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Conhecendo fios esmaltados (ART963)

Uma grande quantidade de componentes eletrônicos como bobinas, motores, solenóides, relés, e choques de RF são "fabricados" com fios esmaltados das mais diversas espessuras. O montador, frequentemente, se vê diante de grandes dificuldades para calcular a quantidade de fio esmaltado necessária a uma aplicação, assim como para determinar a espessura de um fio que seja aproveitado de um componente fora de uso. Como fazer tudo isso é o que veremos neste artigo.

Os fios esmaltados, também chamados de magnéticos, são condutores de cobre recobertos por uma fina capa de esmalte isolante. Estes fios, ao contrário do que muitos pensam, são completamente isolados de modo que ao enrolarmos uma bobina, mesmo que as espiras fiquem umas sobre as outras, entre elas não existe nenhum contato elétrico.

Conforme a aplicação, devemos utilizar fios de espessuras diferentes. Deste modo, existem disponíveis fios de uma certa quantidade de espessuras que são identificados por códigos ou números.

A identificação mais conhecida é feita pelo código AWG (Americam Wire Gauge) que parte do fio mais grosso com o número 0000 e vai até o mais fino com o número 44. (Existem aplicações especiais que podem até usar fios mais finos que o 44 mas neste caso seu manuseio deve ser feito exclusivamente por máquinas dada a sua delicadeza, já que o fio 44 já é mais fino que um fio de cabelo!)

No projeto de dispositivos que usam estes fios precisamos conhecer tanto suas características elétricas como também suas características mecânicas tais como o peso por metro (ou quilômetro), a espessura, o diâmetro, etc.

Damos então uma tabela de fios a partir da qual explicaremos o significado de cada especificação com "dicas" que ajudem o leitor a trabalhar melhor com eles.

 


 

 

ESPECIFICAÇÕES

1) Número AWG - a numeração dos fios esmaltados é padronizada de tal forma que ao menor número corresponde a maior espessura. Uma outra numeração é a SWG havendo tabelas de correspondências entre as duas. Como adotamos normalmente a numeração AWG na maioria de nossos projetos, será esta a tabela tomada como base neste artigo.

 

2) Diâmetro - o diâmetro do fio é muito importante para o cálculo de dispositivos que os use. Este diâmetro vai determinar a área útil do fio e, portanto outras características elétricas como a resistividade, a capacidade máxima de corrente, etc.

 

3) Para os fios de maior espessura é muito fácil determinar o seu número AWG pela simples medida do diâmetro com um paquímetro ou até mesmo uma régua (existem réguas especiais que até são dadas de brinde em revistas ou vendidas em casas de ferramentas que possuem furos para medida de fios. Basta encontrar o furo onde o fio se encaixa e ler ao lado seu diâmetro ou número AWG). Para os fios mais finos, entretanto, se não dispusermos de um micrômetro, que é o instrumento mostrado na figura 1, a medida direta fica difícil.

 

 


 

 

É frequente encontrarmos montadores que aproveitam fios esmaltados de velhos transformadores e bobinas, mas não são capazes de identificar os números AWG desses fios por não terem como medir seus diâmetros.

Existe, entretanto, um processo muito simples de se determinar a espessura de um fio esmaltado com a ajuda de um lápis e uma régua comum. Este processo será explicado mais adiante neste mesmo artigo.

 

4) Seção em milímetros quadrados - esta indicação é muito importante para o projeto por diversos motivos: podemos, por exemplo, dizer que a seção do fio, mostrada na figura 2, determina a capacidade máxima de condução de corrente do dispositivo em que ele vai ser usado.

 


 

Para os fios esmaltados comuns, a capacidade de corrente é da ordem de 3,2 ampères por milímetro quadrado.

Outra característica determinada pela seção do fio é a sua resistência por metro. Na tabela temos a resistência por quilometro para cada espessura de fio.

Para cada milímetro quadrado temos uma resistência da ordem de 16,3 ? por quilometro. Observe que a resistência aumenta quando o fio se torna mais fino, o que implica na necessidade de se aplicar uma relação de proporção inversa nos cálculos.

 

5) Número de espiras por centímetro - quando enrolamos uma bobina com espiras adjacentes é muito importante saber quantas espiras de fio usado teremos em cada centímetro linear desta bobina. Isso influi não só no cálculo da indutância como também na escolha do tipo de forma usada. Na figura 3 mostramos como esta especificação é obtida.

 


 

Para uma bobina com elevado número de espiras, esta informação possibilita a determinação de quantas camadas de fio serão necessárias e de que espessura ficará o enrolamento final, conforme mostra a figura 4.

 


 

Neste ponto entra um tipo de cálculo importante que os leitores sempre solicitam: como calcular o comprimento do fio necessário para se enrolar uma determinada bobina?

O procedimento é simples, havendo duas possibilidades:

 

a) Bobina com camada única de fio esmaltado

Neste caso aplicamos a seguinte fórmula:

 

L = 2 x PI x R x n

 

Onde:

L é o comprimento do fio em centímetros

PI = 3,14 - constante

R = raio da bonina em centímetros ou metade do diâmetro

n = número de espiras

 

Exemplo:

Quantos metros de fio esmaltado precisamos para enrolar 100 espiras num bastão de ferrite de 1 cm de diâmetro?

 

Neste caso temos:

L = ? (a calcular)

R = 0,5 cm (metade do diâmetro)

n = 100 espiras

 

Aplicando a fórmula:

L = 2 x 3,14 x 0,5 x 100

L = 314 cm ou 3,14 metros

 

O comprimento do enrolamento pode ser conhecido em função do tipo de fio usado. Supondo que o fio seja o 28 com as espiras adjacentes (uma encostada na outra), conforme mostra a figura 5, teremos:

 


 

 

XX = n/k

 

Onde:

X é o comprimento do enrolamento em centímetros

n é o número de espiras

k é o número de espiras por centímetro, obtido na quarta coluna da tabela

Para o fio 28 e 100 espiras teremos:

 

X = 100/28,4

X = 3,52 cm

 

6) Kg por quilometro - os fios esmaltados podem ser adquiridos por peso, de modo que é importante saber determinar quanto pesa um certo comprimento de fio necessário ao enrolamento de um componente. Isso também dá uma idéia do peso final do componente, somado ao número, se for o caso.

 

7) Resistência em ? por quilometro - É muito importante saber qual vai ser a resistência final em ? de uma bobina. No caso de um relé ou solenóide, por exemplo, ela determina a corrente de acionamento e consequentemente a intensidade do campo magnético produzido.

Para calcular a resistência, o procedimento é o seguinte:

 

Suponhamos que desejamos calcular a resistência ohmica da bobina que tomamos como exemplo nos itens anteriores: 100 espiras de fio 28 num bastão de ferrite de 1 cm de diâmetro.

Devemos então calcular o comprimento do fio que, conforme já vimos, é de 3,14 metros.

Aplicamos então a fórmula:

 

R = (Ry x X)/1000

 

Onde:

R é a resistência do enrolamento em ?

Ry é o valor em ? por quilometro do fio usado obtido na tabela

X é o comprimento do fio usado no enrolamento

 

Para 100 espiras de fio 28 num bastão de 1 cm de diâmetro temos:

R = ?

Ry = 212,5 ? por quilometro

X = 3,14 metros

 

R = (212,5 x 3,14)/1000

R = 0,667 ?

 

Observe que é muito importante usar as unidades corretas em cada caso.

Nos circuitos de sintonia, esta resistência é importante na determinação do fator de qualidade (fator Q), o qual está relacionado com a "seletividade" do circuito.

 

8) Capacidade em ampères - esta informação é muito importante para o projeto de transformadores, solenóides e relés, onde os fios são percorridos por correntes intensas.

O fio esmaltado apresenta uma certa resistência, conforme podemos ver pela própria tabela. Com a circulação de uma corrente intensa, em vista desta resistência é produzida uma certa quantidade de calor que deve ser previsto no projeto. Se o calor for excessivo ele pode causa a queima do componente (queima do isolamento) ou o próprio rompimento do fio por fusão.

A capacidade de corrente em ampères permite ainda que um pequeno pedaço de fio esmaltado seja usado como "fusível".

É claro que a corrente indicada na tabela é a máxima para aplicações normais. A corrente em que vai ocorrer o rompimento do fio é bem maior.

 

DETERMINAÇÃO DO NÚMERO AWG DE UM FIO OU SUA ESPESSURA

O procedimento que indicamos é válido para fios de numeração entre 12 e 40 aproximadamente.

Para 10 espiras e fios entre números 12 e 20 AWG temos a tabela II.

 


 

Para 20 espiras de fios entre 21 e 40 temos a tabela III.

 


 

O procedimento para identificação de um fio esmaltado deve ser o seguinte:

 

1. Enrole 10 espiras do fio desconhecido num lápis comum com as espiras bem encostadas uma nas outras (enrolamento cerrado) porém, sem "encavalar", conforme mostra a figura 6.

 


 

2. Meça o comprimento do enrolamento com uma régua, conforme mostra a figura 7.

 


 

3. Se o comprimento for superior a 8,1 milímetros então o fio tem espessura entre 12 e 20 e você pode consultar a tabela II diretamente. Por exemplo, 11,5 mm corresponde ao fio 17.

4. Se o comprimento for inferior a 8,1 mm, enrole mais 10 espiras e consulte a tabela III. Um comprimento de 7,2 mm, por exemplo, com 20 voltas de fio, indica que o fio é o AWG 27.

 

 

TRABALHANDO COM FIOS ESMALTADOS

Para soldar os extremos de uma bobina enrolada com fio esmaltado precisamos raspar a fina capa de esmalte isolante. No ponto em que fazemos esta raspagem com uma lâmina, por exemplo, o esmalte é removido e a solda pode pegar ou um conector não terá seu contato prejudicado.

Para os fios muito finos existem procedimentos melhores para se remover a capa de esmalte.

Um deles consiste em se fazer uso de um fósforo e uma lixa, conforme mostra a figura 8.

 


 

Com cuidado, usamos o fósforo passando-o rapidamente aceso perto do fio para queimar apenas a capa de esmalte, que depois será removida com a lixa. Se o fio for muito fino o fogo do fósforo pode derretê-lo, daí a necessidade de se passar muito rapidamente o fósforo.

Fios esmaltados finos podem ser emendados com uma solda feita por um palito de fósforos ou vela, conforme mostra a figura 9.

 


 

Basta torcer os fios, que devem ser emendados, e colocar este ponto sob a ação de uma chama. As pontas devem fundir formando uma pequena esfera.

Bobinas de pequenas de fios grosso não precisam de formas pois podem ser "auto-sustentadas" conforme mostra a figura 10.

 


 

Já, as bobinas de fios muito finos precisam de formas que devem ser materiais isolantes não magnéticos ou ferrosos como o plástico, fibra ou mesmo papelão. Nestas formas podem ser encaixados núcleos de materiais ferrosos.

 

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