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Para o Maker - Usando componentes reciclados (ART4158)

Os makers imaginosos não usam apenas componentes de últimas gerações em seus projetos. Na verdade, existem momentos em que precisamos de componentes para colocar em prática uma ideia e os componentes novos são caros. Podemos perfeitamente unir tecnologias antigas com as novas em projetos muito interessantes e isso é o que ensinaremos a fazer neste artigo. Vamos mostrar como é possível aproveitar muitos componentes de equipamentos antigos em projetos novos.

ART1762S

Se bem que as tecnologias modernas ofereçam uma infinidade de soluções para novos projetos, em muitos casos, usando a imaginação podemos aproveitar componentes antigos ou mesmo peças em ideias muito interessantes. Isso pode ser útil no caso de um TCC ou mesmo de uma apresentação num trabalho ou feira de tecnologia.

Podemos citar como exemplo, um trabalho apresentado por alunos na FEBRACE, importante feira maker de São Paulo, em que os participantes aproveitaram um mecanismo de um vídeo cassete antigo e o adaptaram para funcionar como um fornecedor microcontrolado para alimentação de cães.

Outro exemplo é uso de um mecanismo de máquina de lavar roupas para um sistema de irrigação ou acionamento por aproximação para saciar a sede de cães condicionados ao seu uso.

E é claro, não podemos deixar de citar uma aplicação que sempre lembramos em nossas palestras de um mecanismo de impressora por agulha quente que foi usado numa torradeira conectada à internet.

Mas não são apenas os mecanismos e partes eletromecânicas que podem ser usadas pelo maker em seus projetos inovativos. Muitos componentes eletrônicos que não estragam com o tempo, ou que não queimam com facilidade podem ser retirados de placas e colocados num estoque indexado do laboratório do maker.

Resistores, capacitores de alguns tipos, diodos, transistores, indutores, transformadores são exemplos de componentes que o maker pode ter de graça para seus projetos. Guarde placas de equipamentos fora de uso e veja a seguir como retirar, testar e usar os seus componentes.

 

As ferramentas

Para retirar os componentes de uma placa é conveniente que o leitor tenha algumas ferramentas apropriadas, além do soldador, alicate de corte lateral, alicate de ponta fina e chaves de fendas.

Uma delas é o sugador de solda, mostrado na figura 1.

 

Figura 1 – O sugador de solda.
Figura 1 – O sugador de solda.

 

Usando esta ferramenta a dessolagem de componentes de uma placa se torna simples, mas mesmo sem eles podemos obter componentes de uma placa com facilidade.

Vejamos como fazer isso.

 

a) Dessoldagem simples

Para componentes discretos como resistores, capacitores, transistores e diodos a dessoldagem para retirada de uma placa é simples. Conforme mostra a figura 2, basta aquecer o terminal e esperar a solda fundir.

 


 

 

Quando isso ocorrer basta puxar o componente. Nessa operação é importante que a placa de circuito impresso esteja presa firmemente em algum lugar. Para essa finalidade podem ser utilizadas tanto pequenas morsas como prendedores de placas do tipo mostrado na figura 3.

 


 

 

 

b) Dessoldagem de componentes maiores

Uma ferramenta de grande utilidade no trabalho de retirada de componentes maiores ou que tenham muitos terminais é o sugador de solda.

Para usar, basta aplicar pressão no êmbolo e mantê-lo preso nessa posição, o que é conseguido por uma trava. Depois, com o soldador aplica-se calor no ponto de remoção da solda até que ela se funda.

Colocando o bico do sugador no ponto de dessoldagem e apertando o botão que libera a trava, uma mola impulsiona rapidamente o êmbolo de modo que ela suga a solda do local. O terminal do componente é então liberado e ele pode ser retirado sem muito esforço, conforme mostra a seqüência da figura 4.

 


 

 

Existem ferros de soldar que já possuem o sugador preso, conforme mostra a figura 5.

 


 

 

 

c) Fita sugadora de solda

Um recurso interessante para remover a solda é a fita sugadora que é mostrada na figura 6.

 

 


 

 

 

Colocando essa fita no local de dessoldagem e aplicando calor ela “absorve” a solda limpando o local.

 

 

d) Pontas removedoras/Remoção de CIs

Para remoção de circuitos integrados, quando diversos terminais devem ser soltos ao mesmo tempo, existem pontas especiais que podem ser adaptadas ao ferro de soldar. Na figura 7 temos um exemplo de ponta para remoção de circuitos integrados.

 


 

 

 

e) Técnicas especiais

Determinados componentes são difíceis de retirar de uma placa de circuito impresso exigindo técnicas especiais. Nada mais desagradável do que ter de tirar um componente para substituição numa placa de circuito impresso depois de uma montagem, quando esse componente tem muitos terminais e não sai. Temos então as seguintes técnicas especiais que devem ser consideradas:

 

Quebra

Se o componente está queimado, nada impede que ele seja quebrado e retirado por partes. Isso ocorre com resistores, diodos e outros componentes tubulares, conforme mostra a figura 8.

 


 

 

 

Cortamos o componente ao meio com um alicate de corte e depois dessoldamos os terminais um a um puxando as metades com uma pinça ou alicate de ponta. Para um componente SMD essa técnica também pode ser utilizada quando constatamos que ele não pode ser reaproveitado, por estar queimado.

 

CIs DIL

Para os circuitos integrados a extração, sem o sugador e sem a ferramenta especial que funde a solda de todos os terminais ao mesmo tempo, pode ser feita com a ajuda de uma chave de fendas fina conforme mostra a figura 9.

 


 

 

 

Enfiamos a chave de fenda por baixo do componente, do lado em que vamos dessoldar os terminais. Depois, passando o soldador pelos terminais do lado soldado vamos fundindo a solda e ao mesmo tempo forçando a chave de fendas de modo que ela levante o componente.

Passando diversas vezes o soldador os terminais vão sendo liberados e o componente vai saindo até que podemos retirá-lo com facilidade.

 

Testando os componentes

Antes de guardar um componente aproveitado de uma placa fora de uso é conveniente testá-lo. Para os circuitos integrados isso nem sempre é possível a não ser que tenhamos um circuito de teste para o tipo específico. Circuitos integrados como o 555, 4093, 7806 e outros podem ser testados com circuitos simples.

Para outros podemos guardar e testá-lo no próprio circuito em que ele será usado. Mas isso é um risco que corremos.

Resistores podem ser testados pela simples medida de sua resistência com um multímetro. Capacitores cerâmicos e de outros tipos não polarizados podem ser testados com um capacímetro ou mesmo com um circuito simples de prova. No nosso site temos diversos provadores simples que podem ser montados numa matriz de contatos.

 

 

Figura 10 – Um capacímetro para o maker
Figura 10 – Um capacímetro para o maker

 

 

O problema maior é com capacitores eletrolíticos. Estes componentes, com o tempo podem perder suas características, esgotando-se, vazando ou mesmo entrando em curto. Devemos sempre testar estes componentes antes de usar.

Outros componentes que exigem cuidados nos testes são os indutores e os transformadores. Devem ser feitos testes específicos antes de seu aproveitamento. Para os transistores, muitos multímetros possuem recursos de testes se bem que mesmo que eles acusem que o componente esteja bom, seu uso pode estar comprometido se não tivermos acesso às suas características.

Muitos fabricantes de equipamentos usam códigos especiais para componentes que as vezes são comuns. Assim, um transistor BC548 pode ser carimbado como XCD1322XH-0074 por um fabricante que simplesmente faz isso porque deseja que o aparelho seja reparado numa oficina autorizada.

Se identificarmos os terminais deste componente e pelo seu tamanho ou função tivermos uma ideia do que ele faz podemos usá-lo numa aplicação de uso geral.

Enfim, podemos ter um bom estoque de componentes para nosso projeto, aproveitando-os com cuidado de placas de equipamentos antigos. É o que sempre foi feito pelos makers desde o tempo da garagem do vovô, dos hobistas e do tempo do DIY.

Vamos economizar e até obter coisas interessantes como o que mostramos na figura 11. Você sabe o que é?

 

 

Figura 11 – Componente “esquisitão” da sucata de um maker antigo como eu.
Figura 11 – Componente “esquisitão” da sucata de um maker antigo como eu.

 

 

Errou! Não é um NTC. Trata-se de uma chave de mercúrio ou interruptor de mercúrio.

Conforme você pode observar este componente tem uma bolinha de mercúrio que muda de posição dentro do invólucro de vidro conforme sua posição. Assim, se ele está na horizontal, como na figura a bolinha está longe dos contados do fio e assim não passa corrente.

 

No entanto, se o inclinarmos a bolinha escorre e encosta ao mesmo tempo nos contatos dos dois fios. Como o mercúrio é bom condutor elétrico (metal), a corrente pode passar. O interruptor é fechado. Este tipo de interruptor pode ser usado como sensor de posição em projetos microcontrolados.

 

E este. Alguém sabe o que é?

 

Figura 12 – Componente desafio para o maker. Descubra!
Figura 12 – Componente desafio para o maker. Descubra!

 

 

E se descobrir alguma coisa muito estranha na garagem do vovô, ou numa sucata, não se acanhe. Mande uma foto pra O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. que eu digo o que é, isto é, se descobrir do que se trata... Quem sabe o leitor não descobre algum componente deixado por algum alienígena que nos levem a novas tecnologias, como os adeptos das teorias conspiratórias acreditam que tenha ocorrido no caso dos transistores...

 

 

BUSCAR DATASHEET

 


N° do componente 

(Como usar este quadro de busca)

 

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