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Como Obter Componentes - II (ART1870)

Um dos grandes problemas para os leitores que gostam de montagens eletrônicas, nos dias atuais, e a obtenção de componentes. Os mais afetados são os que moram em pequenas localidades que não possuem lojas especializadas. No entanto, muitos projetos, parados por falta de componentes, podem ser levados avante se o leitor conhecer algumas alternativas para obtê-los. Neste artigo vamos ensinar como bons componentes podem ser retirados de aparelhos fora de uso e aproveitados em projetos.

 

ObservaçõesNa época em que este artigo foi escrito (1977) não havia lojas com venda de componentes pela Internet, o que hoje não ocorre. Assim, antes de usar estas lojas, é claro o leitor pode conseguir muitos componentes de sua sucata. - Sugerimos ler nosso livro “Faça Você Mesmo – Montagens Eletrônicas” em que existem muitas dicas para obtenção de componentes e seu uso.

 

O primeiro ponto importante que todo montador de aparelhos eletrônicos precisa ter em mente é que nenhuma montagem deve ser iniciada antes de termos todos os componentes usados em mãos.

Ocorre, muitas vezes, que os leitores são atraídos por projetos de publicações antigas ou ainda de esquemas já superados, em que existem componentes que já deixaram der ser fabricados ou que atualmente são difíceis de serem obtidos.

Obs. No nosso site, quando se trata de projeto antigo cujo componente principal ou principais podem apresentar dificuldades de obtenção costumamos alertar o leitor.

 

Muitos projetos também fazem uso de componentes “especiais" só encontrados em poucos lugares ou adquiridos de um único fornecedor que, em certos casos, já não existe mais.

Também existem casos de projetos de revistas que são traduções de publicações estrangeiras feitas sem muito cuidado, já que não há a verificação prévia da disponibilidade dos componentes usados.

No entanto; atualmente a maior dificuldade é que o mercado de componentes eletrônicos para o grande público quase não existe mais e mesmo os técnicos reparadores encontram grandes dificuldades em obter peças de reposição.

Obs. Temos a Mouser como anunciante que tem um fabuloso estoque de componentes disponíveis.

Tão importante como a habilidade em executar a montagem e a habilidade para obter os componentes usados.

 

OBTENÇÃO DE COMPONENTES

Muitos leitores podem dispor de placas de aparelhos velhos fora de uso tais como rádios, televisores, amplificadores e até computadores. Muitas dessas placas podem ser adquiridas por preços muito baixos até em depósitos de ferro-velho ou sucatas ou mesmo conseguidas "de graça" na oficina de reparos de algum técnico amigo.

Essas placas são verdadeiras “minas de ouro" para o montador habilidoso que pode conseguir muitos componentes em bom estado para seus projetos.

Vejamos alguns deles:

 

a) Resistores

Os resistores são os mais comuns de todos os componentes e por isso podem ser encontrados com facilidade nas casas de materiais eletrônicos. O que pode haver é' a falta momentânea de um ou outro valor, quando o estoque se esgota.

O aproveitamento de resistores de aparelhos fora de uso é perfeitamente possível, pois se algum aparelho está abandonado, pode ser que um outro resistor esteja ruim, mas certamente haverá um estoque deles em bom estado que poderão ser aproveitados.

Depois de retirar com cuidado os resistores de uma placa para que o calor em excesso não os danifique ou seus terminais .sejam quebrados, é preciso verificar se estão bons.

Para isso, basta observar seus valores pelos anéis coloridos e conferir com o multímetro.

Uma variação de até 20% é admitida, já que esta pode ser a tolerância do resistor em teste.

Se a pintura externa do resistor tiver sinais de enegrecimento pelo calor, este resistor provavelmente estará alterado se não deve ser aproveitado.

A única 'limitação para o aproveitamento desses resistores está no tamanho dos terminais, que pode dificultar seu encaixe numa placa de circuito impresso.

No entanto nada impede que “extensões” de fio sem capa sejam feitas para prolongar seus terminais.

No caso dos resistores de fio, sua utilização é menor, mas mesmo assim com sorte, podem ser considerados diversos deles.

Para conseguir valores "difíceis" de resistores, uma opção dos sem um bom teste é associar dois resistores ou mais de valores comuns conforme mostra a figura 1.

 

Figura 1 – Obtendo um resistor de 9,1 k com valores comuns
Figura 1 – Obtendo um resistor de 9,1 k com valores comuns

 

 

b) capacitores

As lojas de componentes normalmente têm estoques de capacitores com os valores comuns, mas a falta também ocorre de forma indeterminada quando os estoques de determinados valores terminam.

Existem, é claro, os tipos de valores mais altos, como os eletrolíticos e poliéster ou ainda com tensões de trabalho mais elevadas que apresentam dificuldades maiores para serem obtidos, mas estes também podem ser encontrados em sucata.

No entanto, o aproveitamento dos eletrolíticos de aparelhos usados exige muito mais cuidado, pois com o tempo, esses componentes se deterioram, perdendo a sua capacitância ou mesmo apresentando fugas.

Isso significa que, eletrolíticos de aparelhos muito antigos não devem ser aproveitados.

A prova de fuga de capacitores cerâmicos, óleo, papel, ou poliéster é fundamental para avaliar se poderão ou não ser aproveitados.

Na figura 2 mostramos como fazer esta prova.

 

Figura 2 – Teste de fugas em capacitores
Figura 2 – Teste de fugas em capacitores

 

A resistência medida, de modo algum pode ser inferior a 1 M ohms.

Evidentemente, se o leitor dispuser de um capacímetro, a verificação do estado será facilitada para os eletrolíticos como para os demais tipos.

 

c) capacitores variáveis

Os capacitores variáveis do tipo grande (dielétrico a ar) que são muito usados em transmissores experimentais e receptores podem ser obtidos com muito mais facilidade num velho rádio de válvulas do que nas próprias lojas. Na figura 3 mostramos estes capacitores.

 

Figura 3 – Tipos de variáveis
Figura 3 – Tipos de variáveis

 

Ocorre que estes componentes quase não são mais usados e por isso não existem em estoques.

O tipo que ainda pode ser encontrado com alguma facilidade é a miniatura de sucata.

Se precisarmos de um capacitor desse tipo, devemos estar atentos à sua faixa de valores, pois existem basicamente dois tipos.

Os tipos antigos grandes de aparelhos de válvulas normalmente são de grande capacitância (200 a 500 pF) e podem ser usados em circuitos de ondas médias e curtas (500 KHz a 10 MHz). No entanto, os pequenos podem ser encontrados com mais placas para ondas médias e curtas e com menos placas para a faixa de FM. Na figura 3 mostramos essas diferenças.

 

Figura 4 – Capacitor variável quádruplo para AM e FM
Figura 4 – Capacitor variável quádruplo para AM e FM

 

O leitor deve estar atento para essas características, pois se um capacitor de poucas placas (FM) for usado num transmissor de AM (que exige o tipo de maior capacitância) a faixa de sintonia ficará prejudicada.

Existem também os tipos que possuem conjuntos de placa para AM e FM, como o mostrado na figura 4, que é um capacitor quádruplo.

Ao comprar um capacitor para uma aplicação ou tentar obtê-lo de sucata, tenha em mente do que se trata, não se preocupando muito com o valor exato a não ser que exista uma observação no projeto quanto a isso. Preocupe-se apenas se você vai querer um variável para FM ou para faixas de freqüência mais baixas (AM).

Normalmente, as pequenas diferenças de valores que podem ocorrer quando temos estes componentes em mãos, sem saber o valor exato, afetam a faixa total sintonizada o que não será problema num projeto em que isso pode ser compensado alterando uma bobina.

Ao aproveitar um capacitor variável de um aparelho fora de uso, o cuidado principal será a verificação do isolamento. Podem ocorrer problemas se as placas estiverem tortas.

Girando o eixo do variável, o conjunto de placas móveis não deve tocar em nenhum ponto do conjunto de placas fixas.

Se isso acontecer ainda podemos tentar "ajustar" o espaçamento entre as placas por meio do parafuso da parte traseira que segura o eixo, mas em outro caso somente um trabalho com muita habilidade permite recuperar .o componente para o uso, figura 5.

 

Figura 5 – Testando um capacitor variável
Figura 5 – Testando um capacitor variável

 

 

d) Potenciômetro e trimpot

Esses componentes não são muito difíceis de serem obtidos, já que muitos aparelhos comerciais os usam e exigem constantes reposições pelos desgastes.

Os casos mais complicados são os que exigem potenciômetros duplos ou ainda com valores não muito comuns.

No aproveitamento é preciso tomar cuidado para verificar se o componente não está com o cursor gasto ou ainda com o elemento resistivo interrompido.

O teste de um potenciômetro ou trimpot é .feito com o multímetro conforme mostra a figura 6.

 

   Figura 6 – Testando um potenciômetro
Figura 6 – Testando um potenciômetro

 

No teste dinâmico, ao girar o eixo do componente, a agulha do multímetro deve se movimentar suavemente.

Um salto brusco para o infinito indicas que o componente tem problemas.

Um caso que pode dificultar a obtenção de um potenciômetro é quando se exige que ele seja de fio.

Esses potenciômetros são mais raros e mesmo nos aparelhos de sucata não são encontrados com facilidade.

 

e) Transformadores

A maioria dos projetos faz uso de transformadores com características comuns, ou seja, entradas segundo a rede de energia e saídas com valores conhecidos como 6, 9, 12 V ou tensões igualmente comuns. As correntes de secundário podem variar entre 100 mA e 5 A.

Somente para os casos de tensões acima de 12 V e correntes acima de 1 A é que pode existir uma dificuldade maior para se obtenção do componente.

No entanto, o transformador é um componente "bastante flexível" na maioria dos projetos.

Por exemplo, se o projeto exige 200 mA podemos usar correntes maiores, sem problemas, na faixa de 200 a 500 mA.

Se o circuito usar um regulador integrado, como da série 78XX ou LM350, podemos ter tensões também maiores que a original, desde que dentro dos limites do componente. Por exemplo, em lugar de 9 + 9 V podemos usar 12 + 12 V.

A única diferença que pode resultar em problemas na montagem, é que os transformadores de mesma tensão, mas que tenham correntes maiores, também terão tamanhos maiores, conforme mostra a figura 7.

 

Figura 7 – Tamanho dos transformadores
Figura 7 – Tamanho dos transformadores

 

Se o transformador for retirado de algum aparelho fora de uso e não existir indicação alguma sobre a tensão de secundário, podemos medi-la com o multímetro, figura 8.

 

Figura 8 – Medindo a tensão num transformador
Figura 8 – Medindo a tensão num transformador

 

A corrente será avaliada pela espessura do fio do secundário.

Compare com um transformador de saída, driver (acoplamento), modulação, entre outros, mas estes são componentes mais difíceis por não serem mais fabricados em muitos casos.

Assim, os transformadores de saída de transistores e válvulas só podem ser conseguidos em aparelhos de sucata.

Em alguns grandes centros, como São Paulo, existem casas que enrolam transformadores sob encomenda. O componente é fabricado de acordo com as características desejadas, mas evidentemente, seu custo é mais alto do que um equivalente "de linha".

Os pequenos transformadores de Fl (frequência intermediária) usados em rádios também podem ser difíceis de obter pelos meios normais, pois existem muitos tipos não mais fabricados.

O problema maior desses transformadores é que eles são fabricados segundo o tipo de rádio em que funcionam e logo que o rádio sai de linha o transformador deixa de ser encontrado

Como esses componentes dificilmente dão problemas nos reparos e quando isso acontece, o aparelho é considerado sem conserto, mesmo nas oficinas de reparação ou autorizadas, obter um transformador de Fl com as características desejadas exige muita sorte.

Se precisarmos de um transformador de Fl para um projeto, temos duas alternativas:

A primeira consiste em saber se ele tem uma “primeira Fl", "segunda Fl", ou um jogo completo, não importando muito o tipo e “torcer" para que se adaptem ao projeto. Outra possibilidade é identificar qual é o aparelho de determinada marca que usa tais bobinas e ir direto a urna oficina autorizada.

O aproveitamento dessas bobinas e de transformadores de pequenos rádios, no entanto, não é frequente, já que os projetos mais modernos não os utilizam, e quando o fazem, são tolerantes o suficiente para admitir uma variedade muito grande de tipos.

 

f) Diodos e transistores

Existe uma quantidade muito grande de tipos de diodos e transistores, o que torna muito difícil saber para que serve um deles, aproveitado de um velho aparelho, sem a posse de um bom manual ou diagrama. Na verdade, i existem mais de 5 milhões de tipos diferentes mundo!"

 

Obs. Na época em que o artigo foi escrito. Hoje são muitos mais.

 

No entanto, se soubermos de onde estamos tirando um transistor ou diodo, podemos ter uma ideia de suas características gerais e assim aproveitá-los em projetos que exijam características semelhantes.

Assim, podemos principalmente aproveitar os transistores de uso geral que são transistores NPN ou PNP que operam com sinais de áudio ou baixa frequência, pequenas correntes e tensões até uns 20 V. Para os diodos também temos os tipos de silício e germânio de uso geral com características semelhantes.

Isso significa que, ao aproveitar transistores de uma placa, devemos apenas saber como identificar seu coletor, emissor e base, e se são NPN ou PNP. Uma observação cuidadosa da placa, tomando por referência as trilhas de alimentação e as polaridades dos eletrolíticos e diodos próximos facilita este trabalho.

O invólucro do transistor e a posição no circuito nos indicam muito sobre as características dos transistores.

Assim, os transistores tirados de etapas amplificadoras de RF e FI de rádios e televisores, provavelmente podem ser usados nas mesmas aplicações dos BF494 e BF495,.pois são de RF de baixa potência, bastando apenas que sejam NPN. Se forem PNP podem servir para outras aplicações.

Os que forem retirados das etapas de áudio e de pequenos gravadores e amplificadores, provavelmente substituirão os BC547, BC548 (NPN) ou BC558 (PNP) em muitos projetos.

Os tipos com invólucro de potência podem perfeitamente substituir os BD135, TlP31, etc., não custando experimentar (com cuidado).

Se o leitor formou um estoque de transistores de sucata, o primeiro passo é verificar se são NPN ou PPN e determinar os terminais de coletor, emissor e base. A

Na figura 9 temos o modo de verificar se um transistor é NPN ou PNP usando o multímetro.

 

Figura 9 – Identificando transistores
Figura 9 – Identificando transistores

 

Esse procedimento também ajuda na identificação dos terminais de emissor, coletor e base.

Pelas siglas de alguns transistores também podemos ter muitas informações interessantes.

Assim, para os japoneses, a sigla 2SC e 2SD é usada para transistores de silício, enquanto que 2SB é usada para transistores de germânio.

Os europeus com a sigla AC, AF ou AD são de germânio, com as siglas começando por B (BD, BC, BF) são de silício. Os BF são de alta freqüência, BC de uso geral e BD de potência.

 

g) Acessórios

Obter somente os componentes para a parte eletrônica de um projeto não é o mais complicado para a maioria dos leitores, mas sim a sustentação mecânica” do projeto, como por exemplo a caixa, pontes de terminais ou placas de circuito impresso, suportes de pilhas, botões, painéis, pode ser muito mais complicada para os que não estejam em localidades bem servidas por lojas de eletrônica.

Para as caixas, existe a possibilidade de improvisação, aproveitando embalagens plásticas ou objetos denso doméstico como, marmitas, formas, saboneteiras, caixas de remédios e outros.

Os mais habilidosos conseguem fazer caixas de madeira a ou metal com facilidade, mas é preciso ter as ferramentas apropriadas.

O importante na elaboração de uma caixa ou na sua compra é que o montador tenha uma ideia exata das dimensões que ela deve ter, de modo a alojar todas as peças folgadamente e com a ventilação exigida. Na figura 10 temos exemplos disso.

 

   Figura 10 – Planejando a caixa
Figura 10 – Planejando a caixa

 

Evidentemente, essas caixas não vêm preparadas para um projeto exclusivo, o que significa que o leitor deve ter recursos para fazer cortes, furações, dobras, fixações, etc.

Na verdade a complementação mecânica do projeto como, por exemplo, a caixa, botões, garras, suportes de pilhas ou fusíveis, podem ser adquiridos nas casas especializadas. Normalmente, como tais peças nem sempre aparecem nas listas de materiais, o montador deve prevenir-se para não ter de ir duas vezes às compras.

É claro que sendo estas partes menos criticas, já que não influem no desempenho elétrico, o aproveitamento delas a partir de sucatas é mais fácil.

Complementos mecânicos como parafusos de fixação, separadores, porcas e outros, serão conseguidos de fornecedores diferentes.

Placas de circuito impresso virgens ou pontes de terminais são encontradas em casas especializadas, mas faltas podem ocorrer, por isso é sempre bom ter um pequeno “estoque” para as montagens, adquirindo-as em maior quantidade quando disponíveis.

 

Conclusão

É claro que existem muitos outros materiais que podem apresentar dificuldades de obtenção; Por exemplo, podemos citar os fios esmaltados, os circuitos integrados, fios de nicromo, bastões de ferrite, radiadores de calor, etc..

Falaremos destes componentes em outra oportunidade, sempre procurando orientar nossos leitores para que consigam complementar suas montagens com êxito.

 

 

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