Propagação das Ondas de Rádio (TEL218)

As ondas de rádio abaixo dos 250 MHz têm um comportamento que depende muito de certas condições ligadas ao ciclo dia-noite e também ao comportamento da ionosfera. Se o leitor trabalha com sinais de rádio nessa faixa é importante saber como cada faixa de frequências se comporta. Esse artigo mostra esse comportamento.

Em torno da terra existe uma camada ionizada cuja formação depende muito das partículas eletrizadas enviadas pelo sol. Dessa forma, essa camada que se situa entre 80 e aproximadamente 300 km tem um comportamento ligado ao ciclo do dia-noite além da presença de manchas solares.

A figura 1 mostra a ionosfera com suas divisões e o modo como ela pode refratar e refletir os sinais de rádio.

 

 

 

 

As faixas de ondas de rádio mais afetadas pelo comportamento da ionosfera além de outros fatores que veremos são as que estão abaixo dos 250 MHz.

Dessa forma os fatores que influem no comportamento dos sinais de rádio são:

Radiação solar

Comportamento da ionosfera

Formato da terra

Frequência do sinal

 

Analisamos agora esse comportamento por faixas:

 

100 a 400 kHz

Dia e Noite – O alcance deste tipo de sinal depende basicamente da potência da estação. Podem ser conseguidos alcances muito grandes com potências elevadas.

 

400 a 1 500 kHz

Dia – Neste caso, a onda terrestre não vai além de uns 300 km, mas em condições especiais, conseguem-se alcances elevados, da ordem de 1000 km.

 

Noite – A reflexão em determinadas camadas da ionosfera permite que saltos do sinal ocorram caso em que eles podem ser recebidos a distância de mais de 1 000 km.

 

1,5 a 3 MHz

Dia – A onda terrestre predomina, mas pode se obter alcances elevados contando-se com a reflexão na ionosfera. Nessa caso os sinais podem alcançar mais de 1 000 km.

 

Noite – As condições de propagação influem muito nessa faixa, sendo conseguidos alcances elevados sob condições favoráveis, com a reflexão na ionosfera.

 

3 a 8 MHz

Dia/Noite – Propagação semelhante à faixa anterior, mas com mais segurança até distâncias da ordem de 1 000 km, principalmente durante à noite.

 

8 a 15 MHz

Dia – A onda terrestre tem grande absorção não servindo para comunicação local. Essa faixa, entretanto, pode ser usada para comunicações a longas distâncias.

 

Noite – Muito boa para comunicações à longas distâncias, mas depende muito das condições atmosféricas e também da época do ano.

 

15 a 25 MHz

Dia – Como no caso da faixa anterior, é boa para comunicações à longas distâncias, mas bastante influenciada pelas condições do tempo.

 

Noite – Usada na comunicação à longas distâncias, sendo influenciada com facilidade pelas condições do tempo e também pelas estações do ano.

 

25 a 45 MHz

Dia – Muito sujeita às condições do tempo, havendo momentos em que permite a comunicação à longas distâncias.

 

Noite – Usada unicamente nas comunicações locais.

 

45 a 120 MHz

Dia/Noite – Usada somente nas comunicações locais (linha visual), havendo, entretanto, aberturas excepcionais em que podem ser feitas comunicações à longas distâncias. A ocorrência de bolsas de ar quente na troposfera pode facilitar a propagação desses sinais a distâncias elevadas, como mostra a figura 2. O alcance está limitado a uns 200 km ou pouco mais, dependendo da topografia local.

 

 

 

 

120 a 250 MHz

Dia/Noite – Também neste caso, somente usada em comunicações locais (linha visual), sendo as abarturas para distâncias maiores pouco freqüentes.

 

Observação

O sol apresenta um ciclo de 11 anos em que temos um máximo de manchas solares e também um mínimo. Quando as manchas se reduzem aumenta a atividade elétrica do sol e com isso a ionosfera da terra é bastante afetada assim como toda a atmosfera por onde se propagam os sinais de rádio.

Assim, a cada 11 anos a terra passa por um máximo de atividade solar em que as telecomunicações, principalmente as de longas distâncias, mesmo as que fazem uso de micro-ondas, são afetadas sensivelmente.

Na figura 3 temos um gráfico em que são plotados os máximos e mínimos de manchas solares em vários ciclos durante os últimos 50 anos.

Figura 3 – Ciclos de manchas solares. Observe que em torno de 2005 temos um ponto de mínimo.
Figura 3 – Ciclos de manchas solares. Observe que em torno de 2005 temos um ponto de mínimo.

 

 

Existem softwares que fazem a previsão de propagação para as frequências desejadas em determinadas épocas, bastando entrar com o valor dessas frequências, localidades que devem se comunicar e data. O VOACAP é um deles (www.voacap.com).

 

 

 

 


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