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Prof. Ventura em: A Culpa foi da Light (NVENT013)

Na realidade, esta é uma estória que envolvem dois outros personagens que criei em 1965. Sempre gostei de escrever, e as estórias de ficção me despertavam especial interesse. Na revista americana Popular Electronics haviam dois personagens que protagonizavam aventuras no mundo da eletrônica desde 1948 e eu os acompanhava desde o início de minha carreira.. Suas estórias é que me inspiraram a criar depois de muitos anos o Prof. Ventura, Beto e Cleto. 

(*) Na época, a concessionária de distribuição de energia elétrica em São Paulo era a Light, daí a atribuição desta empresa ao nome da estória (lembrem-se que esta estória é de 1963).

Escrevi diversas estórias com Juca e Chico que eram dos nomes da versão brasileira já que John T. Frye, o criador americano tinha como personagem Carl e Jerry, dois técnicos de TV, mas com enfoque um pouco diferente. A que apresento é de 1966 mas tenho algumas de até antes e que agora recupero. A estória aqui reproduzo, inspirada na série original e usando os nomes dos personagens traduzidos na época pela versão brasileira, Juca e Chico, foram transferidos aos nossos bem conhecidos Beto e Cleto e nela aparece o diretor da escola que chamarei de Prof. Ventura aqui nesta versão. Esta estória como outras são verdadeiras aulas para os “makers” mostrando que na época já se faziam montagens improvisadas e criativas muitas coisas que só depois com a série McGyver e agora com o mundo maker se tornaram populares.. A data é 21 de setembro de 1963 e nesta estória os personagens dão uma aula de improvisação que certamente deixariam muitos anos depois McGyver com inveja. Eu já pensava nisso naquela época.

Vamos a história:

 


 

 

Diferentemente dos outros dias, Beto e Cleto foram até a diretoria no final das aulas. O diretor os havia chamado. Não, não era nada grave, pelo contrário. Beto e Cleto sabendo que não havia nada a temer, foram calmamente até a sala do diretor.

Lá chegando, por trás de uma enorme pilha de papéis, observado por uma estatueta de bronze com ares de censura, encontraram um homenzinho ativo e ocupado em decifrar uns papéis através das lentes telescópicas de seu óculos que fariam inveja as lentes de Monte Palomar.

O Prof. Ventura, diretor há 5 anos já conhecia muito bem os dois amigos pelos seus feitos eletrônicos, e era justamente sobre esse assunto que ele gostaria de conversar com Beto e Cleto,

Nem bem os dois acabaram de entrar, emergindo no mar de papéis, um dedo acusador apontou para uma fila de cadeiras metálicas e uma voz submarina manou-os sentar. A voz continuou falando, e ao mesmo tempo, levantando-se o diretor “apareceu” pelo lado da mesa.

“Estou em apuros, rapazes e vocês vão me ajudar! Preciso de um servicinho que só vocês podem fazer.”

“É claro” – explicou Beto que era o que geralmente falava – “Desde que esteja dentro de nossas possibilidades.”

O diretor continuou:

“Eu creio que sim. Vocês são os “cabras” da eletrônica e isso é “canja” para vocês.” (Mantivemos a linguagem da época.)

Beto e Cleto não estranharam a gíria empregada pelo diretor que procurava sempre se integrar com seus alunos, agiundo como eles nas ocaisões informais. Ele continuou.

“A luz aqui da sala não acende. Troquei a lâmpada, e como não resolvei, cheguei a conclusão que o problema poderia estar na instalação. O eletricista da escola foi embora e amanhã, como é sábado ele não virá.”

O diretor fez uma pause:

“Mas não é só isso que complica. Uma equipe de inspetores e funcionários da delegacia de ensino vem aqui e como eles são “chatos” demais eu não teria como explicar que a diretoria da escola está iluminada por luz de vela!”

Beto e Cleto perceberam as dificuldades do diretor e se dispuseram a ajudar imediatamente.

“Pode deixar por nossa conta! Amanhã cedo estaremos aqui com nossas ferramentas e daremos um jeito na instalação.”

“Obrigado rapazes”. – agradeceu o diretor, aliviado, vendo os dois saírem, voltando logo em seguida para sua pilha de papeis mal iluminada ainda pela claridade do dia.

No dia seguinte, depois de um exame completo do circuito elétrico da diretoria, Beto e Cleto chegaram à conclusão de que um dos cabos do interruptor da lâmpada estava interrompido.”

“Consertar isso é quase impossível agora” – comentou Beto para o diretor que observava o trabalho dos rapazes. Mas nós podemos fazer uma instalação provisória que dê para a lâmpada acender, pelo menos hoje na hora da visita, e na segunda feira, quando o eletricista vier, ele terá de quebrar um pedaço da parede para sanar o defeito.

Cleto não havia entendido bem qual seria a ideia de seu amigo, por isso perguntou. Beto deu então uma explicação mais detalhada.

“O fio que alimenta a lâmpada está interrompido antes do interruptor. Sendo assim, podemos tirar de uma tomada qualquer próxima o polo que falta para acender a lâmpada e, através de um fio ligá-lo provisoriamente ao interruptor.”

Beto continuou:

“Ali perto temos uma tomada. Vou verificar se está funcionando.” – Dizendo isso pegou o multímetro e o foi até lá. Enfiando as pontas de prova na tomada, na escala apropriada de tensões alternadas, encontrou alto em torno de 127 V.

“Agora precisaremos de uns 4 metros de fio simples. Será que podemos obter isso aqui na escola? – Perguntou Beto para o diretor que prontamente respondeu:

“Sim! No depósito de materiais da escola temos fios, é só ir lá pegar.”

De fato, encontram um pedaço de fio que, não era dos melhores, pois havia sido retirado da instalação num reparo. O fio tinha defeitos na capa e estava úmido, já que o local do armazenamento tinha muita umidade.

“Deve servir, já que ainda está conduzindo corrente...” – observou Beto.

Cleto comentou ainda com bom humor:

“Pelo estado e pela idade deste fio, ele deve ter servido de antena no telégrafo de Marconi, e naquela época já devia ser velho.”

Beto prosseguiu:

“Ora, o que interessa não é a idade, mas sei a sua capacidade de condução. Cobre não costuma se deteriorar com facilidade.”

Ele continuou, ao mesmo que cortava um pedaço de aproximadamente 4 metros.:

“E não é só. Não sei se esse fio vai suportar, não há quase capa. Teremos que isolá-lo com cuidado.”

Para sorte do diretor, logo que os dois terminaram a instalação provisória, os visitantes chegaram. A luz já estava acesa.

Três funcionários emproados, empunhando suas respectivas maletas penetraram na diretoria. Beto e Cleto ficara do lado de fora arrumando suas ferramentas.

Um dos visitantes era representante de uma organização educacional internacional, uma espécie de ministro, enquanto que os outros eram representantes da secretária da educação. Assuntos sérios iriam ser discutidos.

Depois de meia hora de mais de meia hora de reunião, o prof. Ventura um tanto quanto sedento, sugeriu um “cafezinho” de pausa, aceito por todos. Beto e Cleto, do lado de fora viram a servente, Da. Marlene, entrar com a bandeja logo em seguida. Mas, foi justamente aí que a confusão começou.

Fechada a porta, ouviu-se um grito:

“Iaaauu!”

Os dois amigos, pelo lado de fora, ficaram alertas. Pouco depois a servente, trazendo nas mãos a bandeja e vejam só, além dela aas calças do ministro!

Beto e Cleto ficaram perplexos! O que teria acontecido?

Mais tarde souberam que a servente , ao colocar a bandeja numa mesinha metálica havia levado um tremendo choque. O fio provisório com problemas de capa havia encostado nela! O polo usado para acender a lâmpada era justamente o vivo! Com o choque, a funcionária jogou tudo para cima e parte do café borrifado foi cair justamente nas calças do ministro!

Beto e Cleto ouviram a estória com um misto de riso e preocupação, pois afinal eles eram os responsáveis pela instalação! A servente, entretanto, os aalmou, pois o diretor havia simplesmente culpado a “Light” pela instalação defeituosa.

O o ministro foi obrigado a “ceder” as calças para que pudessem ser limpas, ficando numa desconfortável posição política atrás da mesa de papéis do diretor, que embaraçado não sabia muito o que fazer.

O fato é que os dois amigos, Beto e Cleto, poderiam dizer que, uma vez na sua vida, fizeram um ministro sem pasta, também ficar sem calças....

 

Escrito originalmente em 21/09/1963

Republicado em 2018

 

 

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