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Do Hobista do Século 20 ao Maker do Século 21 (ART2558)

Montar circuitos eletrônicos e criar novos produtos baseados em sua tecnologia é algo fascinante e esta atividade esta crescendo de uma forma espantosa no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Os “Makers” ou “fazedores” estão não apenas criando novos circuitos e produtos como ganhando dinheiro com uma nova e rendosa atividade que somente o desenvolvimento tecnológico por que possamos permite. Veja neste artigo como de um simples montador de circuito e aprendiz de eletrônica você pode ser tornar um verdadeiro Maker.

A história do montador de equipamentos eletrônicos, circuitos e mesmo descobridor de coisas novas em tecnologia vem de longe. Na verdade, antes mesmo do século 20.

Para entender como tudo está acontecendo e como cada vez mais o montador de coisas eletrônicas e aquele que conhece eletrônica e tecnologia pode ganhar dinheiro com seu próprio negócio, vamos revisar um pouco da história da ciência e tecnologia.

 

Indo Longe no Passado

Os pioneiros da tecnologia e da ciência eletrônica lutavam com dificuldades enormes para criar seus projetos, fazer suas descobertas e mesmo experimentar dispositivos muito simples.

Um exemplo disso pode ser encontrado no trabalho de Michael Faraday.

 

Figura 1 - Michael Faraday (1791 – 1867)
Figura 1 - Michael Faraday (1791 – 1867)

 

Michael Faraday foi considerado o melhor experimentador do mundo, pois tinha uma habilidade enorme para criar coisas.

De fato, Faraday era aprendiz de encadernador trabalhando numa oficina onde tinha o hábito de ler os livros que encadernava e assim aprendeu muito, resolvendo partir para experimentação do que lia e assim descobrir coisas novas.

Faraday não podia contar com coisas que hoje encontramos em qualquer fornecedor. Assim, para descobrir o transformador ele teve de fabricar os seus próprios fios, derretendo cobre e cobrindo-os com seda para ter o isolamento.

Naquela época a ciência e a tecnologia se misturavam assim, muitos dos trabalhos de montadores e criadores de coisas, como o transformador de Faraday passaram a fazer parte da ciência.

Com o passar do tempo os novos recursos se tornaram disponíveis e no começo do século 20 já era possível comprar ”partes” para fazer montagens, se bem que eram caras, pesadas e não muito fácies de trabalhar.

Os montadores existiam mas precisavam de verdadeiras oficinas que incluíam ferramentas mecânicas para fazer suas montagens.

Na figura 2 temos um projeto de um fonógrafo de uma publicação de 1919

 

Figura 2 – Fonógrafo de 1919.
Figura 2 – Fonógrafo de 1919.

 

Nessa época o montador precisa ter ferramentas para cortar madeira, cortar, furar e dobrar metais e muito mais se desejasse fazer uma montagem perfeita.

As primeiras revistas de eletrônica como a Radio Experimenter, de onde tiramos o projeto dado como exemplo começavam a aparecer.

Mas, com o passar do tempo, o montador hobista já podia contar com algo mais do que a simples disponibilidade de peças. Surgiram os fornecedores de kits como a Heathkit e Radio Shack.

Circuitos eletrônicos completos podiam ser adquiridos e montados com pouco mais do que um ferro de soldar e alguns ferramentas de uso geral.

Na figura 3 temos um anúncio de uma revista da década de 50.

 

Figura 3 – Anúncio da Heathkit
Figura 3 – Anúncio da Heathkit

 

Com o passar do tempo as revistas que descreviam montagens eletrônicas se multiplicaram.

No exterior destacamos a Radio Electronics, Popular Electronics, Everyday Electronics, Electronics Today International (ETI), CQ, Selecções de Rádio, Radio Chassis Television. Electronique Pratique, Haut Parleur, Funkshau Elektor, etc.

No Brasil, surgiram revistas como a Antenna, Eletronica Popular, Radio Eletronica, Revista Monitor, Revista Saber Eletrônica e muitas outras que já não existem mais.

Estas revistas descreviam projetos práticos que podiam ser montados por quem conhecesse os fundamentos da eletrônica e tivesse as ferramentas apropriadas que não eram muitas.

Bastava ter um bom ferro de soldar, alicates, chaves de fendas e eventualmente um multímetro para que praticamente tudo que estas revistas descreviam pudesse ser montado.

O montador de então podia montar coisas novas, que na maioria dos casos, não podia ser encontrada pronta nas lojas, como ocorre hoje.

Alarmes, rádios, amplificadores, equipamentos auxiliares de som, transmissores eram descritos com peças que podiam ser encontradas com facilidade no mercado especializado.

Lojas de componentes se espalharam pelo Brasil, e muitas delas passaram a vender pelo correio anunciando nas revistas especializadas.

Em alguns grandes centros, como São Paulo e Rio, lojas de componentes se concentravam em ruas como a Santa Ifigênia em São Paulo e General Osório no Rio.

Até hoje ainda restam lojas especializadas nestas ruas e vizinhanças, mas o cunho eletrônico das mesmas está reduzindo com a crescente venda de equipamentos de informática.

 

Figura 4 – Meu primeiro livro técnico (*)
Figura 3 – Rua Santa Ifigênia em fim de semana

 

Nesta época também se multiplicaram os cursos de eletrônica, tanto livros por correspondência como por frequência. Todos queriam aprender eletrônica.

Nos Estados Unidos tivemos escolas como a International Schools, CEI e outras e no Brasil, o Instituto Universal Brasileiro e o Instituto Monitor que existe até hoje.

Foi nesta escola que tive meu primeiro emprego trabalhando como professor do curso e fazendo sua remodelação e atualização.

 

Minha História na Eletrônica

Lá pelos anos 60, ganhei de uma tia um livro chamado “Experiências e Passatempos com Eletricidade”. Esse livro me chamou a atenção e depois de lê-lo decidi ir em frente criando coisas noivas e partindo para e eletrônica.

 

Figura 5 – Eletrônica Popular da época em que Newton C. Braga era colaborador
Figura 4 – Meu primeiro livro técnico (*)

 

 

(*) Estamos verificando a possibilidade de escaneá-lo e dispobilizar no site já que o autor não existe mais (O livro é de 1946) e nem a editora. Não conseguimos saber da existência de descendentes que possam ainda deter os direitos.

 

Comecei não apenas a montar coisas eletrônicas como também a criar.

Tornei-me ávido comprador da revista Eletrônica Popular e em pouco tempo me tornei seu colaborador, passando a publicar meus circuitos.

Foi então que Gilberto Afonso Penna, desta revista, me convidou a criar uma seção chamada ”Eletrônica Para Juventude” (cujos artigos o leitor pode encontrar neste site), onde ensinava eletrônica para os jovens (e adultos também).

Algum tempo depois comecei a trabalhar no instituto Monitor, remodelando seu curso, e então fui convidado a fazer parte da Revista Saber Eletrônica, onde me aposentei 33 anos depois, criando a minha própria empresa que mantém este site.

Neste tempo de atuação vir a eletrônica passar por muitas fases.

No meu tempo de atuação como montador e articulista de várias revistas, vi como a eletrônica evoluía, com a disponibilidade crescente de novos componentes, kits e muito mais. Na figura 5, uma revista da época.

 

Figura 6 – O primeiro computador em kit
Figura 5 – Eletrônica Popular da época em que Newton C. Braga era colaborador

 

Das montagens com transistores, passamos para as montagens com circuitos integrados que eram disponíveis em cada vez maior complexidade possibilitando ao montador a criação de muitos circuitos, até que surgiu o microprocessador e o microcontrolador.

 

O Perfil do Montador do Final do Século 20

Até os anos 80, o montador eletrônico ou hobista de então tinha um perfil bem definido.

Eram estudantes de escolas técnicas, amadores independentes, muitos dos quais de áreas de trabalho que nada tinham a ver com a eletrônica que compravam componentes e montavam circuitos que encontravam nas revistas técnicas.

Muitos iam além, criando novos circuitos e publicando-os sem compromisso em revistas. Chegamos a coordenadas a produção de uma revista que reunião apenas “Projetos dos Leitores” com grande sucesso e até dando premiações que chegaram a viagens para conhecer fábricas de componentes, que então ainda existiam no Brasil.

O montador de “fim de semana” investia algum dinheiro de que dispunha comprando componente e normamente seu local de trabalho ia desde uma mesa pequena (até mesmo a mesa da sala) até bancadas elaboradas e alguns tinham salas bem equipadas com muitos recursos.

 

A Transição

A transição ocorreu com a chegada do microprocessador e com ele os primeiro computadores pessoais. O primeiro, o Altair 8800 foi o primeiro lançado em kit num artigo da Popular Electronics de 1975.

 

Figura 7- Capa de uma edição recente da revista Make
Figura 6 – O primeiro computador em kit

 

No Brasil tivemos diversos microcomputadores que fizeram época como o MSX, CP200, etc.

Foi então que muitos montadores eletrônicas deixaram de montar e passaram a ter como novo hobby o microcomputador, que segundo se apregoava podia “fazer tudo” e não se necessitava mais de eletrônica.

As montagens eletrônica diminuíram de tal forma que a partir dos anos 90 muitas revistas entraram em crise e desapareceram.

As poucas que se mantiveram tiveram que modificar seu conteúdo, passando a criar projetos que envolviam o uso do computador e ainda que abordavam uma nova tecnologia que estava começando a aparecer: a robótica que é um ramo da mecatrônica.

Mas mesmo assim, com a crise da virada do século a mais publicações desapareceram e então um novo fenômeno começou a mudar as coisas novamente, começando pelos Estados Unidos.

 

O Aparecimento dos Makers – A volta das montagens

Nos Estados Unidos, uma revista que ainda se mantinha forte era revista Make, que tem até hoje como elemento de destaque Chris Anderson.

 

Figura 8 – Impressora 3D
Figura 7- Capa de uma edição recente da revista Make

 

 

Esta revista explorava não apenas a montagem de coisas eletrônicas, mas qualquer tipo de coisa que se podia fazer em casa. O DIY (Do it Yourself) ou faça você mesmo muito apreciado pelos americanos e por muitos de nós.

A evolução da tecnologia, entretanto, deu um novo impulso ao DIY com o desenvolvimento cada vez maior das placas de microcontroladores que se tornaram poderosas e baratas, o sensores de todos os tipos, principalmente os inerciais e finalmente as impressoras 3D.

Partindo de placas que tinham quase tudo da eletrônica que se precisava para criar um projeto, sensores fabulosos que podiam ser acoplados a drones, robôs submarinos (como o da capa da revista acima), robôs humanoides e muito mais, até mesmo as menores peças (difíceis de obter no mercado especializados) poderiam ser fabricadas numa impressora 3D.

 

Figura 9 – Fabricando produtos com uma impressora 3D
Figura 8 – Impressora 3D

 

Impressoras de menos de 500 dólares podem ser compradas nos Estados Unidos e algumas escolas técnicas do Brasil já as possuem.

O novo amador da eletrônica, o Maker podia então criar seu próprio protótipo e até fabricá-lo em casa para vender pela Internet, criando-se assim uma nova forma de negócio que uma tendência do futuro.

Cada um será dono da sua própria empresa, fabricando coisas eletrônicas e vendendo pela Internet.

E, quando a demanda crescer, pode-se contratar uma fábrica da China a custos muito baixo para fabricar seu produto, que então você poderá vender, sem precisar sair de casa...

Mas, mesmos o que só desejam criar seu próprio projeto, ensinar ou aprender eletrônica e robótica e mecatrônica, ser um Maker pode levar a resultados fantásticos.

O Maker do século 21 é uma versão avançada do hobista do século 20 que faz uso das tecnologias disponíveis em nossos tempos.

Ele utiliza placas de microcontroladores como Arduino, PIC, Beaglebone e outras controlar seus projetos que podem ir de simples automatismos ou controles até drones, robôs, braços mecânicos, automatismos complexos.

Ele utiliza componentes eletrônicos para montar seus circuitos periféricos (Shields) ou compra-os prontos e tem recursos para a montagem das eventuais partes mecânicas quando não as encontra prontas.

Ele faz a programação de suas criações no seu computador e compartilha seus projetos com outros makers através da Internet.

E isso também nos leva a uma outra forma de abordagem para estes fantásticos criadores de coisas, a passagem do DIY para o DIT ou seja o Do It Togheter (Faça-o em Conjunto).

O compartilhamento das ideias é algo fantástico que a Internet possibilita em nossos tempos.

Para que quebrar a cabeça tentando encontrar uma solução para um problema que alguém já tem?

Por que não compartilhar suas ideias com outras para criar seus projetos?

E é isso que está ocorrendo agora. Muitos criando projetos, compartilhando e até criando novos produtos que neste caso serão industrializados, fabricados em pequenas quantidades e vendidos pela Internet criando assim uma nova atividade que deixa de ser apenas hobismo, para se tornar negócio.

 

Figura 10 – Shield para Arduino pronto (placa de relés)
Figura 9 – Fabricando produtos com uma impressora 3D

 

E as escolas tem nessa atividade a possibilidade de levar seus alunos de forma fácil e rápida novas tecnologias e o aprendizado tanto da eletrônica, como na robótica (mecatrônica) como da informática absolutamente necessárias nos próximos anos, em todos os ramos de atividade.

 

A Eletrônica Básica Ainda é Necessária

Se bem que as impressoras 3D possam fazer as partes mecânicas de um projeto, as placas de microcontroladores contenham as funções eletrônicas mais complexas, ainda é preciso ligar circuitos periféricos ao conjunto para se chegar ao projeto final.

Uma placa de Arduino não controla motores de alta potência ou motores de passo diretamente.

Uma placa deste tipo também não trabalha com sinais de áudio ou vídeo e se desejarmos obter estes efeitos precisamos de periféricos ou Shields.

Existem muitos Shields que podem ser comprados prontos, como placas de relés, pontes H, e muito mais, conforme mostra a figura 10, mas você precisa conhecer eletrônica para saber ligá-las e usá-las.

 

Figura 11 – Saber usar uma matriz de contato é fundamental
Figura 10 – Shield para Arduino pronto (placa de relés)

 

Isso significa que o maker precisa conhecer eletrônica suficiente para poder montar seus Shields e acoplá-los aos microcontroladores e sensores.

A eletrônica básica é, portanto, fundamental.

Resistores, capacitores, diodos, transistores e muitos outros componentes devem ser manuseados e montados tanto numa matriz de contato como numa placa para um projeto definitivo.

De fato, as placas de microcontroladores já vem em muitos casos com matrizes de contatos onde os circuitos periféricos são montados, como mostra a figura 11.

 

Figura 11 – Saber usar uma matriz de contato é fundamental
Figura 11 – Saber usar uma matriz de contato é fundamental

 

A eletrônica básica volta a ser importante nos nossos dias como conhecimento complementar para o desenvolvimento de qualquer projeto.

 

Como nosso site e nossos livros são fundamentais para você se tornar um Maker

Colecionamos durante nossa longa carreira uma infinidade de circuitos práticos que podem ser usados independentemente, mas que também podem ser utilizados como blocos construtivos de projetos do novo Maker.

Muitos deles podem fazer parte de projetos mais complexos atuando como Shields que não podem ser encontrados prontos para venda.

Um oscilador de áudio acoplado a uma placa de Arduino pode resultar num circuito de efeitos, num alarme, num despertador ou como elemento de interface com o usuário numa outra aplicação.

Um circuito de interface para motor de passo ou motor de corrente contínua pode servir de Shield de potência para um projeto que utilize este tipo de atuador.

A quantidade de circuitos temos no nosso site é imensa e todos os dias novos circuitos, artigos e projetos são colocados tanto nossos como de autores colaboradores.

A ideia de compartilhar as ideias é mais do que nunca explorada no nosso trabalho. Enviem seus artigos e ideias que analisaremos e publicaremos.

E nossos livros ensinam a eletrônica básica que o leitor necessita para o desenvolvimento de projetos, dão informações de como realizar estes cálculos e fornecem uma infinidade de circuitos adicionais prontos.

Enfim, nosso site de Hardware Livre (Open Source Hardware ou OSHW) , com projetos e ideias que podem ser compartilhadas mais do que nunca é o local de consulta para que você encontre uma boa ideia para um projeto ou mostre para o mundo o que você fez.

 

 

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