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Interface Homem-Máquina - Cuidados especiais (MEC119)

Ao se desenvolver uma interface homem-máquina (IHM) nem sempre o projetista leva em conta certas diferenças que existem entre as pessoas. Nem todos os humanos são iguais e as diferenças podem implicar em problemas tanto para o projetista como para quem vai usar as interfaces. Nesse artigo damos exemplos que podem servir de alertas.

As pessoas não são todas iguais. Além das diferenças de estatura, temos de considerar problemas relacionados com a idade e até mesmo com a própria natureza específica de cada um.

 

Interfaces Sonoras

Um primeiro exemplo pode ser muito importante para quem pretende projetar equipamentos que façam o interfaceamento entre um homem e uma máquina e isso é válido até mesmo para um simples produto de consumo.

Por exemplo, todos sabemos que a faixa audível das pessoas vai de 16 Hz a 16 000 Hz aproximadamente, e que os sons dessa gama de freqüências devem ser percebidos da mesma forma por todos.

No entanto, não é bem assim, durante à vida de uma pessoa essa faixa se modifica e, mais do que isso, devido também à problemas de trabalho, de hábitos, etc.

Conforme mostra a figura 1, da faixa audível de uma pessoa se degrada a ponto de que, uma pessoa de idade não pode ouvir certos sons agudos.

 

Figura 1
Figura 1

 

A própria sensibilidade aos sons da faixa central dos médios pode ser alterada, pela idade ou por problemas de doenças, levando às pessoas a respostas diferentes aos sons comuns.

Dessa forma, ao se projetar um simples aviso de um despertador, de um forno de micro-ondas ou de uma campainha, o projetista deve estar muito atento para não usar tons que eventualmente não possam ser ouvidos por um usuário.

Uma prática que começa a ser recomendada é que em qualquer tipo de aviso de sistema eletrônico, por exemplo, alertas, alarmes, etc, nunca sejam usados tons de freqüência única. Tons compostos são muito mais seguros para esse tipo de aplicação.

Conforme mostra a figura 2, se uma das componentes cair numa faixa de menor sensibilidade de uma pessoa ela não impedirá que ela perceba o aviso, pois as outras componentes com grande probabilidade estarão dentro de um setor da faixa em que a pessoa pode ouvir.

 

Figura 2
Figura 2

 

O próprio nível do sinal deve ser programado de modo a não oferecer problemas de audição às pessoas.

Quando se trabalhar com sinais diferentes para os aparelhos, também deve-se cuidar para que suas freqüências sejam separadas o suficiente para que a diferença possa ser percebida. Isso também é válido para um tom composto de diversas componentes, de modo que mesmo uma pessoa que tenha alguma espécie de deficiência possa perceber isso.

 

 

Poluição Sonora

Para que os projetistas levem mais à sério essas diferenças de sensibilidade auditiva, podemos citar um fato que já usamos em outros artigos nosso e que servem de advertência.

Num país da Europa, as autoridades ficaram extremamente preocupadas ao examinar os jovens que entravam para o serviço militar. A maior parte deles tinha problemas de danos irreversíveis na audiveção com perdas graves, devido ao fato de ouvirem aparelhos de som muito alto e de freqüentarem discotecas onde o volume do som superava o tolerável pela audição humana.

Os danos eram patentes e a maioria dos jovens estava com a audição comprometida de modo totalmente irreversível.

Por muitas vezes alertamos as autoridades no sentido de policiarem os estabelecimentos que usam tais equipamentos, shows, teatros, etc, no sentido de manter os níveis dentro do que não prejudica a audição humana. Nunca foi feito nada à respeito...

Se perder a audição não significa nada para as autoridades da saúde, não é preciso dizer mais nada sobre a espécie de dirigentes que temos...

O que se tem hoje é uma legislação que cuida apenas da audição dos trabalhadores que eventualmente trabalham em locais ruidosos, mas apenas isso...

 

Visão

Se bem que a maioria dos fabricantes de equipamentos eletrônicos leve em conta que existem certas pessoas que têm uma acuidade visual menor, principalmente as de mais idade, nem sempre o cuidado leva em conta todos os fatores que podem afetar a sua utilização.

Por exemplo, letras muito pequenas e muitos juntas em determinados menus ou ainda, uma diferença muito pequena entre formatos pode afetar o bom uso de um equipamento.

Podemos citar o caso do "7" e do "1" nos mostrados digitais que, vistos de longe podem confundir as pessoas, levando-as a digitar números errados. O mesmo ocorre com a letra "L" minúscula e o "I" maiúsculo que são exatamente iguais. As senhas que misturam o zero com o O, que têm diferenças pequenas no formato apresentado (O e 0) também são causas de problemas.

Finalmente, há de se levar ainda em conta que as pessoas podem ter dificuldades em diferenciar cores muito próximas. O melhor exemplo disso está nos resistores, que em alguns casos têm a cor laranja e o vermelho tão parecidas que não é difícil ocorrer que um resistor de 2,2 k ? seja confundido com um de 22 k ? com resultados desastrosos para um projeto.

Isso, aplicado a um painel de controle, em que se manda apertar a tecla vermelha e ela está "desbotada' parecendo muito mais laranja do que outra cor pode causar confusão.

É claro que o problema complica ainda mais se levarmos em conta que existe uma porcentagem não desprezível de nossa população que é daltônica...

 

Diferenças Físicas

As pessoas não são iguais tanto em tamanho como força física. Uma criança e uma pessoa de idade não podem exercer a mesma força ao pressionar um botão ou girar uma chave que liga ou desliga um aparelho.

Ao se projetar um aparelho que deva ser usado por pessoas de uma faixa de idades muito ampla, de crianças a idosos, isso deve ser levado em conta. A própria altura dos controles deve ser analisada para se ter certeza de que uma criança (possa ou não) ter acesso a um controle.

Um exemplo interessante pode ser dado, mostrando um certo descuido dos projetistas ao se levar em conta fatores como esse está no próprio telefone celular.

Tenho um amigo de porte físico bastante avantajado que tem uma dificuldade enorme em usar um celular. A distância pequena entre as teclas dificulta a digitação, pois seus dedos são anormalmente grandes. Por mais que ele procurasse, não encontrou um celular que tivesse teclas apropriadas ao tamanho de sua mão...

Da mesma forma, já tive a experiência de precisar procurar um telefone celular para uma pessoa idosa, com problemas de visão, e não encontrei qualquer modelo que tivesse um teclado com teclas com números grandes, facilmente visíveis por essa pessoa...

 

Outras Diferenças

Ao se projetar qualquer tipo de interface que deva receber informações de um ser humano ou transmitir informações a esse ser humano é preciso levar em conta muitos fatores.

Os seres humanos são diferentes. Estatura, capacidade auditiva, capacidade visual, força física são alguns dos fatores que devem ser levados em conta.

O próprio tempo de reação a uma solicitação de comando também deve ser considerado, se tivermos de incluir outras diferenças.

Um jovem reage muito mais rapidamente a uma solicitação de digitar uma senha do que uma pessoa idosa ou que tenha algum tipo de problema. Aproveita-se até disso para exigir que as pessoas digitem as senhas que liberam a ignição de um carro num tempo curto o bastante para impedir que, no caso dela estar alcoolizada, não consiga dar a partida.

 

Conclusão

Ao se projetar qualquer tipo de interface que deva receber informações de um ser humano ou transmitir informações a esse ser humano é preciso levar em conta muitos fatores.

Os seres humanos são diferentes. Estatura, capacidade auditiva, capacidade visual, força física são alguns dos fatores que devem ser levados em conta.

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