiro para isso, sem falarmos nos campos de trabalho que não correspondem àquele da empresa interessada.

Uma indústria de produtos alimentícios ou brinquedos pode perfeitamente precisar de uma solução no campo das embalagens, uma indústria química pode precisar de uma solução eletrônica ou mecânica para a produção de determinado composto.

Uma alegação comum de empresários consultados sobre a necessidade de compra e venda de patentes é que eles "não negociam patentes". Baseados nisso, eles dirigem os trabalhos de seus laboratórios apenas para as soluções de seus próprios problemas. Mesmo quando acidentalmente surge a descoberta num novo campo, ou surge uma nova ideia de pesquisa, estas são imediatamente postas de lado por não atenderem às necessidades imediatas da empresa. "Não negociamos com patentes!"

Um primeiro passo para a solução desses problemas seria a união dos inventores em associações que possuíssem um meio forte de divulgação de seus trabalhos junto aos empresários. Mas, ao mesmo tempo, os empresários devem estar preparados para aceitar soluções que venham desta fonte, o que não parece ser muito fácil.

O perfeito entrosamento dos dois grupos poderia perfeitamente levar a descobertas de soluções úteis para os empresários e o direcionamento dos trabalhos dos inventores para coisas que pudessem ter um interesse imediato e, com isso, um lucro garantido.

É claro que no meio de tudo isso vem um fator importante que precisa ser considerado, que é a verba para a pesquisa. Não é preciso dizer que uma verba para desenvolvimento de novas técnicas, quando bem aplicada, gera lucros muitas vezes maiores que o investimento. Se em nosso país as verbas para as instituições oficiais de pesquisa já são reduzidas, para os pesquisadores particulares e inventores, elas nem sequer existem.

O que fazer diante de tantos obstáculos?

 


 

 

O estímulo ao inventor brasileiro deve vir em primeiro lugar no que tange à realização de bons negócios, e o primeiro passo para isso é chegar aos interessados em potencial. A divulgação das invenções é, portanto, essencial e, por isso, ela deve ser feita pelo veículo certo.

Visando dar um apoio maior aos inventores nacionais, que podem trazer um desenvolvimento tecnológico próprio (com o conhecido "jeitinho brasileiro"), a Revista Mecânica Popular terá, sempre, uma seção totalmente dedicada aos inventos nacionais e, também, aos estrangeiros como fonte de estimulo.

Divulgando inventos brasileiros e estrangeiros, e também ideias e sugestões de empresários, Mecânica Popular pretende criar um intercâmbio que, certamente, terá como resultado a solução para os mais diversos problemas técnicos de empresas e inventores nacionais.

A seguir damos uma pequena amostra do que pensamos fazer.

 

MUROS EM KIT PARA MONTAR

Por que perder tempo e dinheiro com mão-de-obra para levantar um muro tijolo por tijolo, agora que se pode contar com os "Muros em Kit", graças a uma técnica desenvolvida pela Minanbloc?

Cada Minanbloc comporta diversos tijolos em tal disposição que o encaixe em outro Minanbloc é perfeito. A fixação é feita com uma camada, de 2 a 3 milímetros de espessura, de uma cola especial aplicada na superfície do bloco previamente umedecida.

Com a utilização desta técnica, muros podem ser construídos com uma surpreendente rapidez.

 

Produto industrializado. Distribuído por Société Boisseaux et Minangoy, 49310 - Vihers - França.
Produto industrializado. Distribuído por Société Boisseaux et Minangoy, 49310 - Vihers - França.

 

 

VEÍCULO ELÉTRICO INDIVIDUAL

Este veículo (foto) foi desenvolvido pelo conhecido escritor técnico inglês Clive Sinclair. Depois de ter feito fortuna com sua calculadora e com a TV de bolso, partiu para o mercado de microcomputadores com vendagem de mais de um milhão de seus ZX 81 e ZX Spectrum.

Agora Clive se coloca à frente da Sinclair Vehicle Limited, para conquistar o mercado do transporte individual com ambições que dão o que falar!

"Até agora o principal problema dos veículos elétricos é a bateria, muito pesada e volumosa para um automóvel reduzido. Nossa pesquisa consiste em desenvolver um novo conceito com as baterias já existentes", declara Clive Sinclair.

O chassi em aço na forma de Y constitui a infraestrutura deste triciclo sem suspensão. Ele é dotado de uma carroceria monoposto, formada por duas peças de polipropileno moldadas por injeção, formando o assento. São usados pedais em lugar da direção acoplados à roda diretriz. Os freios são a tambor na roda direita traseira e existe um contato para colocar o motor em ação. Os pés ficam livres para manobras, e em caso de necessidade, para movimentar o veículo. Cada volta do pedal permite movimentar o veículo três metros.

A pequena bateria chumbo--ácido de 15kg e 35 A/h alimenta um motor elétrico de fabricação da Polymotor (filial da Philips), permitindo uma autonomia de 30km a uma velocidade de 25km/h (máximo). A transmissão é por correia na roda traseira esquerda.

Quando o contato do motor é desligado, o veículo funciona em regime de roda livre.

O veículo possui também um pequeno porta-malas, um dispositivo de iluminação e de sinalização e uma série de acessórios opcionais, como retrovisores, pisca-pisca, roupas de chuva etc.

Mas são certamente as ambições comerciais da Sinclair que trazem perplexidade: a legislação britânica determina que os veículos desse tipo não devem pesar mais de 60kg nem devem exceder a 24 quilômetros/hora de velocidade e podem ser conduzidos sem licença por pessoas de mais de 14 anos. Sinclair acha que pode produzir 100.000 unidades por ano de seu veículo e vendê-las por aproximadamente Cr$ 3.990.000 cada unidade.

O veículo deverá também ser exportado para a França, Itália, Alemanha Ocidental e Países Baixos.

Sinclair pretende convencer os usuários das minis viaturas a empregá-las em pequenos deslocamentos urbanos e como alternativa para os jovens que se utilizam de motos.

 

 

TRIPÉ PARA CHURRASCO

A concepção do aparelho permite uma regulagem muito precisa da altura da grelha, que pode ser alterada a qualquer momento, em função da altura do fogo, eliminando riscos de queimar o churrasco.

 


 

 

Este tripé pode ser igualmente usado em recipientes que tenham brasas ou mesmo em lareiras. As vantagens nestes casos são as mesmas, com a possibilidade de regulagem da altura.

A grade ou grelha é mantida sobre o braseiro por três correntes ligadas a um cordão, sua regulagem é feita por esse cordão que corre por dentro de um dos pés e sai pela sua extremidade. Dois tripés podem ser acoplados para a utilização de uma grelha maior, retangular. O tripé é ultraleve, pesa 700 gramas e é inteiramente de alumínio.

Os pés têm montagem pivotante em torno de suporte comum, podendo ocupar duas posições: uma quando aberto para receber o assado e outra fechado para transporte ou armazenamento. O tripé é indicado para ser utilizado em excursões, picnic, no camping, em pescarias, em lareiras etc.

 

UMA TENDA, CAIAQUE OU MOCHILA?

Esta canoa-caiaque pesa apenas 12 quilos e se transforma, em questão de minutos, em mochila ou tenda. Na versão canoa suporta facilmente o peso de duas pessoas e possui ponta de proteção. Sua rigidez e formato garantem uma excelente performance dentro da água. Quando transformada em tenda, abriga, também, duas pessoas confortavelmente. A transformação em mochila facilita muito o transporte.

 


 

 

 

A estrutura é constituída, essencialmente, a partir de uma folha de polipropileno de 2mm de espessura, 4,4m de comprimento e 1m de largura. As três versões são obtidas a partir de uma dobra particular da folha, os remos também funcionam como suporte da tenda. O material utilizado na estrutura é de grande resistência e durabilidade.

Para os esportistas esta canoa abre novas perspectivas pois, além de ser bem leve, tem outras importantes utilidades que diminuem o transporte de equipamentos. Informações: Jean Salins, 81 - Rue Émile--Zola, 13009 - Marseille França.

 

Nota de 2020: o mundo mudou e hoje, a procura de alguém para industrializar um produto, salto em poucos casos, não existe mais. Estamos no mundo maker em que os próprios inventores fabricam seus produtos e isso está cada vez mais comum.

 

 

 

 

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