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Prof. Ventura em: Os Agentes 007 e 008 (NVENT14)

Na realidade, esta é uma estória que envolvem dois outros personagens, que não são Beto e Cleto e que criei em 1963. Sempre gostei de escrever, e as estórias de ficção me despertavam especial interesse. Na revista americana Popular Electronics havia dois personagens que protagonizavam aventuras no mundo da eletrônica desde 1948 e eu os acompanhava desde o início de minha carreira. Suas estórias é que me deram inspiração para criar depois de muitos anos o Prof. Ventura, Beto e Cleto. 

Escrevi diversas estórias com Juca e Chico que eram dos nomes da versão brasileira já que John T. Frye, o criador americano tinha como personagem Carl e Jerry, dois técnicos de TV. A que apresento é de 1966 mas tenho algumas de até antes e que agora recupero. A estória aqui reproduzo, inspirada na série original e usando os nomes dos personagens traduzidos na época pela versão brasileira, Juca e Chico, foram transferidos para os nossos bem conhecidos Beto e Cleto. Ela é uma verdadeira aula de eletrônica e de improvisação mostrando que eu já sabia como fazer muitas coisas que só depois com a série McGyver se tornaram populares. O prof. Ventura não aparece nesta estória que lembra a tecnologia da época. A data é 13 de janeiro de 1966.

Vamos a história:


 

 

O dia chuvoso prendia os dois amigos, Beto e Cleto no porão que usavam como laboratório. Mesmo assim, eles não lamentavam não poder sair, pois era um dia ideal para que os projetos que tinham pudessem ser levados avante.

Cleto, com sua gordura característica, encaixado como uma válvula no seu soquete na velha poltrona, examinava algumas revistas técnicas em busca de novidades ou encrencas, ambas muito comuns na vida dos dois.

Beto, por outro lado, dava retoques finais num pequeno transmissor transistorizado que havia montado.

Um ruído de carro parando, entretanto, interrompeu as atividades dos dois. Foram até a janela do porão e o que viram foi um carro de polícia estacionando.

Não era motivo de preocupações a presença da lei na casa dos dois, pois eram de há muito tempo amigos do delegado local que , em certos momentos pedia a ajuda inventiva dos dois na solução de algum caso.

De fato, era o delegado que, pouco depois, acompanhando de dois policiais descia a escada do portão. Depois de um breve cumprimento, explicou mais ou menos nas seguintes palavras qual era motivo de sua vinda.

“Vim novamente incomodar vocês, mas foi a única saída que encontrei.”

Beto quis ser gentil:

“Ora, não diga isso. Estamos à sua disposição.”

“Muito obrigado, mais uma vez.” – continuou o delegado – “O caso é o Seguinte: há duas semanas atrás foram presos dois contrabandistas de peças de veículos, mas infelizmente o resto da quadrilha escapou. Pistas conseguidas pelos dois capturados nos levaram àquele casarão abandonado, perto do rio nos limites da cidade.”

O delegado tomou fôlego:

“Pensávamos que estava lá todo o carregamento contrabandeado, mas nada. Tudo que encontramos foram ferramentas sujas de barro e pegadas da mesma terra. Isso faz pensa que os malandros enterraram a muamba, para depois tentar recuperar quando as coisas se acalmassem.”

Beto e Cleto prestavam atenção. O delegado tinha mais o que dizer:

“Pensávamos também que seria fácil encontrar o buraco , mas para complicar a chuva fez com que o rio transbordasse no local, apagando os vestígios. E, para complicar, vocês sabem como é difícil andar naquele matagal.”

Neste momento, Beto interrompeu, já percebendo o que o delegado esperava deles.

“O Sr. Quer que nós descubramos onde está o carregamento de peças contrabandeadas. Certo?”

“Sim, eu pensei que vocês talvez pudessem ter algum detector de metais. Com ele seria fácil descobrir onde estão as peças enterradas.”

Beto explicou que no momento não tinham nenhum, mas que em pouco tempo poderiam montar um, o que foi confirmado por Cleto.”

Ficou combinado também que logo que os dois terminassem o aparelho iriam até o casarão, onde alguns policiais encarregados de tomar conta do local, dada a possibilidade dos bandidos voltarem seriam avisados e eles poderiam fazer o seu trabalho.

Assim que o delegado saiu, Beto dando um pontapé na poltrona em que Cleto estava acomodado oi fez saltar.

“Ao trabalho” Vamos montar o negócio. .Agora somos os agentes 007 e 008. Vamos descobrir a “muamba” Certo?”

“Está bem 007, mas não precisa empurrar. Estava quase dormindo no sofá”

Beto completou sério:

“E eu teria de aguentar as oscilações de baixa frequência de seus roncos! Vamos logo 008!”

O projeto não demorou muito para se completar. O que Beto fez foi uma adaptação de seu pequeno transmissor experimental. Ele teve de explicar ao amigo o que havia feito para ser tão rápido e ficar tudo tão simples.

“O transmissor que eu havia montado era de baixa frequência para servir como um microfone sem fio na faixa de 4 MHz. A frequência era determinada por uma bobina em paralelo com um capacitor ajustável. “

Ao mesmo tempo em que falava, Beto apontava para os componentes na ponte de terminais, pois se tratava de uma montagem experimental simples.

Beto continuou com as explicações

“O que vamos fazer é montar um transmissor igual. No entanto vamos baixa a frequência dos dois de modo que operem em torno de 200 kHz. Haverá uma pequena diferença no modo como os circuitos de sintonia dos dois serão construídos. Num eles temos a bobina normal com núcleo de ferrite, mas no outro a bobina será grande com núcleo de ar.”

“?” – a expressão de Cleto mostrada que ele precisa de mais explicações.

“Vamos enrolar a bobina numa forma de plástico de uns 30 cm de diâmetro. Depois vamos ligar a saía dos dois transmissores a um pequeno amplificador de áudio e na saída do amplificador a um fone”

Vinha agora a explicação do princípio exato do funcionamento.

“Com os dois transmissores, que na verdade são osciladores, operando na mesma frequência, o batimento é zero, ou seja, a frequência de saída é nula e não há sinal.”

Beto sabia como explicar:

“No entanto, se a frequência de um deles se alterar o batimento deixa de ser zero e aparece na saída um sinal que é amplificado e ouvido no fone.”

Cleto havia “captado” a ideia.

“Entendi. Quando objetos de metal se aproximarem da bobina, ela muda a indutância e com isso a frequência do transmissor. Quanto mais próximas ou maiores forem as peças, mas agudo será o som obtido. Mas, será que ele terá sensibilidade para o que desejamos?”

Era uma boa pergunta, que precisava ser respondida para não comprometer o plano. Para ter uma ideia da sensibilidade, Beto e Cleto fizeram alguns testes.

Era bem sensível o aparelho montado. Sua bobina de 30 cm de diâmetro presa na extremidade de um cabo de vassoura conseguia detectar um pedaço de metal a uma distância de várias de dezenas de centímetros de profundidade. Era o suficiente.

Como já era noite quando os dois terminaram o projeto, deixaram para o dia seguinte a ida ao local suspeito.

Pela manhã do dia seguinte a chuva persistiu, para atrapalhar ainda mais o trabalho difícil de Beto e Cleto.

Cleto aparecei na casa do amigo com duas enormes botas de borracha, que iam até acima do joelho, capas escuras e um enorme guarda-chuva.

Devidamente vestidos, empunhando o detector de metais que havia sido encerrado numa caixa plástica, foram até o casarão.

“Estive pensando. Com estes trajes estaremos parecendo realmente agentes secretos?” – Cleto comentou com humor.

Beto não deixou por menos, para dar uma “alfinetada” no amigo gorducho.

“Só que de guarda-chuva e bota a barriga não combina.”

Cleto ficou quieto até chegarem ao lugar. Dois policiais estavam no terraço da casa cheia de goteiras.

Os policiais, sabendo que os dois viriam, mostraram quais seriam os locais mais prováveis para enterrar as peças. Era um matagal com perto de meio metro de altura e que ia terminar nas margens do rio, bastante cheio quase transbordando.

Depois de quase meia hora de buscas, já cansados, caminhando pelo que parecia ser uma trilha, estancaram. Um ruído no fone.

“Parece que há algo aqui em baixo.” – Murmurou cleto que estava com o detector. Colocando o fone no amigo, ele realmente constatou que alguma coisa havia sido detectada.

“É verdade. Há algo aqui e é muito grande pelo variação do som que produz. Vamos chamar os policiais.”

Com um aceno de mãos no meio do mato, Beto alertou os policiais de que havia algo ali. Os dois pegaram então pá e enxada que tinham perto e foram até o local.

A chuva havia diminuído de intensidade.

“Parece que encontramos algo.” – comentou Cleto.

“Cavemos então.” – comentou o policial já empunhando as ferramentas.

O buraco começou a crescer no local suspeito, bem no meio de uma trilha, mas sem marcas recentes.

Pouco tempo depois um buraco enorme se abria, já que estava fácil cavar,pois o solo estava molhado.

Em dado momento, um dos policiais bate com a ferramenta num objeto sólido com sua pá. Todos ficaram atentos e quando limpando a terra com a pá viram uma caixa com uma etiqueta onde se lia “Made in China”. Acharam o contrabando.

A maior dificuldade depois disso foi ajudarem o gordo Cleto sair do buraco.

Na tarde do dia seguinte apareceu o delegado na casa de Beto, onde Cleto também se encontrava. Vinha agradece a ajuda dos dois. Trazia consigo um jornal onde havia uma foto dos dois com os devidos trajes do dia anterior.

Apesar de resfriados devido à chuva que haviam tomada, ainda tiveram forças para se divertirem com a foto. Até o delegado riu. Os contrabandistas foram os único que não riram.

 

Escrito originalmente em 13/01/1966

Republicado em 2018

 

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