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Prof. Ventura em: Improvisação Nota 10 (NVENT012)

Na realidade, esta é uma estória que envolvem dois outros personagens que não são Beto e Cleto e que criei em 1963. Sempre gostei de escrever, e as estórias de ficção me despertavam especial interesse. Na revista americana Popular Electronics havia dois personagens que protagonizavam aventuras no mundo da eletrônica desde 1948 e eu os acompanhava desde o início de minha carreira.. 

 

Suas estórias é que me inspiraram a criar depois de muitos anos o Prof. Ventura, Beto e Cleto. Escrevi diversas estórias com Juca e Chico que eram dos nomes da versão brasileira já que John T. Frye, o criador americano tinha como personagem Carl e Jerry, dois técnicos de TV . A que apresento é de 1966 mas tenho algumas de até antes e que agora recupero. A estória aqui reproduzo, insparada na série original e usando os nomes dos personagens traduzidos na época pela versão brasileira, Juca e Chico, foram transferidos aos nossos bem conhecidos Beto e Cleto. Ela é uma verdadeira aula de improvisação mostrando que eu já sabia como fazer muitas coisas que só depois com a série McGyver se tornaram populares. O prof. Ventura não aparece nesta estória que lembra a tecnologia da época. A data é 1 de fevereiro de 1966 e nesta estória os personagens dão uma aula de improvisação que certamente deixariam muitos anos depois McGyver com inveja.

Vamos a história:

 

Eram quase 5 horas da tarde quando Cleto foi atender ao chamado da campainha da porta.

Naturalmente ele sabia que era seu amigo, pois Beto costumava tocar a campainha em Morse, dando um toque curto e três longos, que era a primeira letra do seu nome.

“Oi, amigo, o quem há de novo?”

“Não me diga que você estava dormindo numa tarde como esta?”

Cleto não deu atenção. O outro continuou falando.

“Ora, vá arrumar-se que o seu Jorge, lá da empresa de madeiras do outro lado da cidade, sabendo de nosso gosto pela eletrônica, disse que poderíamos dar uma busca no seu porão, pois segundo ele, haveriam muitos componentes antigos ainda aproveitáveis.”

Cleto, para qualquer coisa que não fosse comer, era considerado um molóide, menos para uma: bastava falar em eletrônica e pronto. Virava um foguete. Foi exatamente o que aconteceu. Cleto correu para se aprontar.

Pouco depois, seguiam os dois para a empresa do amigo, imaginando milhões de componentes nas sucatas, todos eles em bom estado.

Pouco depois chegaram ao velho prédio ainda estavam trabalhando diversos funcionários, e caminhões de movimentavam transportando madeira. Seu Jorge que, comum capacete de proteção na cabeça, os reconhecei e lhes indicou o caminho para o porão do velho prédio, ao mesmo tempo aconselhando:

“Podem pegar à vontade o que quiserem. Lembre-se que fechamos às 6:30, e esquecido como seu, posso esquecer vocês dois ai.”

“Não tem perigo, nós nos lembraremos.” – respondeu Beto, se dirigindo para a entrada do prédio indicado por seu Jorge.

Beto e Cleto, depois de entrarem no prédio, viram enormes tábuas e vigas e passando por elas, chegaram a uma escada que levava a um porão. Lá encontraram uma grande quantidade de caixas cheia de materiais diversos, a maioria imprestável.

“Sucata apenas!” – exclamou Beto.

Se havia algo que os entusiasmasse era algo ligado à eletronica. Os dois começaram então a examinar as caixas, e em pouco tempo começaram a aparecer cosias interessantes. A cada achado eles não podiam deixar de fazer um comentário favorável:

“Olhe só! Uma válvula daquelas antigas com o bulbo em forma de lâmpada.”

“Um rádio de automóvel dos anos 40. Aqueles que ainda usavam vibradores.”

“Um microfone de carvão de telefone antigo!”

Se seu Jorge era esquecido, Beto e Cleto diante de tantos achados eletrônicos também esqueceram o tempo. Os minutos passaram, as horas e se não batesse a fome, passariam também os diodos.

Cleto, cujo relógio estava no estômago, funcionando com uma precisão inigualável para determinar o intervalo entre o almoço e o jantar, foi quem deu o alarme.

De fato, o “timer” de Cleto não falhava. Em dado momento, o gordinho, largando um velho fone magnético na caixa, pôs a mão no estomago. Cleto, que observou o amigo, perguntou:

“O que houve? Engoliu alguma válvula?”

“Se válvulas tivessem gosto de sorvete, bem que eu comeria. O meu estômago está dizendo que está na hora do jantar.”

Beto então teve um sobressalto. Verificando diretamente seu relógio exclamou:

“Chi” São 8:30. A porta! Vamos ver se não a trancaram!

Os dois subiram as escadas do porão correndo, mas era tarde! A porta principal já havia sido trancada. Eles estavam presos.

“E agora? Perguntou Cleto, apavorado” (*)

(*) Lembramos que esta estória foi escrita em 1966. Não havia celular na época.

“Precisamos ter calma! Vamos examinar a situação.”

Cleto começou a examinar o ambiente, para ver se havia alguma janela, uma segunda porta ou abertura que poderia ser usada para sair de lá. Não viu nada. O depósito era um galpão com quase 5 metros de altura, sem janelas e com uma única porta, e ela estava fechada.

“Nossa situação não é nada boa!”

“E, o que é pior, amanhã é sábado. O pessoal não trabalha, e só virá alguém aqui na segunda feira. São três dias!” – disse Beto.

“Tremo só em pensar em ter de ficar aqui três dias!”

“Não se apavore. Vamos usar o velho conselho que se deve seguir sempre em situações como esta: faça o que puder com o que tiver.”

Cleto pensou um pouco e depois, com um sorriso afirmou:

“Se podemos fazer alto, deve ser algo que use a eletrônica. Vamos voltar ao porão. Acho que lá existe material suficiente para um montar um transmissor e pedir ajuda.”

Os dois estavam calmos. Tinha juízo suficiente para saberem o que fazer nessa situação. Desceram as escadas do porão e se puseram a examinar com mais cuidados as peças que haviam encontrado.

“Eu estive pensando em quantas pessoas não conseguem sair dessas situações por ficarem berrando, ou esgotando suas forças tentando abrir passagem para fora.”

“Sim” – disse Cleto – “Nós temos muita sorte em termos desenvolvido muito bem nosso auto-controle, mas deixemos isso e vejamos o que conseguimos para ter um bom oscilador de RF”.

Cleto, entre as peças encontradas, separou um velho transformador, uma coluna de retificadores de selênio que deveria estar em muito mau estado, o rádio de automóvel antigo quebrado, e algumas peças que ele julgou ter utilidade.

Beto separou um velho fone magnético, algumas bobinas, um capacitor variável com uma seção em curto, um diodo de cristal e um bom pedaço de fio desencapado.

“Que faremos agora?” – perguntou Cleto, ao mostrar suas peças ao amigo que, depois de examiná-las sugeriu:

“Se os filamentos dessas válvulas estiverem bons, poderemos ligá-las diretamente no transformador e se pelo menos uma delas estiver boa, quem sabe poderemos fazê-la oscilar”.

“E a tensão contínua para isso? Será que o diodo de selênio ainda funciona? – Cleto ainda não estava seguro de que poderiam fazer algo.

“Não sabemos” – comentou Beto – “Só saberemos depois de testar. Temos de examinar as válvulas”.

“Não é fácil. Precisamos também de um Multímetro”

“Olhe só! – Observou Beto – “Este velho rádio valvulado de carro tem uma lâmpada neon no painel. Está resolido o problema!”

Cleto vendo a lâmpada, imediatamente passou a montar um indicador de continuidade. Pouco depois ele empunhava um instrumento improvisado com diversos fios pendurados, mas bem isolados. Enfiou os fios na tomada que havia numa parede e a lâmpada brilhou. Estava boa.

“Bem, pelo menos já temos um medidor de continuidade e indicador de tensão. Passemos às válvulas.”

Pino por pino, os dois testaram as válvulas, chegando a um resultado muito animador: elas não estavam queimadas. Poderiam estar abandonadas por outros motivos, como por estarem enfraquecidas, terem elementos em curto, etc.

Enquanto Beto improvisou uma instalação para as válvulas, Cleo montou com a velha coluna de selênio uma fonte de corrente contínua sem transformador. Os capacitores foram encontrados na sucata, enquanto que um choque de filtro foi improvisado com o enrolamento primário de um transformador.

Restava agora encontrar um meio de se obter um oscilador. Beto, com a lâmpada neon e a fonte de corrente contínua verificou quais eram os defeitos das válvulas. Uma estava com uma de suas grades em curto com o catodo enquanto que outra que estava muito fraca serviria apenas como carga para os filamentos.

Cleto, a com a bobina do rádio ali existente imaginou um oscilador para a faixa dos 40 metros, pois a válvula dificilmente oscilaria em frequência mais alta. Eram um pentodo de áudio e ainda estava com alguns problemas.

“Temos aindaum grave problema” – Disse Beto

“O que há?” – interrompeu Cleto ao improvisar um resistor com o filamento de outra válvula. “Como saberemos se isso está oscilando?”

“É mesmo! Mas espere! A lâmpada neon. Se a colocarmos na antena ela acenderá ser houver RF. Certo?’

Depois de algum tempo estava pronto um pequeno transmissor improvisado: um velho capacitor variável, duas válvulas defeituosos, uma bobina,uma coluna de selênio duvidosa, mas ainda funcionando, capacitores e diversos fios pendurados.

“Eu teria vergonha se alguém visse essa montagem!” – Disse Beto.

Em seguida, ligaram o aparelho a uma tomada. As válvulas acenderam e Cleto depois de algum tempo foi até a antena com a lâmpada neon presa a uma pequena antena feita com dois pedaços de fio. A antena do transmissor era um fio longo espalhado pelos objetos do porão. A lâmpada neon acendeu ao se aproximar da antena. Funcionava!

Estava tudo pronto para o lançamento do apelo.

Beto empunhou o fone de ouvido encontrado na sucata que ligado à válvula funcionaria como microfone e com voz calma começou a chamar alguém que pudesse estar ouvido. Algum radioamador que estivesse sintonizando a frequência naquele momento. Enquanto falava a lâmpada neon junto a antena iscava comprovando que o apelo estava sendo transmitido.

Cleto olhou para o relógio. Eram 10:30. Além os escutaria àquela hora? Eles aguardavam ansiosamente.

Depois de muitos revezamentos no apelo, já exaustos os dois ouviram um ruído próximo. Era uma sirene.

Os dois pararam a transmissor e passaram a ouvir o que se passava lá fora. A sirene se tornou cada vez mais forte até que parou, e para alívio dos dois, foi justamente diante do prédio em que estavam.

Ouviu-se em seguida ruídos de passos. Beto e Cleto abandonaram o transmissor e correram para a porta. Batendo e gritando, em pouco tempo vozes lá foram pediram para que se acalmassem.

Em pouco tempo a porta foi aberta. Eram duas da manhã e eles estavam livres! A situação até fez com que Cleto esquecesse o jantar...

Ao sair puderam ver um carro de polícia, Seu Jorge e os pais preocupados.

No carro, depois de um breve lanche que eles devoraram, começaram a comentar o ocorrido.

“Os senhores escutaram nosso apelo pelo rádio?” – perguntou Beto ao guarda que os acompanhava.

“Nós não, mas há meia dúzia de radioamadores que ouviram de tal maneira as interferências que você emitiram que eles tiveram suas comunicações praticamente paralisadas. Televisores foram interferidos e ninguém conseguia ouvir rádio na cidade.

“Puxa! Quer dizer que nosso transmissor é realmente bom!” – disse Cleto com orgulho, esperando um elogio. Mas não foi isso que o guarda disse.

“Bom nada!” Vocês tratem de tirar aquilo do ar senão terei de prendê-los. Aquilo perturba a ordem mais que um bando de desordeiros!” – disse o guarda rindo.

Juca então concluiu:

“Pode ser que não seja um bom transmissor, em termos de improvisação, certamente somos nota 10!”

 

Escrito em Fevereiro de 1966

Republicado em 2018

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