Grampo - Entenda o que é e como evitar (ART599)

Escrevemos este artigo em 2008 quando havia uma série problemas de interferência de autoridades e mesmo de pessoas mal intencionadas na vida privada dos cidadãos. A violão das linhas telefônicas para a escuta e gravação de conversas havia se tornado um fato comum, trazendo enormes preocupações para muitos que também viam nisso uma séria ameaça a segurança pessoa. O artigo mostra como funcionam os grampos, ou seja, os circuitos que violam as linhas telefônicas e o que é possível fazer para evitá-los. Este artigo serviu de base para um livro de nossa autoria, Espionagem e Contra-Espionagem Eletrônica, que fez grande sucesso na época.

Passamos por uma crise de perda da privacidade com um número crescente e alarmante de casos de grampos telefônicos. O fácil acesso a meios tecnológicos que permitem realizar grampos com facilidade coloca este recurso não mão de praticamente qualquer pessoa. Para os que possuem conhecimentos técnicos de eletrônica fazer um grampo telefônico é muito simples, mas para estas mesmas pessoas localizar e evitar este problema também é. Neste artigo mostramos como o grampo é feito e como o leitor pode evitar ser vítima desta modalidade de invasão de sua privacidade.

Em nosso livro Espionagem e Contra-Espionagem Eletrônica na ampla variedade de dispositivos que o leitor pode encontrar, destacamos os que se destinam tanto a interceptação de conversas telefônicas, os chamados "grampos" como também alguns recursos técnicos interessantes que anulam o funcionamento de tais dispositivos ou ainda detectam a sua presença. Neste artigo destacamos estes recursos, mas certamente os leitores interessados vão ter muito mais se analisarem tudo que o livro aborda.

 

O Grampo

Existem diversas técnicas para se interceptar uma conversa telefônica. A mais simples consiste em se puxar uma extensão, mas neste caso, corre-se o risco de se seguir os fios e se chegar ao espião, que não terá uma atuação muito segura. Além disso, conforme veremos, existem recursos que permitem detectar se uma linha tem uma extensão clandestina. Uma outra forma, um pouco mais segura consiste em se conectar num ponto da linha um gravador automático que, depois será recolhido pelo espião que se manterá afastado do local. A derivação da linha para um sistema de gravação também tem a vantagem de 'carregar' menos a linha e, portanto ser mais difícil de detectar. Na figura 1 temos as duas primeiras formas de se interceptar conversas telefônicas.

 

Interceptação simples com extensão ou ligação de um gravador.
Interceptação simples com extensão ou ligação de um gravador.

 

No entanto, a forma mais segura e mais utilizada de se interceptar conversas telefônicas consiste em se conectar à linha um transmissor, que envia então seus sinais para um local seguro das vizinhanças, onde o espião, com a ajuda de um receptor conectado a um gravador, registra as conversas, conforme mostra a figura 2.

 

Grampo sem fio, com o uso de um transmissor.
Grampo sem fio, com o uso de um transmissor.

 

Na forma mais simples, o transmissor de baixa potência é alimentado pela própria tensão da linha telefônica e envia seus sinais para um receptor telefônicos colocado nas proximidades. Um circuito apropriado ativa o transmissor apenas quando o telefone está sendo utilizado numa conversação. Normalmente para estes transmissor, dada a limitação da energia disponível numa linha, o alcance é de algumas dezenas de metros. Se bem que o espião possa se colocar em lugar seguro, localizando o transmissor podemos ter certeza que o receptor está perto.

Numa forma mais elaborada, o transmissor pode ter sua própria fonte e operar em faixas de maior dificuldade de localização como VHF e UHF e num caso mais sofisticado, pode utilizar técnicas de modulação digital, como a de salto de freqüências que torna praticamente impossível a intercepção de seus sinais e, portanto sua localização. Na figura 3 mostramos um transmissor deste tipo.

 

Diagrama de blocos de um grampo digital.
Diagrama de blocos de um grampo digital.

 

Para a montagem, não será preciso gastar muito para se ter um transmissor do tipo comum, facilmente instalável numa linha telefônica. Com componentes baratos pode-se ter um transmissor, que envia seus sinais a um receptor de FM a uma distância de até 30 metros.

No entanto, se o leitor tiver como trabalhar com componentes SMD (Para Montagem em Superfície) pode fazer uma montagem suficientemente compacta para que seu transmissor não fique maior do que uma moeda de 1 Real e portanto seja muito difícil fazer sua localização.

 

O Problema do Celular

No caso dos telefones celulares, a intercepção das conversas torna-se muito mais difícil (mas não impossível) por diversos motivos. O primeiro é dificuldade em se localizar o ponto de emissão, mas o mais complexo é a decodificação do sinal. A forma de modulação digital utilizada impede que o sinal seja interceptado com facilidade e mesmo que seja, a decodificação da mensagem sem a utilização de poderosos algoritmos que são propriedade das empresas que operam estes equipamentos. Isso exige que para se fazer uma interceptação direta deve-se ter acesso aos equipamentos que manuseiam os sinais. Outra possibilidade está no fato dos sinais manuseados pelas Estações Radio-Base serem transferidos para outras estações e para linhas físicas. Nestas linhas físicas podem ser colocados os grampos.

 

Detectando os Grampos

Numa linha física a colocação de equipamentos de escuta causa pequenas alterações de suas características que podem ser detectadas com a ajuda de circuitos especiais. Por exemplo, a impedância de uma linha é 600 ? e a tensão que aparece num telefone tem um certo valor. Se uma extensão for agregada a esta linha, conforme mostra a figura 4, sua impedância modifica-se com uma leve queda no sinal. Isso significa que pelo simples monitoramento da impedância ou tensão de uma linha podemos saber se uma extensão é ligada.

 

A ligação de uma extensão pode ser detectada pela alteração que causa nas características da linha.
A ligação de uma extensão pode ser detectada pela alteração que causa nas características da linha.

 

Uma outra possibilidade consiste em se monitorar eventuais emissões de sinais de rádio que possam estar ocorrendo num ambiente. Para esta finalidade existem equipamentos, denominados medidores de intensidade de campo (Field strength meter), que acusam uma emissão clandestina, conforme mostra a figura 5.

 

Medidores de intensidade de campo detectam sinais de transmissores.
Medidores de intensidade de campo detectam sinais de transmissores.

 

Detectores de metais também podem ser utilizados para acusar a presença de cabos ocultos ou mesmo equipamentos escondidos em locais diversos.

 

Contra Medidas

As contra medidas também são possíveis. Uma delas, que pode ser utilizada numa linha telefônica comum consiste no embaralhamento da voz ou na inclusão de um ruído superposto à voz. Por exemplo, pode-se agregar ao sinal de voz um tom de um oscilador e no receptor utilizar-se um filtro para eliminar este sinal, deixando a voz limpa, conforme mostra a figura 6.

 

Utilizando-se um sinal superposto para se evitar que a conversa seja entendida.
Utilizando-se um sinal superposto para se evitar que a conversa seja entendida.

 

Outra possibilidade consiste em se modificar o sinal de voz de uma maneira conhecida, por exemplo, duplicando-se sua freqüência, de modo que a voz se torne incompreensível. As pessoas dos dois lados da linha devem então ter os decodificadores que devolvem ao sinal a inteligibilidade original, conforme mostra a figura 7.

 

Modificando-se o sinal de voz para que ele se torne incompreensível.
Modificando-se o sinal de voz para que ele se torne incompreensível.

 

Uma contra medida interessante, consiste em se gerar um forte sinal de rádio que se espalhe pela faixa provável de operação de um transmissor, prejudicando assim sua recepção. É claro que este procedimento tem por desvantagem bloquear serviços normais que operem na faixa, por exemplo, impedir que sejam usados rádios de FM comuns no local.

 

Circuitos Práticos

Se bem que existam centenas de configurações possíveis para se fazer e para se detectar grampos, muitas das quais mostradas em nosso livro, escolhemos algumas que podem ser bastante interessantes para os nossos leitores que desejam fazer algo de prático.

 

1. Detector de Extensões

O circuito que apresentamos acusa quando existe uma extensão numa linha telefônica. No caso, um LED acende indicando o fato. O ajuste é feito em P1 no diagrama que é dado na figura 8.

 

Diagrama do detector de extensões telefônicas.
Diagrama do detector de extensões telefônicas.

 

A placa de circuito impresso para a montagem do detector é mostrada na figura 9.

 

Sugestão de placa
Sugestão de placa

 

O circuito é ajustado atuando-se sobre o trimpot de modo que o LED fique no limiar do acendimento. A inserção de um segundo aparelho na linha fará com que o LED acenda.

 

2. Detector de Transmissores

O último circuito que apresentamos é um detector de transmissores. Trata-se de um sensível medidor de intensidade de campo que permite analisar objetos suspeitos ou locais suspeitos, detectando se existe algum transmissor de rádio escondido em operação. Um indicador mostra o a presença do sinal e a sua intensidade. Na figura 10 temos o diagrama completo do detector que é alimentado por pilhas comuns ou bateria de 9 V.

 

Este detector de transmissores indica a presença de sianis indevidos em objetos ou locais.
Este detector de transmissores indica a presença de sianis indevidos em objetos ou locais.

 

Em lugar do instrumento indicador pode ser utilizado um multímetro comum na escala de correntes. O ajuste deve ser feito no trimpot para que a agulha fique no meio da escala. A antena pode ser telescópica ou um pedaço de fio rígido de 40 a 60 cm. Aproximando-se a antena de um pequeno transmissor, seu sinal deve ser detectado. Na figura 11 temos a placa de circuito impresso para este projeto.

 

Sugestão de placa para o detector de transmissores.
Sugestão de placa para o detector de transmissores.

 

Conclusão

O que vimos neste artigo é uma pequena amostra de pequenos dispositivos de baixo custo que, no entanto, podem fazer parte da maleta de um espião, com a possibilidade de realizar operações de espionagem bastante eficiente ou ainda de ativar contra medidas igualmente importante. No nosso livro de Espionagem e Contra-Espionagem Eletrônica, temos muito mais como, por exemplo:

* Amplificador para ouvir através das paredes

* Microfone parabólico

* Alarme de telefone

* Detector de cabos

* Alarme de corte de linhas telefônicas

* Espião telefônico automático

* Transmissor de ruído

* Medidores de intensidade de campo.


Tempo
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