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Quem inventa é inventor (ART4163)

A possibilidade de se criar coisas novas em casa, num laboratório de garagem, ou mesmo na bancada de nosso quarto, volta ser hoje uma realidade. Dos tempos antigos em que as pessoas se fechavam em suas garagens, num laboratório que envolvia coisas da química, ferramentas mecânicas e tudo mais que pudesse ser aproveitado em alguma coisa, passamos a uma era de alta tecnologia em que a disponibilidade de chips, placas de desenvolvimento e acessórios os mais diversos a um custo baixo está ao alcance de todos. Isso está abrindo uma nova era para os inventores.

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Mais que os makers que fazem coisas, inovam, pesquisam e se divertem, podemos incluir nesta categoria os inventores que vão além testando novas teorias, procurando coisas fantásticas que podem revolucionar o mundo e principalmente tentando descobrir algo que os deixe ricos.

Antigamente, aqueles que se fechavam em seus laboratórios procurando soluções tecnológicas mirabolantes visavam antes de tudo uma “fórmula” que os deixasse ricos. Um xarope que curasse tudo, um elixir da juventude, um produto que tirasse qualquer tipo de mancha, mexendo com a química e na mecânica coisas como máquinas que automatizassem tarefas domésticas e na eletricidade eletrônica aparelhos de massagem, emissores de raios que cancelassem o barulho e muito mais.

Muitos tiveram muito sucesso, sendo alguns mais pela sorte do que pelo conhecimento. Podemos citar o caso do Firestone que esqueceu no fogo uma panela com resina da seringueira e ela vulcanizou. Estava descoberta a borracha que o enriqueceu.

Edison inventou a lâmpada incandescente depois de centenas de tentativas procurando um material que não se rompesse com o aquecimento, ao passar uma corrente elétrica.

A partir de certo tempo, as invenções caseiras diminuíram, já que eram necessários equipamentos caros de pesquisa e desenvolvimento que só podiam ser encontrados nas grandes empresas, mas a situação está mudando.

Hoje, a tecnologia está ao alcance de todos e a preços acessíveis. Qualquer um pode criar, inventar e ganhar dinheiro. Os makers estão aumentando em quantidade e entre eles os inventores, uma categoria adicional que está crescendo em importância.

 

Como ser um maker inventor

Um maker inventor é um maker diferente. Ele não monta as coisas apenas para aprender, para sua própria satisfação ou para atender necessidades locais, bem limitadas de uma família, de um negócio pessoal ou de uma comunidade.

O maker inventor vai além. Ele deseja inventar algo que revolucione o mundo. Alguma coisa que nunca ninguém fez e que possa ser de grande utilidade para o maior número possível de pessoas.

No entanto, como em qualquer tipo de atividade não basta querer ser um inventor para se conseguir ser um inventor. O maker inventor precisa ter algumas habilidades importantes que não necessariamente sejam de nascença.

Ela as pode desenvolver com paciência, esforço, prática e estudo. Algumas delas são essenciais para garantir o sucesso. Como uma espécie de guia para nossos leitores, baseados no que sabemos sobre os grandes inventores como Edison, Tesla, Marconi e outros vamos dar algumas dicas numa espécie de “Mandamentos do Inventor”.

 

1. Observe – desenvolva o senso de observação

Uma característica importante dos grandes inventores é o senso de observação. Estar atento a tudo que ocorre a sua volta e tirar informações importantes que podem resultar numa boa ideia.

Observe as pessoas indo a uma lata de lixo e tendo dificuldade em abrir a tapa e jogar o lixo se estão com as mãos ocupadas. Ninguém nota, apenas reclama, mas o inventor observador logo criará o pedal para abrir a tampa e o maker de alta tecnologia a lata com sensor que abre a tampa com sua aproximação (serve apenas de exemplo, pois já existem. Mas, alguém teve a ideia...).

Muitas coisas a sua volta podem lhe dar ideia de novas coisas usando tecnologia e com elas um novo produto.

Tudo a nossa volta pode nos dar ideia. É preciso apenas desenvolver o senso de observação. Notando um problema, lance um auto-desafio: o que eu posso inventar para melhorar isso?

E, isso não vale apenas para os inventores. Os estudantes que estão em busca de um TCC inovador podem ser aproveitar dessas ideias, pois em muitos casos, o trabalho de conclusão de curso pode levar ao produto que o deixará rico, como aconteceu com os criadores do Google.

 

2. Pense com exatidão – tenha certeza do que está fazendo

Recebemos quase que diariamente pedidos de informações, sugestões e até esquemas de leitores que estão desenvolvendo alguma coisa nova e em algum instante encontram dificuldades. Infelizmente, ao analisar a maioria dos pedidos dos leitores notamos que suas ideias possuem falhas graves, na maioria das vezes pela incapacidade dos autores em analisar o projeto.

O desconhecimento de alguns princípios básicos de física, do funcionamento de componentes e circuitos são as principais causas dos problemas. As leis da física não podem ser violadas.

O mais comum é querer violar o princípio da conservação da energia, onde alguns tentam obter mais energia do que uma fonte pode fornecer, por exemplo, aumentando a tensão de uma pilha, sem levar em conta que fazendo isso a corrente diminui, pois o produto tem de se manter constante.

Assim, para se poder inventar alguma coisa que envolva algum princípio da física é importante conhecê-lo. Isso envolve muito o que chamamos de pensar com exatidão.

Desenvolva a capacidade de analisar o problema cientificamente e tecnicamente para ter certeza de que ele viável.

A heurística é muito importante (veja o artigo que escrevemos), pois ela ensina como podemos escolher entre muitas informações e fatos que levam a um projeto aquelas que são relevantes e que devem ser levadas em conta no desenvolvimento de um projeto.

 

3. Inspire-se

A inspiração é fundamental para quem é inventor. Procure ler, conversar, procurar artigos na internet para ter inspiração para seus projetos. Uma simples conversa pode fazer acender em sua cabeça uma nova ideia, trazendo um tema para um projeto, um produto ou um aplicativo.

 

 

4. Procure saber se seu projeto é viável – Alguém já pode ter inventado o que você imagina

Com a facilidade da transmissão da informação que hoje a internet nos proporciona, o lançamento de um componente ou de um produto novo se espalha tão rapidamente que às vezes em diversos pontos do mundo, pessoas pensem numa mesma utilização ao mesmo tempo.

Assim, podemos ter diversos inventores para o mesmo produto tentando lançá-lo ou patenteá-lo ao mesmo tempo.

Um exemplo que posso dar é que recentemente recebi de um leitor um pedido de análise de uma invenção dele que revolucionaria o mundo. Ao analisar, a ideia dele já estava incorporada como parte integrante dos equipamentos dos automóveis e já tinha sido inventada há muito tempo...

Não tente inventar a pólvora ou descobrir o fogo. Informe-se, pois você pode estar atrasado no tempo e com a tecnologia de nosso tempo, isso pode ocorrer em apenas alguns dias.

 

5. Verifique se as peças que você usará no seu projeto existem

Não é incomum que o inventor tenha uma ideia de alguma coisa que use um componente ou peça que não existe no mercado. Nesse caso, você deve ficar atento, pois a não existência da peça pode ser justamente o motivo pelo qual o que você pretende criar não existe.

Recebo constantemente pedidos de informações que justamente sobre peça que ainda precisam ser inventadas, ou que não foram porque seguem algum princípio de funcionamento que contraria leis da física.

Um exemplo disso e frequente é de pessoas que me pedem um alto-falante que “direciona” os sons, como um laser, de modo a ter um efeito num local. Ele simplesmente não existem porque as pessoas acham que som e luz podem dirigidos em feixes coerente e concentrados, esquecendo que são radiações diferentes. Luz é onda eletromagnética transversal e som é onda mecânica longitudinal (no ar).

 

6. Troque ideias com pessoas de confiança

Conversar com pessoas que tenham boa base técnica e científica é fundamental para aclarar ideias. Você não precisa passar dados de sua invenção a estas pessoas. Vá apenas ao ponto em que você tem dúvidas e isso pode ser muito importante para solucionar problemas.

 

7. Adquira fundamentação científica

Já falamos que a maior parte dos problemas que impedem que uma invenção seja completada está na tentativa de se usar princípios que não têm fundamentação científica. Temos constantemente exemplos disso nas consultas que recebemos. Querem “dobrar” um feixe de luz, transmitir energia sem perdas, alterar princípios da física e muito mais.

É preciso ter certeza de que nenhum princípio da física e mesmo de outras ciências não sejam violados. Isso pode ser um impedimento total para que sua ideia funcione. Procure se fundamentar. Leia, pesquise, converse.

 

8. Monte um protótipo

Estando certo de que sua ideia funciona é hora de colocar mãos à obra. Monte um protótipo, analisando passo a passo se cada etapa funciona. Quais são os problemas e tudo mais. Tenha sempre em mente as regras de segurança tanto para você que monta e testa como também para quem vai usar.

 

9. Peça para os outros analisarem o protótipo

Uma vez que seu protótipo esteja funcionando é hora de ver como as pessoas reagem ao seu uso. Peça para amigos e pessoas de confiança testem seu protótipo e sejam sinceras se encontrarem algum problema, ou sugerirem algum detalhe que o melhore.

 

10. Analise a viabilidade de fabricação

Finalmente, se você tem um bom produto em mãos é hora de pensar na fabricação. Se for realmente algo muito bom, pense em patenteá-lo. O SEBRAE tem um serviço que ajuda os inventores a patentear suas ideias e abrir suas próprias empresas para fabricar e vendê-las.

É hora de começar a ficar rico.

 

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