O Gamma Match (TEL160)

Escrito por Newton C Braga

Para que todo o sinal gerado por um transmissor seja irradiado, é preciso haver um correto casamento de impedância entre a linha de transmissão e a antena. As características físicas da antena, mesmo que bem calculadas, diferem sempre ligeiramente das ideais, o: que provoca um pequeno descasamento responsável por ondas estacionárias e, consequentemente, por perdas. Para ”casar" a antena com a linha de maneira ideal, aumentando o rendimento do sistema, a maneira mais simples consiste no “gamma-match”.

A finalidade do “gamma-match" é fazer o casamento das características do cabo de transmissão com a antena, de modo a reduzir ao mínimo a relação de ondas estacionárias (ROE).

Pela sua simplicidade, o gamma-match é o mais usado, tanto por radioamadores das faixas de 7, 14 ou 28 MHz, como também pelos operadores da faixa dos 11 metros (27 MHz).

Em termos técnicos, a finalidade do "'gamma-match” é permitir a passagem dos sinais que vêm de forma dissimétrica pelo cabo coaxial para um sistema irradiante simétrico, como a antena.

Na figura 1 temos o circuito equivalente à transmissão de sinal para a antena, em que observamos um capacitor em série com o condutor central do cabo coaxial.

 

Figura 1 – Circuito equivalente
Figura 1 – Circuito equivalente

 

O casamento de características se resume na prática em adequar o valor deste capacitor a um ponto em que a impedância apresentada pela antena se case com a apresentada pelo cabo.

O uso de um componente real, um capacitor variável, por exemplo, nesta função não é interessante, podendo ser substituído por um componente fictício, conforme mostra a figura 2.

 

Figura 2 – Componente virtual ou fictício
Figura 2 – Componente virtual ou fictício

 

O comprimento do cabo determinará então a capacitância apresentada, podendo ser encontrado com facilidade um valor que “case" a impedância da antena com o cabo.

Para orientação geral, a maioria dos cabos apresenta uma capacitância por metro em torno de100 pF.

O comprimento (a) e a separação (b) da figura dependerão da faixa de operação do transmissor e, consequentemente, das dimensões da antena.

A regulagem para máximo rendimento da antena é feita modificando-se a distância b do elemento irradiante da antena. (figura 3).

 

Figura 3 – A regulagem
Figura 3 – A regulagem

 

A fixação com isoladores plásticos deve ser bem feita para evitar problemas com o vento e a chuva.

Damos a seguinte tabela para elaboração do “gamma-match”:

20 metros (14 MHz)

a = 0,9 m

b = 0,05 m

 

15 metros (21 MHz)

a = 0,7 m

b = 0,04 m

 

10 metros (28 MHz)

a = 0,45 m

b = 0,025 m