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Bi-Trêmulo para violões e guitarras (ART406)

Efeitos sonoros para instrumentos musicais que tenham captadores eletrônicos podem significar muito para pequenos conjuntos ou mesmo músicos amadores e profissionais. Muitos tipos de pedais podem ser encontrados nas casas especializadas e um dos mais populares é o trêmulo. A possibilidade do leitor montar seu próprio trêmulo é atraente, principalmente se forem usados componentes comuns e é justamente isso que mostramos como fazer neste artigo. O nosso trêmulo entretanto vai além dos comuns, pois seu efeito é duplo o que será explicado no decorrer do próprio artigo.

 

O trêmulo consiste num efeito em que se produz uma variação de amplitude do som. A variação é ritmada e ocorre numa baixa frequência o que sugere que a reprodução está ocorrendo de uma forma "tremida", daí a origem de seu nome. Na prática, e sem recursos eletrônicos, este efeito pode ser obtido com uma movimentação rápida de amortecimento das cordas (num instrumento de corta como o violão) ou com o abafamento ritmado de uma surdina (num instrumento de sopro).

Para a eletrônica o efeito é obtido de uma forma diferente e até mais simples: basta modular a amplitude do sinal de áudio com um oscilador de baixas frequências.

É justamente isso que será feito com o circuito que propomos, com a vantagem de que, o circuito por ser duplo pode fornecer uma modulação alternada, ou seja, em dois canais defasados o que resulta num efeito muito interessante se o amplificador usado for estéreo.

O que fazemos então é jogar o sinal do instrumento em canais separados do amplificador e fazer a modulação defasada, conforme sugere a figura 1.

 

O efeito obtido.
O efeito obtido.

 

Isso significa que, quando o nível do sinal de um canal aumenta, no outro, a amplitude do sinal diminui. O resultado final no efeito de trêmulo é como se o som corresse rapidamente de uma caixa para a outra, isso quando o pedal for acionado.

O circuito utiliza somente transistores como elementos ativos, o que facilita bastante a montagem por parte dos leitores menos experientes e com dificuldade de obtenção de componentes. Suas características, por outro lado, se adaptam à maioria dos captadores usados em instrumentos musicais de corda e mesmo de sopro e à entrada da maioria dos amplificadores.

 

Características:

  • Tensão de alimentação: 9V (bateria)
  • Corrente consumida: 10 mA (tip)
  • Ganho de tensão: 5 (tip)
  • Frequência de modulação: 1 Hz (aprox.)

 

 

COMO FUNCIONA

Para gerar o sinal de baixa frequência necessário à modulação do som é utilizado um oscilador com base nos transistores Q1 e Q2. A frequência deste oscilador é determinada basicamente por 3 capacitores: C1, C2 e C3 que devem ter os mesmos valores. O ajuste fino da frequência assim como o início das oscilações são determinados pelo ajuste de P1 que será justamente o componente adaptado ao pedal.

O sinal de baixa frequência gerado por este circuito é enviado à base de dois transistores complementares (Q3 e Q4) de modo que, em seus coletores obtemos sinais defasados de 180 graus, ou seja, sinais com as fases invertidas.

Estes sinais são aplicados aos emissores de dois outros transistores (Q5 e Q6) que funcionam como pré-amplificadores de áudio para os sinais captados do instrumento musical e que entram no circuito via C9 e C10.

Desta forma, conforme o sinal no emissor dos transistores varia de intensidade, seus ganhos também se modificam e com isso o sinal do instrumento musical é modulado em amplitude.

Obtemos desta forma, nos coletores dos transistores Q5 e Q6, sinais de áudio correspondentes ao instrumento, mas modulados e com a modulação feita de tal forma que a amplitude varia em oposição de fase.

A profundidade do efeito pode ser ajustada em P2 numa pequena faixa de valores e a intensidade do sinal de saída será ajustada em P3 e P4 de modo a não saturar as entradas do amplificador final de potência.

Algumas alterações de valores de componentes podem ser necessárias em função tanto das características dos transistores usados como do captador do instrumento e da sensibilidade do amplificador. Uma alteração mais crítica é a de R7 que determina a simetria dos sinais. Este componente deve ser ajustado com base num osciloscópio de duplo traço de modo que a amplitude do sinal nas duas saídas seja a mesma.

Os capacitores do modulador (C1 a C3) também podem ser alterados conforme a frequência desejada para o efeito.

Como o consumo do aparelho é baixo e sua sensibilidade a captação de zumbidos é grande, a alimentação deve ser feita por bateria e a montagem em caixa de metal que sirva de blindagem. Todos os cabos de sinais também devem ser blindados.

 

MONTAGEM

Começamos por apresentar na figura 2 o diagrama completo do aparelho.

 

Diagrama completo do bi-trêmulo.
Diagrama completo do bi-trêmulo.

 

A montagem pode ser feita numa placa de circuito impresso comum de face simples com a disposição de componentes mostrada na figura 3.

 

Placa do circuito impresso do Bi-Trêmulo.
Placa do circuito impresso do Bi-Trêmulo.

 

Observe que os cabos dos sinais de entradas e saídas devem ser blindados com a malha externa ligada ao negativo ou terra da alimentação. A caixa do aparelho, sendo metálica também é ligada este ponto, de modo a poder funcionar como blindagem.

O potenciômetro P1 deve ser adaptado a um pedal de modo que o circuito seja levado à oscilação quando ele for pressionado.

Os resistores são de 1/8W ou maiores e os capacitores eletrolíticos têm uma tensão mínima de trabalho de 12V. Os demais capacitores podem ser de poliéster, inclusive C5 e C6.

Para a alimentação pode ser utilizada uma bateria alcalina ou nicad de 9V. No entanto, se o leitor pretender usar o aparelho por tempos prolongados pode conseguir maior autonomia com menor custo, utilizando 6 pilhas médias ou mesmo 6 pilhas grandes.

Os jaques de entrada e saída dos sinais devem ser de acordo com os cabos disponíveis, sendo o tipo mais comum o RCA.

Na figura 4 mostramos como deve ser montado o pedal de efeito, acoplado a um potenciômetro deslizante. Este potenciômetro é P1.

 

Sugestão de montagem do pedal.
Sugestão de montagem do pedal.

 

PROVA E USO

Para provar o aparelho, basta ligar sua entrada a um captador de instrumento musical e as saídas às entradas de um amplificador, conforme mostra a figura 5.

 

Modo de usar.
Modo de usar.

 

Depois, ajuste o volume do amplificador e o nível de saída do sinal do trêmulo em P3 e P4 para que não haja saturação o que vai ter como consequência um sinal distorcido.

Acione P1 (pedal) e ao mesmo tempo ajuste P2 de modo a obter o melhor efeito. Faça as alterações de valores de componentes necessárias ao melhor desempenho.

Se o sinal no amplificador for muito baixo, talvez seja necessário fazer uso de um pré-amplificador.

Não ligue na entrada do aparelho a saída de amplificadores pois o sinal de nível excessivo satura o circuito causando distorções e sobrecargas. Do mesmo modo, não ligue a saída do aparelho a cargas de baixa impedância, pois ele não consegue fazer sua excitação.

Chegando ao funcionamento desejado é só utilizar o aparelho.

 

Semicondutores:

Q1, Q2, Q4, Q5 - BC548 ou equivalentes - transistores NPN de uso geral

Q3, Q6 - BC558 - transistores PNP de uso geral


Resistores: (1/8W, 5%)

R1 - 3,3 k ?

R2 - 330 k ?

R3 - 1,5 k ?

R4, R6 - 1 k ?

R5, R9 - 47 k ?

R7 - 22 k ?

R8 - 100 k ?

R10, R13 - 2,7 k ?

R11, R15 - 470 k ?

R12, R14 - 56 k ?

P1 - 10 k ? - potenciômetro linear deslizante (slide)

P2 - 470 k ? - trimpot

P3, P4 - 22 k ? - potenciômetros lineares


Capacitores:

C1, C2, C3 - 4,7 µF x 12V - eletrolíticos

C4 - 47 µF x 12V - eletrolítico

C5, C6 - 1 µF - poliéster

C7, C8 - 100 nF - poliéster

C9, C10 - 47 nF - poliéster

C11 - 100 µF x 12V - eletrolítico


Diversos:

S1 - Interruptor simples

B1 - 9V - bateria ou 6 pilhas médias ou grandes

J1, J2, J3 - jaques RCA

Placa de circuito impresso, conector de bateria ou suporte de pilhas, caixa de metal para a montagem, material para o pedal, botões para os potenciômetros, fios blindados, fios, solda, etc.

 

 

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